Copa Africana de Nações

Presidente da CAF garante que a Copa Africana de Nações iniciará normalmente em 9 de janeiro

Em meio a diversos entraves, a Copa Africana parece em risco, mas Patrice Motsepe garantiu que não ocorrerá nenhum adiamento

A Copa Africana de Nações foi colocada em xeque algumas vezes nas últimas semanas. Existe uma preocupação genuína com o aumento de casos de Covid-19 relacionados à variante ômicron, que podem afetar o torneio. Além da própria questão sanitária, outros entraves cercam Camarões como país-sede. Parte das obras previstas para o torneio não estão concluídas e existe uma guerra civil interna, em região de maioria anglófona que busca o separatismo. Não à toa, surgiram rumores de que a CAN poderia ser adiada mais uma vez ou até mesmo ser realizada numa bolha no Catar. Apesar disso, Patrice Motsepe, o presidente da Confederação Africana de Futebol, garantiu que o torneio terá início em 9 de janeiro, como previsto.

Nesta semana, Motsepe se reuniu com Paul Biya, presidente de Camarões. Os dois conversaram sobre a segurança do torneio, o combate à pandemia e a situação das obras. Apesar das preocupações, o dirigente da CAF descartou uma nova mudança de calendário. Vale lembrar que os camaroneses deveriam ter recebido a CAN em 2019, mas o torneio foi levado ao Egito por conta dos atrasos nos estádios e dos conflitos internos. Depois disso, a competição ficou remarcada para janeiro de 2021, sem acontecer em decorrência do coronavírus.

“Estarei aqui no dia 7 de janeiro e vou assistir a jogos de futebol. Verei a abertura entre Camarões e Burkina Faso. Também estarei por aqui quando o troféu for entregue. Devemos sempre identificar problemas e desafios, e não fugir deles. Devemos ter confiança e crença de que podemos superá-los”, declarou Motsepe, garantindo que também levará seus familiares ao torneio.

O presidente da CAF afirmou que cuidados extras serão tomados em relação ao coronavírus. O dirigente promete protocolos rigorosos para testar jogadores e elencos. Além disso, a confederação promoverá um controle dos estádios, com a necessidade de comprovação de testes negativos para os torcedores que comparecerem às arquibancadas. Para Motsepe, será o suficiente.

“Ninguém poderá entrar no estádio sem um PCR negativo. Teremos que proteger os torcedores que estarão lá. Claro, teremos preocupações sobre testes falsos, mas estamos lidando com esses problemas. Temos que ter confiança e acreditar em nós mesmos como africanos. E temos que ter confiança de que podemos sediar uma Copa Africana de Nações bem sucedida em Camarões”, apontou.

Outra figura importante a se manifestar foi Samuel Eto’o, recentemente eleito presidente da federação camaronesa. Apesar do imenso desafio no início de seu mandato, o ex-atacante reafirmou a capacidade de seu país na organização. O veterano ainda afirmou que as críticas à realização do torneio vêm de europeus que insistem em ver a África como um continente inferior.

“Não vejo motivo para a Copa Africana não acontecer. Não acho que uma mudança seja uma maneira responsável de fazer as coisas. A federação camaronesa, que eu represento, buscará a manutenção dessa competição até o fim. Qual razão para adiar? Se a Eurocopa aconteceu no meio da pandemia com estádios cheios, foi jogada em diversas cidades e não houve incidentes, por que a Copa Africana não seria disputada em Camarões? Dê me uma só razão. Ou você está tentando dizer, como sempre fomos tratados, que nós africanos não somos dignos disso e devemos engolir a decisão? Seja claro conosco. O que acho difícil de acreditar é que alguns africanos são cúmplices dessa ideia de adiar”, apontou Eto’o, em entrevista ao Canal+.

A Copa Africana de Nações será disputada de 9 de janeiro a 6 de fevereiro. O torneio envolve 24 seleções, com fase de grupos e mata-matas. Entre as pressões sobre o torneio, também existe a reclamação dos clubes europeus pela maneira como seus jogadores estarão expostos – embora aos desfalques ao longo de janeiro sirvam de  insatisfação primordial entre os dirigentes. Ao que tudo indica, será mais uma queda de braço política, ainda que o calendário da Fifa garanta a liberação de todos os atletas para a CAN.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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