Copa Africana de Nações

Mhango anotou um gol espetacular e Malaui ensaiou a zebra, mas Marrocos sufocou e virou com uma falta perfeita de Hakimi

Malaui saiu em vantagem no placar com um gol de Prêmio Puskás e segurou o ímpeto de Marrocos, mas a força ofensiva dos Leões do Atlas pesou para a virada

Malaui não vinha de resultados tão estrondosos na fase de grupos da Copa Africana de Nações, mas apresentou capacidade de peitar as potências continentais. E as Chamas fizeram Marrocos ralar bastante nas oitavas de final, apesar da classificação dos magrebinos. O primeiro gol da noite, anotado pelo malauiano Gabadinho Mhango, foi uma pintura do meio da rua que merece concorrer ao próximo Prêmio Puskás. Os Leões do Atlas precisaram insistir bastante no primeiro tempo e, depois de inúmeras vezes o grito de gol ficar entalado na garganta, Youssef En-Nesyri empatou nos acréscimos. Já na segunda etapa, o duelo caiu de ritmo, mas Achraf Hakimi também premiou sua fantástica atuação. O lateral assinou um golaço de falta e garantiu a virada por 2 a 1, que leva os marroquinos às quartas de final.

Malaui não demorou a indicar que poderia aprontar no jogo. E, logo aos sete minutos, Gabadinho Mhango deu nova prova de seu enorme talento para abrir o placar. O atacante das Chamas já tinha sido um dos melhores jogadores da CAN na fase de grupos. Desta vez, ele anotou aquele que muito provavelmente terminará eleito como gol mais bonito do torneio. Ao receber na intermediária, Mhango resolveu arriscar o chute do meio da rua e foi perfeito na execução. A bola saiu do alcance do adiantado Bono e morreu na gaveta. Marrocos sabia que não teria uma noite simples.

Marrocos ainda pareceu sentir o baque durante os primeiros 15 minutos e Malaui escapava em velocidade, dando trabalho à marcação. Porém, a presença ofensiva dos Leões do Atlas foi se tornando mais e mais sufocante. Aos 17, Imran Louza chutou forte e o goleiro Charles Thomu fez a defesa. Pouco depois, seria a vez de Youssef En-Nesyri bater de canhota e a bola passar ao lado da meta. Mas não que os malauianos só se defendessem. Quando apareceu de novo, aos 23, Mhango deu um chute cruzado muito perigoso que saiu para fora. De qualquer maneira, a história do duelo se desenvolvia com a blitz marroquina. Achraf Hakimi  tentou aos 28, numa cobrança de falta que ia em direção ao ângulo, mas Thomu fez uma defesa fantástica.

Marrocos teve 79% de posse de bola no primeiro tempo, com 14 finalizações. Até por isso, impressionou como a bola insistia em não entrar. Os 15 minutos finais seriam mais malucos ainda. Depois de uma falta cobrada por Hakimi, Roman Saïss mandou a bola no travessão aos 34. Pouco depois, seria a vez do próprio Hakimi carimbar a trave, em tiro que Thomu triscou na bola. O goleiro voltaria a aparecer diante de Boufal, em boa intervenção com a perna. E a sequência massacrante teria Boufal isolando um chute na risca da pequena área. A persistência perdurou até os 47, quando saiu o gol a partir de um cruzamento de Selim Amallah na esquerda. En-Nesyri cabeceou no segundo pau e Thomu até tocou na bola, sem evitar o tento desta vez. E restaria tempo para os Leões do Atlas tentarem a virada, com Amallah cabeceando para fora.

O segundo tempo voltou a ficar perigoso para Marrocos. A primeira chance seria de Malaui, num cruzamento que Francisco Madinga completou de canhota e mandou para fora. O ritmo dos marroquinos se reduziu e os malauianos conseguiam encaixar os contragolpes, com Mhango ainda representando a principal ameaça. Bono era mais exigido nas antecipações. Os marroquinos cresceram um pouco mais depois dos 20 minutos, com presença ofensiva. E a virada dependeu do talento de Hakimi, em outro golaço na noite. Aos 25, o lateral cobrou uma falta com enorme precisão e mandou na gaveta. Desta vez não deu para Thomu.

En-Nesyri poderia ter assegurado a vitória pouco depois, aos 32. O centroavante finalizou em boa posição, mas o chute seria desviado para fora. A reta final da partida seria mais travada, com Malaui se adiantando um pouco mais em campo e se postando no ataque. Todavia, Marrocos se defendeu com competência e não deu muitas brechas, enquanto gastava o tempo com a posse de bola. Os malauianos sequer conseguiram finalizar. E quase deu para sair o terceiro tento marroquino nos acréscimos. Hakimi chutou de longe, para defesa parcial de Thomu, e no rebote Munir El Haddadi bateu ao lado da trave.

Malaui sai da Copa Africana de cabeça erguida. A seleção disputava apenas sua terceira edição do torneio, a primeira desde 2010, e registrou sua melhor campanha. As Chamas apresentaram bons talentos, ainda mais considerando que grande parte de seu elenco atua em clubes da própria África. Gabadinho Mhango, sem dúvidas, merece oportunidades maiores. Já Marrocos avança com méritos e, apesar das dificuldades, apresentou a sua capacidade ofensiva. É candidato ao título, mas vai ter pedreira nas quartas de final, contra Egito ou Costa do Marfim.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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