Copa Africana de Nações

Malaui e Sudão serão mais duas novidades na Copa Africana, após uma década de ausência na fase final

A Copa Africana de Nações confirmou a classificação de mais dois participantes desde domingo, chegando a 19 das 24 vagas preenchidas para a edição 2021 – que ocorrerá no início de 2022. E as duas novas seleções retornam ao cenário continental depois de algum tempo ausentes. Sudão não figurava na CAN desde 2012 e superou a África do Sul para chegar à fase final. Já a principal história é de Malaui, que vai à sua terceira edição do torneio, a primeira desde 2010. Uganda parecia a favorita à segunda vaga de seu grupo, mas as Chamas (como a seleção malauiana é conhecida) conseguiram surpreender.

A seleção de Malaui estreou na Copa Africana de Nações em 1984, quando o sorteio e a desistência de Zaire ajudaram em sua caminhada nas eliminatórias. O retorno ao torneio continental ocorreu em 2010. As Chamas superaram República Democrática do Congo e Guiné para alcançar a fase final. E ainda provocaram uma das maiores zebras na fase de grupos, ao baterem a Argélia de maneira incontestável, por sonoros 3 a 0. Entretanto, derrotas para Angola e Mali impediram a classificação do país.

Desde então, as campanhas de Malaui nas Eliminatórias da CAN eram mornas. A equipe entrou apenas no Pote 3 do sorteio deste qualificatório, e parecia abaixo de Burkina Faso e Uganda na disputa das duas vagas em seu grupo. Entretanto, a equipe surpreendeu e contou com uma ajuda do Sudão do Sul, a quarta força da chave. As Chamas fizeram sua parte com duas vitórias sobre os sul-sudaneses, além de um empate em casa contra Burkina Faso. Já o Sudão do Sul contribuiu ao bater Uganda, na segunda vitória do país na história das Eliminatórias da CAN. Com Burkina Faso já classificada, a rodada final daria uma vaga para Malaui ou Uganda. E a situação na tabela permitia que os malauianos dependessem só de si no confronto direto.

Malaui entrou em campo com sete pontos, enquanto Uganda tinha oito, lamentando a derrota contra Sudão do Sul. Ainda assim, um empate valeria a classificação aos ugandenses, presentes nas duas últimas edições da CAN. Não foi o que aconteceu. As Chamas fizeram valer o mando de campo em Lilongwe e venceram por 1 a 0 no Estádio Nacional Bingu, nesta segunda-feira. O atacante Richard Mbulu anotou o gol que selou a classificação, logo aos 15 minutos do primeiro tempo. Ao apito final, apesar das restrições da pandemia, uma multidão de torcedores saiu às ruas do Malaui para comemorar a façanha.

Diferente da maioria dos concorrentes na Copa Africana, Malaui não tem muitos jogadores em atividade na Europa. Os jovens Charles Petro e Peter Banda são exceções no Sheriff Tiraspol da Moldávia, assim como Francisco Madinga no Dila Gori da Geórgia. A maioria dos atletas atua mesmo nos clubes locais, com os destaques exportados à África do Sul. É o caso de Gabadinho Mhango, uma das referências no time atual, que defende o Orlando Pirates. Já o herói Richard Mbulu é o camisa 9 do Baroka, também da Premiership Sul-Africana.

O feito do Sudão, por sua vez, chama mais atenção por deixar a África do Sul pelo caminho. Os Falcões de Jediane eram uma potência nos primórdios da Copa Africana, com o título em 1970. Porém, ficaram de 1976 a 2008 ausentes da fase final da competição. Os sudaneses retornaram em 2008 e ainda reapareceram em 2012, quando eliminaram Angola e Burkina Faso em seu grupo, caindo apenas diante da futura campeã Zâmbia nas quartas de final. De qualquer maneira, se ausentar das últimas quatro edições da CAN era bastante, considerando a força do futebol sudanês ao menos entre os clubes.

Nestas Eliminatórias da CAN, Sudão caiu no mesmo grupo de Gana, África do Sul e São Tomé e Príncipe. Além dos seis pontos garantidos contra os lusófonos, lanternas da chave, fez a diferença o aproveitamento em casa dos Falcões. Os sudaneses derrotaram Gana em Omdurman, um resultado fundamental. Já neste domingo, aconteceu o confronto direto com a África do Sul. Os Bafana Bafana ainda teriam a vantagem do empate, mas os sudaneses provaram sua força em seus domínios.

A vitória do Sudão por 2 a 0 selou a passagem da equipe. Saifeldin Bakhit e Mohamed Abdelrahman anotaram os gols no triunfo sobre os sul-africanos. Treinada pelo francês Hubert Velud, a seleção sudanesa só não tem um jogador em atividade no país na atual convocação. A base se concentra no Al-Hilal, clube que detém o recorde de títulos nacionais e está presente na fase de grupos da Champions Africana. O Al Merrikh é outra equipe importante na convocação e que igualmente disputa a fase principal da Liga dos Campeões.

Além de Malaui e Sudão, também se classificaram à Copa Africana: Camarões, Mali, Guiné, Burkina Faso, Gana, Gabão, Gâmbia, Marrocos, Egito, Comores, Argélia, Zimbábue, Senegal, Tunísia, Guiné Equatorial, Costa do Marfim e Nigéria. Os últimos cinco classificados serão conhecidos nesta terça-feira.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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