Copa Africana de Nações

Madagascar estreou na CAN e já teve motivos para celebrar, ao arrancar o empate contra a Guiné

Entre as seleções que estreiam na Copa Africana de Nações, Madagascar talvez seja a que provoque mais curiosidade. A ilha de 24 milhões de habitantes quase sempre esteve entre os coadjuvantes mais inexpressivos do futebol continental. A guinada recente tornou-se possível graças a uma geração com média de idade elevada, composta por alguns franceses, mas com raízes ligadas ao país africano. Eliminar Sudão e Guiné Equatorial já parecia algo imenso nas eliminatórias da CAN 2019. E a primeira partida na competição animou ainda mais os malgaxes. Chegaram a virar o jogo, mas o movimentado empate por 2 a 2 contra a Guiné soa de bom tamanho, diante das carências dos novatos.

Guiné já atravessou momentos melhores, mas possui um elenco mais estrelado que o de Madagascar. Seu principal problema era lidar com a ausência de Naby Keita, retornando de lesão, e por isso relegado ao banco de reservas. Apesar da lacuna, os guineenses foram superiores durante o primeiro tempo e saíram em vantagem no placar. Após uma bola na trave, o centroavante Sory Kaba inaugurou o marcador aos 34 minutos. Após o lançamento longo de Amadou Diawara, a linha de impedimento não funcionou e o camisa 21 apareceu sozinho, passando pelo goleiro, antes de arrematar à meta vazia.

Madagascar, porém, voltou com outra postura para o segundo tempo. Em apenas dez minutos, já viraria o placar. O primeiro gol foi assinalado por Anicet Andrianantenaina, aos quatro minutos, emendando de cabeça uma cobrança de escanteio. O tento rendeu uma empolgada comemoração dos Barea, com direito a participação do banco de reservas em peso e uma imitação coreografada dos zebus que representam a seleção. Pois haveria mais. Seis minutos depois, Carolus Andriamahitsinoro marcou o segundo. Desta vez foi a defesa de Guiné que parou, com o ponta concluindo na saída do goleiro.

Diante da situação, o técnico Paul Put não demorou a acionar Naby Keita. O meio-campista entrou em campo pouco depois da virada. E o novo empate de Guiné também não tardou. Aos 21 minutos, a partir de um pênalti assinalado para a equipe, François Kamano diminuiu o prejuízo. A reta final do duelo ainda contou com a pressão dos guineenses, sem que conseguissem retomar a dianteira. Madagascar poderia mesmo comemorar o ponto, muito mais simbólico do que qualquer outra coisa.

Guiné terá uma missão complicada para se reerguer, pegando a Nigéria na próxima rodada. Enquanto isso, Madagascar pode sonhar com mais diante de Burundi, outro novato. A oportunidade está posta. A um time com alguns jogadores semiprofissionais e um treinador que precisa acumular dois empregos no futebol, qualquer bom resultado será bem-vindo. O orgulho dos malgaxes já se elevou com uma estreia tão valente.

Ficha técnica

Madagascar 2×2 Guiné

Local: Estádio de Alexandria
Árbitro: Amin Omar (Egito)
Gols: Sory Kaba, aos 34’/1T; Anicet Andrianantenaina, aos 49’/2T; Carolus Andriamahitsinoro, aos 10’/2T; François Kamano, aos 21’/2T.
Cartões amarelos: Ibrahim Amada, Romain Métanire, Marco Ilaimaharitra (Madagascar)
Cartões vermelhos: Nenhum

Madagascar: Melvin Adrien, Romain Metanire, Pascal Razakanantenaina, Thomas Fontaine, Jérôme Mombris; Anicet Andrianantenaina; Lalaina Nomenjanahary, Marco Ilaimaharitra, Samuel Amada (Rayan Raveleson), Carolus Andrianamatsinoro (Paulin Voavy); Faneva Andriatsima. Técnico: Nicolas Dupuis.

Guiné: Aly Keita, Mikael Dyrestam, Julian Jeanvier, Simon Falette, Issiaga Sylla; Amadou Diawara; Ibrahima Traoré, Ibrahima Cissé, Mohamed Camara (Naby Keita), François Kamano (Fode Koita); Sory Kaba (Mohamed Yattara). Técnico: Paul Put.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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