Copa Africana de Nações

Lateral de Comores diz que se inspirou em personagem de Supercampeões para ser goleiro: “Ele fazia defesas mais bonitas”

Chaker Alhadhur afirmou também que esperava “viver um pesadelo” quando o capitão de Comores foi expulso logo aos cinco minutos

Não é novidade que muitos jogadores profissionais eram ou são fãs do desenho animado Supercampeões, ou Las Aventuras de Oliver y Benji em língua espanhola, e foi justamente em Benji que o lateral esquerdo Chaker Alhadhur se inspirou para ser o goleiro da seleção de Comores na derrota por 2 a 1 para Camarões nas oitavas de final da Copa Africana de Nações, na última segunda-feira.

Com dois goleiros afastados por testes positivos para Covid-19, e o terceiro lesionado, Comores precisou recorrer a Alhadhur, defensor do Ajaccio com 1,72 metros e nenhuma experiência profissional como rebatedor de chutes. Ele não brilhou na sua inesperada nova função, mas o setor defensivo conseguiu frustrar Camarões, e Comores, desfalcado além do gol, deu muito mais trabalho do que se esperava.

“Thomas Price (Benji Price na tradução francesa) faz defesas muito mais bonitas que as minhas, mas era um desenho animado que eu sempre amei quando criança e imediatamente pensei nele como referência”, afirmou o jogador de de 30 anos em entrevista ao jornal Marca.

Alhadhur tinha 28 partidas por Comores, mas não havia disputado um minuto da atual edição da Copa Africana de Nações quando foi convocado para ser o goleiro quebra-galho por causa da sua qualidade com a bola nos pés – o que não deveria ser uma característica em comum entre todos os jogadores de linha?

“Um dia antes do jogo, os treinadores me disseram que haviam me escolhido para ser goleiro se os goleiros habituais continuassem dando positivo (Ali Ahamada chegou a dar negativo, mas o protocolo da CAF impunha um isolamento de cinco dias). A verdade é que nunca havia jogado de goleiro, apenas em casa por diversão, quando era pequeno”, disse.

“O auxiliar técnico me escolheu junto com o preparador de goleiros. Pensaram que eu poderia ser uma espécie de líbero porque tenho boa qualidade técnica com a bola”, acrescentou. “Senti uma enorme pressão antes do jogo”.

A expectativa por uma goleada apenas aumentou depois que o capitão Nadjim Abdou foi expulso, logo aos cinco minutos, e deixou o time que enfrentava o dono da casa com um lateral esquerdo no gol com um jogador a menos durante quase toda a partida. Mas Comores conseguiu se segurar e até fez por merecer o empate.

“Quando o capitão levou cartão vermelho, pensei que viveria um pesadelo, mas, no final, meus companheiros fizeram um grande trabalho obrigando os camponeses a chutar de fora da área. Esse esforço me deu muita confiança e conseguimos fazer uma grande partida”, afirmou o lateral.

Ele conta que o goleiro de Camarões, André Onana, responsável por várias defesas para limpar a barra do seu time, o cumprimentou ao fim da partida. “Recebi muito carinho, mas nada como as felicitações da minha família, meus amigos e dos torcedores camponeses”, completou.

Infelizmente, o que era para ser apenas uma ótima história acabou se tornando também uma tragédia porque pelo menos oito pessoas (número atualizado) morreram em um esmagamento na entrada do estádio Olembé, na capital de Camarões, Yaoundé. Dezenas ficaram feridos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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