Copa Africana de Nações

Gâmbia valoriza ainda mais sua estreia na CAN e elimina Guiné para seguir rumo às quartas de final

Principal jogador de Gâmbia, Musa Barrow anotou o gol da classificação, embora Guiné tenha pressionado bastante no final

O rótulo de estreante não dimensiona totalmente o potencial de Gâmbia nesta Copa Africana de Nações. Os Escorpiões chegaram com sua “geração dourada” e justificaram a presença no torneio desde a primeira fase, com boas partidas e uma campanha superior à da Tunísia em sua chave. O desafio se tornava maior nas oitavas de final, contra Guiné, um adversário acostumado a disputar a CAN. Os gambianos, então, voltaram a apresentar suas qualidades e avançaram às quartas com a vitória por 1 a 0. Grande destaque da equipe, Musa Barrow fez o gol decisivo, embora os minutos finais tenham sido dramáticos, com duas bolas na trave dos guineenses.

Guiné tinha um desfalque sensível, com a ausência de Naby Keita, suspenso. Com isso, Ilaix Moriba e Aguibou Camara se combinavam no meio, protegidos por Amadou Diawara. Mais à frente, José Kanté e Mohamed Bayo formavam uma boa dupla ofensiva. Já Gâmbia contava com seus principais destaques. Musa Barrow vinha centralizado no ataque, com o apoio de Ablie Jallow, de ótimas atuações nesta CAN. Já a liderança na defesa ficava com o zagueiro Omar Colley e o lateral Pa Modou Jagne.

Os dois times ofereciam um início de partida equilibrado, lá e cá, com boas chegadas e escanteios em sequência durante os primeiros minutos. Gâmbia chegou a reclamar de um pênalti sobre Mo Barrow, mas a arbitragem deixou passar. Já aos 13 minutos, os gambianos forçariam a primeira boa defesa do goleiro Aly Keita, quando Musa Barrow chutou para a intervenção do arqueiro de Guiné. Com o passar do tempo, o duelo ficaria um pouco mais lento e disputado no meio. Já na reta final da primeira etapa, Guiné tentou controlar mais a posse em busca de espaços. Não teria muito sucesso, além de uma tentativa ou outra nas bolas paradas, geralmente travadas.

O segundo tempo recomeçou aberto, com Guiné tomando a iniciativa, mas Gâmbia se defendendo bem e buscando os contragolpes. E num duelo que parecia não ter dono, o talento de Musa Barrow pesou para botar Gâmbia em vantagem aos 26 minutos. Depois de um passe em diagonal de Yusupha Bobb, o atacante escapou do primeiro marcador logo no domínio e tocou na saída do goleiro Aly Keita. O descuido dos guineenses com o principal jogador gambiano custava caro.

A reta final do jogo seria disputada no campo de ataque de Guiné. E os Syli Nacionais teriam a oportunidade de sair com o empate. Aos 33 minutos, Ibrahima Conté marcou e a arbitragem anulou o gol por impedimento. Depois, seria a vez de Moriba desperdiçar boa chance. Gâmbia ainda levava algum perigo nos contra-ataques, mas a situação ficou delicada aos 42, quando Yusupha Njie foi expulso com o segundo amarelo – em decisão rigorosa do árbitro, que fez o atacante deixar o campo às lágrimas.

Diante da vantagem numérica, os guineenses foram com tudo para cima no fim. Mandaram duas bolas seguidas na trave, aos 47. Primeiro Ibrahima Conté chutou com pouco ângulo e acertou o poste. Na sobra, José Kanté encheu o pé e o goleiro Boubacarr Gaye desviou rumo ao travessão. A sobra ainda ficou viva com Morgan Guilavogui, que acabaria travado pela marcação. Além do balde de água fria pelas chances perdidas, Guiné também teve Ibrahima Conté expulso com o segundo amarelo. Assim, as esperanças foram para o ralo e os gambianos puderam festejar uma grande vitória – a maior de sua história.

Gâmbia aguarda o vencedor de Camarões x Comores nas quartas de final. Será um grande desafio para os estreantes se os camaroneses passarem, mas o bom futebol permite aos Escorpiões sonharem. Já Guiné não quebra uma escrita incômoda: a equipe nunca venceu um jogo de mata-mata pela CAN. Neste século, esta é a sexta queda logo na primeira fase eliminatória. A melhor campanha permanece sendo o vice de 1976, quando os times disputaram um quadrangular final e os guineenses ficaram atrás de Marrocos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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