Copa Africana de Nações

Depois de 120 minutos tediosos, Guiné Equatorial se deu melhor numa disputa por pênaltis emocionante e eliminou Mali

O jogo em si não teve quase nada que mereça menção, mas os pênaltis guardaram suas reviravoltas e exibiram a estrela do goleiro Jesús Owono, de 20 anos

A Copa Africana de Nações começou morna, mas ganhou emoção no fechamento da fase de grupos e contou com algumas partidas dramáticas nas oitavas de final. Não foi, definitivamente, o caso de Mali x Guiné Equatorial, no duelo que definiu o último classificado às quartas. As duas equipes fizeram 120 minutos de um futebol fraquíssimo em Limbé, de míseras duas finalizações no alvo (uma para cada lado) e 42 faltas no total. Depois de um 0 a 0 bem redondo que fez os espectadores lidarem com o tédio, apesar de certa superioridade de Mali, a determinação do vencedor ficou para os pênaltis. Melhor para Guiné Equatorial, que contou com a estrela do jovem goleiro Jesús Owono, de apenas 20 anos. Numa disputa com reviravoltas e 16 cobranças, o goleiro dos Relâmpagos Nacionais pegou dois chutes e garantiu a vitória por 6 a 5. Nas quartas, Senegal será o oponente.

Guiné Equatorial tentou impor uma pressão inicial, mas Mali logo conteve os adversários e passaria a controlar a partida. As Águias rondavam a área, sem criar oportunidades. Quando Ibrahima Koné teve espaço para o chute, aos oito, mandou para fora. No geral, os defensores travavam as investidas e o duelo culminava em muitas faltas na intermediária. O marasmo prevaleceu até um mínimo de emoção aos 26, quando Guiné Equatorial teve uma chance na bola parada e Dorian Hanza cabeceou para fora. Os malineses depois teriam uma brecha em outra cobrança de falta levantada na área, mas Amadou Haidara furou o chute na altura do pênalti.

O clímax do primeiro tempo viria aos 40 minutos, quando a arbitragem marcou um pênalti para Mali. Porém, Moussa Doumbia já vinha se desequilibrando e o esbarrão no quadril de Josete Miranda não parecia suficiente para a penalidade. Depois de rever o lance no VAR, o árbitro mudou de ideia e cancelou a infração. De qualquer maneira, era uma partida muito fraca, que terminou com somente quatro finalizações durante os 45 minutos iniciais, duas para cada lado. Em compensação, foram 21 faltas no total.

Mali tentou ser um pouco mais agressiva no segundo tempo, com mais finalizações, mas sem inspiração. E isso ficou claro aos 13 minutos, quando Yves Bissouma fez a jogada pela direita e só rolou para Mohamed Camara bater de frente para o gol, mas o volante isolou. Guiné Equatorial era inócua do outro lado e basicamente arriscava através de cobranças de falta. Até por isso a vagarosidade dos malineses parecia custosa. Aos 26, houve novo lance de perigo num chute desviado para fora de Moussa Djenepo. No mesmo momento, um toque de braço parecia conceder um pênalti para as Águias, mas o VAR sequer chamou a revisão.

Os malineses até tentaram dar um gás para evitar a prorrogação. Faltava precisão na conclusão das jogadas. E teriam que lidar com o sufoco proporcionado por Guiné Equatorial, que só acordou nos últimos minutos e teve um par de chegadas em velocidade, também sem as melhores conclusões. Os 30 minutos adicionais seriam inescapáveis. Aos cinco minutos do primeiro tempo, Basilio Ndong finalmente deu o primeiro chute no alvo para os equato-guineenses, mas o goleiro Ibrahim Mounkoro rebateu para fora. Os Relâmpagos Nacionais pareciam mais confiantes para surpreender. Já no segundo tempo extra, algumas investidas pelas laterais sem muito sucesso foram o máximo de drama. Naturalmente a definição ficou para os pênaltis.

Capitão de Guiné Equatorial, Emilio Nsue mandou por cima do travessão logo a primeira cobrança. Adama Traoré colocou Mali em vantagem. Rúben Belima e Moussa Djenepo converteram na sequência. Já na terceira série, enquanto Carlos Akapo bateu de cavadinha para fazer, o goleiro Jesús Owono parou o tiro de Massadio Haidara e deixou tudo igual. Jannick Buyla fez para os equato-guineenses na sequência e o capitão Hamari Traoré isolou. Assim, Pablo Ganet só precisava converter para classificar os Relâmpagos Nacionais, mas o goleiro Mounkoro também apareceu e defendeu o chute. Por fim, as Águias forçaram as alternadas com El Bilal Touré. Saúl Coco e Aliou Dieng fizeram na sexta série, assim como Iban Salvador e Mohamed Camara na sétima. A definição ficaria na oitava: Santiago Eneme marcou para Guiné Equatorial e Jesús Owono defendeu a batida de Falaye Sacko.

Mali chegou na Copa Africana com um bom elenco e podendo pintar como uma candidata fora do óbvio. Até fez uma fase de grupos satisfatória, com a liderança de seu grupo, mas no geral não apresentou um futebol tão convincente e a eliminação representa isso. Já Guiné Equatorial mantém seu sonho, na primeira vez em que o país disputa a CAN fora de seu território. O desempenho na fase de grupos surpreendeu, especialmente pela vitória sobre a Argélia, e a vaga nas quartas veio graças à estrela de Owono. Pode dar trabalho ao favorito Senegal, embora precise jogar mais do que nesta quarta.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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