Copa Africana de Nações

Burkina Faso é mais eficiente, elimina a Tunísia e bate cartão em mais uma semifinal da CAN

Burkina Faso contou de novo com um contra-ataque mortal e vai para sua terceira semifinal nas últimas cinco edições de CAN

Burkina Faso não tem a camisa mais pesada entre as seleções da África, mas costuma fazer bons papéis na Copa Africana de Nações e disputará mais uma semifinal em 2022 – a terceira nas últimas cinco edições. Os Garanhões superaram o importante desfalque de Bertrand Traoré, fizeram um jogo mais eficiente e eliminaram a Tunísia. Nos acréscimos do primeiro tempo, um contra-ataque perfeito garantiu o triunfo por 1 a 0, gol de Dango Ouattara. Já no segundo tempo, os burquinenses resistiram na defesa e nem mesmo a expulsão do próprio Ouattara no final atrapalhou a festa do time, que se entregou demais na marcação para conter o abafa tunisiano. O adversário na próxima fase sairá do confronto entre Senegal e Guiné Equatorial.

Com a volta dos jogadores afastados por COVID-19, a Tunísia tentou impor uma pressão inicial sobre Burkina Faso. Não tinha muita posse de bola, mas acelerava a partir das recuperações. Uma das boas chegadas da equipe viria aos seis minutos, com Youssef Msakni, que carimbou o goleiro Hervé Koffi dentro da área antes que a falta fosse marcada. Burkina Faso responderia especialmente em avanços pelas pontas, sem que os seus cruzamentos tivessem sequência. Ainda levou um tempo para os times pegarem no tranco e criarem boas oportunidades.

Aos 24, Burkina Faso teve um excelente lance de Cyrille Bayala pela linha de fundo. Após passar pela marcação, o meia tentou o chute mesmo com pouco ângulo, mas o goleiro Bechir Ben Said defendeu com a perna. A resposta da Tunísia veio numa falta cobrada de longe, em que Wahbi Khazri encheu o pé e exigiu uma defesa difícil de Koffi. Na reta final do primeiro tempo, as Águias de Cartago tinham mais a bola, sem uma superioridade clara. Foi num escanteio para os tunisianos que surgiu o gol burquinense, num contragolpe nos acréscimos. Numa jogada rápida muito bem construída, Ibrahim Touré deu o passe em profundidade para Dango Ouattara. O atacante era acompanhado por dois marcadores, mas se livrou no corte e bateu no contrapé de Ben Said.

O jogo ficava condicionado para o segundo tempo e a Tunísia voltava com o experiente Ali Maaloul na lateral. A postura das Águias de Cartago era mais ofensiva, o que também concedia espaços aos contra-ataques. Burkina Faso gostava da situação e quase ampliou aos seis minutos. Adama Guira arrancou pela direita e invadiu a área, mas seu chute forte veio em cima do goleiro Ben Said, que rebateu. Quando os tunisianos poderiam ter respondido, num passe redondo para Khazri, o atacante pegou torto na bola e desperdiçou um ótimo lance sozinho na pequena área.

A pressão da Tunísia se tornava maior, especialmente a partir de uma sequência de escanteios aos 15 minutos. A defesa de Burkina Faso precisou se desdobrar para bloquear. Mas não que os Garanhões deixassem de investir no ataque, com a defesa das Águias de Cartago também afastando o perigo no limite. Ben Said fez um corte na entrada da área, pouco antes de um carrinho providencial de Bilel Ifa para evitar uma finalização fatal. No entanto, os tunisianos eram mesmo mais presentes no ataque e, aos 23, uma falta cobrada por Maaloul seria socada por Koffi para fora.

A Tunísia teria uma revisão de pênalti aos 32 minutos, até desnecessária, num lance em que Soumaila Ouattara rasgou a bola e o choque com Khazri foi casual. Só que o VAR também beneficiou os tunisianos aos 37 minutos. Numa disputa pelo alto, Dango Ouattara acertou uma cotovelada em Maaloul. Após o amarelo inicial, o árbitro mudou de ideia e mostrou o vermelho. Com um homem a mais, as Águias de Cartago tinham tempo para a reviravolta. Só que o time não ia além de bolas espetadas, sem resultado diante da sólida linha defensiva dos Garanhões. Os burquinenses rifaram as ameaças e administraram o tempo, até a celebração com o apito final. O detalhe fica ainda para os quatro minutos de acréscimos, pouco para as duas revisões de VAR, com o árbitro ainda encerrando a partida a 20 segundos do fim do tempo adicional.

A Tunísia encerra sua campanha de maneira morna. A equipe foi prejudicada pela COVID-19 e fez uma fase de grupos ruim, antes da surpreendente classificação contra a favorita Nigéria. Porém, o nível apresentado neste sábado ficou aquém das possibilidades. Já Burkina Faso não é o time mais regular da competição, mas tem seus predicados e sabe aproveitá-los, especialmente nas jogadas em velocidade. Isso fez a diferença nas quartas de final. Os Garanhões vão para a quarta semifinal de CAN em sua história, a terceira desde 2013. O desempenho recente é excelente, até pela dimensão da seleção no cenário continental.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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