Copa Africana de Nações

Boletim da CAN 2022, Grupo C: Comores provoca uma zebraça e elimina Gana; Marrocos e Gabão avançam

Gana encerra a CAN com sua pior campanha na história do torneio e Comores ainda sonha na terceira posição; Marrocos fica na liderança, depois do emocionante empate contra Gabão

A fase de grupos da Copa Africana de Nações vem sendo econômica em gols. A rodada final do Grupo C, no entanto, esbanjou em tentos e emoção. Garantiu, inclusive, uma das maiores zebras recentes da competição. Gana vem em declínio, o que não diminui a surpresa de Comores, estreante nesta edição. Os Celacantos conquistaram sua primeira vitória na história da CAN, que de quebra eliminou os Estrelas Negras e os relegou à lanterna. Triunfo por 3 a 2 dos comorenses – que abriram dois gols de vantagem, cederam o empate mesmo com um jogador a mais e buscaram o resultado no apagar das luzes.

Gana, com um ponto, registra sua pior campanha em 24 participações na CAN. É a primeira vez que os Estrelas Negras não vencem um jogo sequer. Já Comores, com três pontos, ainda tem chances de avançar entre os melhores terceiros colocados – o que parece difícil. Marrocos e Gabão, que se enfrentaram no outro jogo da rodada, se classificaram. E o duelo também seria eletrizante, com os gaboneses tentando roubar a liderança. No fim, os marroquinos precisaram reagir duas vezes e ficaram com o empate por 2 a 2. Os Leões do Atlas passam em primeiro, com as Panteras na segunda posição.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

Comores 3×2 Gana

Gana vinha pressionada na Copa Africana, depois de perder para Marrocos e de ceder o empate contra Gabão no final. E os temores dos Estrelas Negras se tornaram enormes logo aos quatro minutos, quando um contra-ataque rápido rendeu o gol de Comores. O artilheiro El Fardou Ben recebeu na entrada da área, limpou o chute e mandou o tiro certeiro no canto inferior. Gana tentou a resposta na sequência e era bem mais direta. Parou nas defesas do goleiro Salim Ben Boina, destaque comorense nesta CAN.

Aos 21 minutos, a situação de Gana se tornaria mais difícil. Ben Boina rebateu um chute e André Ayew chegou com tudo no rebote. O capitão ganês deu uma solada no braço do goleiro e, depois da revisão, recebeu o vermelho direto. Ben Boina ainda precisou ser substituído por conta da lesão, dando lugar a Ali Ahamada. Comores até cresceu neste momento e buscou o segundo gol, mas os Estrelas Negras recuperaram o controle na reta final antes do intervalo, mas sem empatar.

O início do segundo tempo ainda tinha Gana em busca de uma resposta, mas a pancada se tornou maior quando Comores fez o segundo aos 16. Numa sequência de bolas cruzadas, Ahmed Mogni ficou com a bola e girou na entrada da área, antes de limpar a marcação e mandar rasteiro para o barbante. Belo gol. Os ganeses pelo menos diminuíram a diferença três minutos depois, num escanteio que o substituto Richmond Boakye completou às redes meio sem querer.

Gana não desistiu da classificação e, mesmo com um a menos, seguiu lutando. As bolas paradas concediam as melhores chances da equipe e o empate surgiu assim, aos 32. Depois de um escanteio desviado por Thomas Partey no primeiro pau, Alexander Djiku definiu na pequena área. Só que o desespero dos ganeses também deixava a defesa exposta. Comores selou sua vitória aos 40. Benjaloud Youssouf escapou sozinho na direita e fez o cruzamento rasteiro para Ahmed Mogni se firmar como herói dos Celacantos. A classificação parece difícil, já com dois terceiros colocados à frente, mas é possível sonhar.

Marrocos 2×2 Gabão

Gabão vinha de uma semana turbulenta, com os cortes de Mario Lemina e Pierre-Emerick Aubameyang por lesões cardíacas, apesar das acusações de indisciplina. Mesmo sem os principais jogadores, as Panteras se apresentaram bem no início da CAN. E isso se notaria também contra Marrocos, que, com a classificação antecipada, poupou vários titulares. Num jogo mais travado, o domínio inicial dos marroquinos não significou muito e os gaboneses abriram o placar aos 21. Numa reposição de bola do goleiro Jean Noel Amonome, o zagueiro Soufiane Chakla escorregou e Jim Allevinah surgiu sozinho para definir.

Marrocos não daria muitos sinais de reação na sequência do primeiro tempo, que ainda viu o Gabão exigir duas boas defesas do goleiro Monir El Kajoui. Já a segunda etapa guardaria bem mais emoção. Os marroquinos iam para cima, mas Gabão ainda respondia e Allevinah carimbou o travessão numa batida lindíssima. Já aos 15 minutos, um gol dos Leões do Atlas anotado graças a um chutão de Nayef Aguerd do campo de defesa seria anulado. O goleiro Amonome saiu bizarramente do gol e foi traído pelo quique da bola, mas realmente acabou atrapalhado pelo impedido Youssef En-Nesyri na disputa.

O empate de Marrocos surgiu apenas aos 29 minutos, quando Sofiane Boufal saiu do banco para tentar ajudar. O ponta sofreu pênalti, numa marcação contestável validada pelo VAR – desta vez comandado por Janny Sikazwe, aquele mesmo do Mali x Tunísia que não terminou, de volta à ativa depois de sua alegada “insolação”. Boufal assumiu a cobrança e converteu. As Panteras retomaram a vantagem aos 36, num contra-ataque que Allevinah ajeitou na linha de fundo e, na dividida com Aaron Boupendza, Aguerd desviou contra a própria meta. Só que os Leões do Atlas não desistiram do resultado. O empate e a liderança vieram aos 39, numa falta cobrada por Achraf Hakimi direto para as redes.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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