Copa Africana de Nações

Boletim da CAN 2022: Costa do Marfim ganha com golaço, Gâmbia vence a primeira de sua história e o escândalo de Mali 1×0 Tunísia

Dia acaba manchado pela arbitragem suspeita de Mali x Tunísia, mas Costa do Marfim e Gâmbia começaram bem

A primeira rodada da Copa Africana de Nações de 2022 se encerrou com uma grande controvérsia. Mali venceu a Tunísia por 1 a 0, mas o jogo não terminou de fato. O árbitro Janny Sikazwe apitou o fim da partida aos 40 do segundo tempo, voltou atrás depois das reclamações, mas ainda assim terminou o duelo antes dos 45 – quando a realidade demandava longos acréscimos. A organização do campeonato ainda pediu para os times voltarem ao gramado quando já estavam no vestiário, mas os tunisianos não quiseram e vão pedir a anulação do resultado. No outro jogo do Grupo F, Gâmbia disputou o primeiro encontro de sua história na CAN e venceu, 1 a 0 sobre a Mauritânia com um golaço. Também teve pintura no Grupo E, com a liderança da Costa do Marfim, ao cumprir seu favoritismo contra Guiné Equatorial. Os Elefantes registraram mais um 1 a 0, o nono em 12 partidas realizadas neste início de competição.

Costa do Marfim 1×0 Guiné Equatorial

A Costa do Marfim não vive um momento tão reluzente quanto em meados desse século e sequer tem mais chances de se classificar à Copa do Mundo de 2022. Ainda assim, o elenco tem bons nomes e abriu seu caminho na Copa Africana com vitória. Os Elefantes cumpriram seu favoritismo diante de Guiné Equatorial e selaram a vitória por 1 a 0, graças a um gol marcado logo de início. A equipe assume a liderança do Grupo E, com três pontos, depois que Serra Leoa segurou um surpreendente empate contra a Argélia nesta terça-feira.

O gol de Costa do Marfim saiu aos cinco minutos. A partir de uma bola roubada no campo de ataque, os Elefantes armaram o contragolpe. Guiné Equatorial até cortou o passe, mas a bola ficou viva na entrada da área e Max Gradel emendou um balaço de primeira. Pegou na veia, de trivela: a bola entrou direto no ângulo, indefensável. Na sequência do primeiro tempo, os marfinenses administraram mais o resultado, apenas com uma cabeçada de Ibrahima Sangaré para fora. Os equato-guineenses até rondaram mais o empate, com a aposta nas bolas paradas e nos passes em profundidade. A equipe reclamaria de um pênalti não marcado por toque de mão, enquanto o capitão Emilio Nsue perdeu um lance cara a cara com o goleiro, embora estivesse impedido.

O começo do segundo tempo continuou perigoso para a Costa do Marfim. O zagueiro marfinense Simon Deli evitou o empate com um corte providencial na pequena área, antes que Iban Salvador isolasse a sobra para Guiné Equatorial. Na sequência, o goleiro Badra Ali Sangaré também cresceu de novo diante de Emilio Nsue. Os marfinenses acordaram e o duelo ficou mais aberto, com uma trocação entre os times. Nicolas Pépé chegou a exigir uma boa defesa do goleiro Manuel Sapunga Mbara. Porém, no geral a pontaria não estava em dia e o empate prevaleceu.

Mali 1×0 Tunísia

Um dos jogos mais importantes da primeira rodada envolvia os dois favoritos à liderança do Grupo F. Mali deu um grande passo com a vitória por 1 a 0 sobre a Tunísia, mas a suspeita sobre a idoneidade do resultado é grande. O árbitro Janny Sikazwe, de longa ficha corrida em episódios fraudulentos, tomou uma série de decisões absurdas no fim da partida. Primeiro, encerrou o confronto aos 40 minutos do segundo tempo, o que gerou a revolta dos jogadores e a retomada. Depois, expulsou de forma bastante contestável o malinês El Bilal Touré, mesmo ao revisar o lance do monitor. E logo na sequência apitaria o fim do embate de novo, a segundos dos 45 minutos, quando as paralisações deveriam render longos acréscimos. Os times foram para os vestiários e, 20 minutos depois, acabaram chamados para voltar. Só Mali esteve no gramado e teve o triunfo decretado pelo quarto árbitro, que assumiria o apito. A Tunísia promete solicitar a realização do jogo desde o início, com razão.

Ficando só na bola e no campo, Mali teve seus méritos na vitória. O primeiro tempo não garantiu tantas emoções, mas os malineses eram melhores. Conseguiram o gol aos três minutos do segundo tempo, num pênalti bem marcado por toque no braço, que o artilheiro Ibrahima Koné converteu. A Tunísia aumentou a pressão diante da necessidade e passou a arriscar mais chutes de longe, mas parou em boas defesas do goleiro Ibrahim Mounkoro. E o arqueiro brilhou de vez aos 30. Os tunisianos ganharam um pênalti, após mais um toque de mão. Wahbi Khazri cobrou e Mounkoro fez uma grande intervenção. A Tunísia seguiu em cima na reta final, sem sucesso, antes que Janny Sikazwe desse seu show e Mali ainda perdesse El Bilal Touré expulso.

Gâmbia 1×0 Mauritânia

Gâmbia é uma das seleções estreantes da Copa Africana de Nações, ao lado de Comores. E os Escorpiões começaram sua história na competição com o pé direito, ao vencerem a Mauritânia por 1 a 0. Os dois times correm por fora na luta pela classificação no Grupo F, considerando o favoritismo de Mali e Tunísia. No entanto, com o regulamento que classifica os melhores terceiros colocados, os três pontos iniciais podem até colocar os gambianos nos mata-matas.

Gâmbia precisou de dez minutos para abrir o placar. Musa Barrow preparou o lance pela esquerda, mas os méritos foram todos de Ablie Jallow. O atacante do Seraing dominou e disparou rápido o chute de canhota, de fora da área. A bola ganhou altura e caiu rapidamente, no canto, sem chances para o goleiro Babacar Diop – que estava mal posicionado. A Mauritânia pressionou pelo empate desde o primeiro tempo. Foram dez finalizações até o intervalo, sem muita direção na maioria delas. Os gambianos pareciam dispostos a resolver o jogo na volta para o segundo tempo. Criaram boas chances, numa cabeçada de Omar Colley para fora e num chute que Ebrima Colley isolou. Já na reta final do duelo, a Mauritânia voltou a pressionar. A falta de pontaria, contudo, persistiu. Nos acréscimos, quase deu tempo para Musa Barrow fazer o segundo num chute de longe, mas Babacar Diop espalmou no canto.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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