Copa Africana de Nações

Apesar do susto causado por Guiné Equatorial, Senegal cumpriu o favoritismo e avançou à semifinal

Senegal foi superior ao longo da partida, embora Guiné Equatorial tenha lutado e até causado problemas com o empate no segundo tempo

Passo a passo, Senegal se aproxima outra vez da chance de conquistar o inédito título da Copa Africana de Nações. O futebol apresentado pelos Leões da Teranga de fato não encanta, mas o time também ganha consistência na competição e alcança a semifinal, na qual enfrentará Burkina Faso. Neste domingo, os senegaleses cumpriram o favoritismo contra Guiné Equatorial com a vitória por 3 a 1. Durante o primeiro tempo, a superioridade do time de Aliou Cissé ficou clara e a vantagem poderia ser maior do que apenas um gol. Os equato-guineenses tentaram aprontar na volta para o segundo tempo e empataram com um belo tento, mas a capacidade do elenco de Senegal preponderou, com os reservas saindo bem do banco. O time retomou a diferença punindo um erro dos adversários e fechou a conta num ataque rápido. Segue como um candidato forte à taça, mesmo sem dar show.

Senegal vinha com força máxima, incluindo a presença de Sadio Mané, dúvida após sofrer um choque de cabeça contra Cabo Verde. Também seguiam no time as referências dos outros setores – Édouard Mendy, Kalidou Koulibaly e Idrissa Gana Gueye. Já Guiné Equatorial tinha a volta do capitão Emilio Nsue no comando de ataque, após começar no banco contra Mali. Jesús Owono, Saúl Coco, Carlos Akapo e Iban Salvador eram outras peças importantes desta campanha confirmadas no 11 inicial.

Para quem esperava uma retranca de Guiné Equatorial, a equipe tentou equilibrar um pouco mais as ações durante os primeiros minutos e teve a bola. Não faria muito, mas gerou certo incômodo até que Senegal começasse a impor seu domínio. A primeira chance dos Leões da Teranga veio numa falta frontal, aos 13, que Idrissa Gana Gueye mandou ao lado da trave. As combinações entre Sadio Mané e Famara Diedhiou rendiam algumas das melhores chances da equipe. Diedhiou também deu um aviso aos 20, num lançamento longo em que ele até conseguiu domar na área, mas o chute fraco facilitou para o goleiro Jesús Owono.

Aos 27 minutos, Senegal abriu o caminho com o primeiro gol. Mais uma vez, Mané e Diedhiou se entenderam bem. O camisa 10 deu uma linda enfiada, que contou com a leitura do centroavante no espaço vazio. Só com Owono à sua frente, Diedhiou não perdoou. O tento aliviou um pouco do peso sobre os senegaleses e permitiu que a superioridade da equipe se tornasse ainda mais clara na reta final da primeira etapa. As chances se repetiam, com boa participação de Saliou Ciss na lateral esquerda. O volume de jogo dos Leões da Teranga era grande, mesmo sem tantos arremates. Quando Nampalys Mendy bateu de longe, Owono pegou.

Senegal voltou para o segundo tempo no ataque, mas passou um aperto aos cinco minutos. Num cruzamento de Iban Salvador, a bola bateu na mão de Kalidou Koulibaly e o árbitro anotou o pênalti. A marcação parecia correta, até o juiz mudar de opinião ao rever no monitor, aparentemente avaliando o braço junto ao corpo. Obviamente, Guiné Equatorial reclamou bastante. O gol não abalou os Relâmpagos Nacionais, que fariam uma grande jogada para empatar aos 12. Basilio Ndong abriu a marcação na arrancada em diagonal, até tocar para Pablo Ganet, que fez o pivô e tocou rápido. Jannick Buyla recebeu com espaço na área e definiu com enorme categoria, de trivela, tirando do alcance de Édouard Mendy.

A resposta de Senegal veio com a entrada de Ismaïla Sarr, que se recuperou de lesão e fez sua estreia na CAN. Só que o momento era de Guiné Equatorial, que seguia mais direta no ataque e quase virou aos 15. Carlos Akapo fez o cruzamento rasante e Emilio Nsue ficou a centímetros de completar. O duelo permanecia indefinido, até que os senegaleses recobrassem os sentidos e voltassem ao ataque. As bolas paradas concediam as melhores chances e a entrada de Cheikhou Kouyaté se provou essencial. O meio-campista era um perigo no jogo aéreo e marcou o segundo aos 23. Após um escanteio, a sobra voltou a ser espetada na área. A defesa equato-guineense bateu cabeça na hora do corte, com Akapo e Coco se chocando no alto, e o taco espirrou para trás. Kouyaté apareceu sozinho e desviou antes que Owono reagisse.

O gol afetou o ânimo de Guiné Equatorial, que parecia também sentir o cansaço depois de uma prorrogação. O time não conseguia responder e Senegal defendia com segurança. Isso até que um ataque rápido encaminhasse de vez a classificação senegalesa aos 34. Num lançamento longo magistral de Koulibaly, Ciss matou no peito e acelerou pela esquerda. Dentro da área, o lateral rolou para trás e Sarr surgiu livre para definir à meta aberta. O desgaste provocou uma série de trocas em Guiné Equatorial, incluindo Nsue e Iban Salvador. O time permaneceu no ataque e teve alguns bons lances com os substitutos, especialmente num tiro de Pedro Oba para defesa difícil de Édouard Mendy, mas o placar seguiu inalterado até o fim.

Guiné Equatorial encerra sua campanha na Copa Africana com um desempenho excelente para suas limitações. Não repete a semifinal de 2015, quando o país era anfitrião, mas o fato de jogar tão bem na primeira aparição numa edição do torneio fora de seu território vale muito. Teve o gosto de despachar Argélia e Mali, num trabalho ótimo do técnico Juan Micha com um elenco basicamente limitado a atletas das divisões de acesso da Espanha. Já Senegal, se ainda teve sua dose de risco, garantiu uma classificação incontestável. Foi o melhor time e superou os problemas. O sonho do título continental inédito permanece vivo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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