Copa Africana de Nações

30 grandes jogadores do passado que construíram a grandeza do Egito na Copa Africana de Nações

Antes da final da Copa Africana de Nações, listamos nomes importantes nas conquistas e também em outras campanhas do heptacampeão Egito

O Egito é o maior campeão da Copa Africana de Nações e possui uma história única no torneio. A importância dos Faraós atravessa décadas e constitui diferentes momentos de brilho. A equipe dominou as duas primeiras edições do torneio, antes de conviver com uma incômoda seca de 27 anos. A reconquista em 1986 premiou alguns dos melhores jogadores da história do país, que empilhavam a Champions Africana por Al Ahly e Zamalek. O título de 1998 serviu como brilho a parte dos protagonistas da Copa de 1990. Por fim, o tricampeonato de 2006 a 2010 consagrou aquela que merece ser vista como a equipe mais dominante da história da CAN. Neste domingo, os egípcios tentarão bordar a oitava estrela no peito. Aproveitamos a ocasião para relembrar os nomes que permitiram toda a grandeza dos Faraós na competição continental.

Ad-Diba

O primeiro herói da história da Copa Africana de Nações é o atacante Mohamed Diab Al-Attar, conhecido como Ad-Diba. O artilheiro marcou cinco gols na edição inaugural do torneio e levou o Egito ao título. O matador fez o gol da vitória nos 2 a 1 sobre o Sudão na semifinal. Nada comparado com os quatro tentos nos 4 a 0 sobre a Etiópia na decisão. Pela seleção, disputou ainda as Olimpíadas em 1948 e 1952. Já por clubes, fez história com o Al Ittihad de Alexandria, sua cidade natal. Depois de se aposentar, Ad-Diba foi técnico, jornalista e até árbitro – tão bom que apitou a decisão da CAN 1968.

Mahmoud El-Gohary

Mahmoud El Gohary defendeu a seleção do Egito num intervalo de apenas seis anos. O atacante do Al Ahly teve uma carreira curta, atrapalhada por uma lesão no joelho que o levou à aposentadoria com apenas 23 anos. O lado bom é que o prodígio teve seu impacto de forma precoce. Em 1959, seria uma figura essencial na conquista da Copa Africana de Nações, ao decidir a semifinal contra a Etiópia com uma tripleta. Depois de se retirar dos gramados, El Gohary virou um dos maiores treinadores da história da África. Pelo próprio Al Ahly, conquistou o primeiro troféu da Champions Africana em 1982. Depois, pelo Egito, levou o país à Copa de 1990 após uma ausência de 56 anos e seria campeão da Copa Africana novamente em 1998 – tornando-se o primeiro a faturá-la como jogador e técnico, feito depois só repetido pelo nigeriano Stephen Keshi.

Rifaat El-Fanagily

Jogando em diferentes posições, mas principalmente como volante ou zagueiro, Rifaat El-Fanagily liderou o Al Ahly por 17 anos e está na lista de grandes lendas do clube. A passagem pela seleção durou nove anos, de 1957 a 1966, mas aconteceu no momento certo para compor o time titular no bicampeonato da CAN em 1957 e 1959. O defensor ainda integrou os Faraós nas Olimpíadas de 1960 e 1964, com a caminhada até as semifinais em Tóquio – quando marcou três gols. Considerado um jogador completo e à frente de seu tempo, era apelidado de O Engenheiro por sua inteligência e senso tático. Primava também pela capacidade nos passes. Eleito o melhor jogador em atividade no Egito de maneira consecutiva entre 1960 e 1962, recusaria propostas da Itália para seguir no Al Ahly, onde se aposentou em 1970.

Salah Selim

Saleh Selim era conhecido por sua qualidade no meio-campo, que rendeu o apelido de “Maestro”. O armador era uma das principais figuras no título da CAN 1959 e ainda participou da edição de 1962, marcando o gol da vitória na semifinal contra Uganda. Disputou também os Jogos Olímpicos de 1960. Com o Al Ahly, Selim teve papel fundamental ao estabelecer a dominância do clube no Campeonato Egípcio nos anos 1950 e usou a braçadeira de capitão. Durante os anos 1960, também teve uma curta passagem pelo Grazer, da Áustria, tornando-se um dos primeiros egípcios a defenderem um clube europeu. Ainda voltaria ao Al Ahly em 1980 como presidente, liderando os Diabos Vermelhos em suas três primeiras conquistas na Champions Africana.

Hassan El-Shazly

Hassan El-Shazly é provavelmente o maior jogador do Egito na história da Copa Africana que nunca levou o título. O atacante defendeu os Faraós de 1961 a 1974, atrapalhado também pelas desistências da equipe em meio a imbróglios diplomáticos. Famoso por seus chutes com os dois pés, ficaria com o bronze em três edições da CAN. Seu melhor desempenho veio em 1963, quando foi artilheiro e acabou eleito como melhor jogador da competição. Também seria vice-artilheiro em 1970, antes da aparição final em 1974. Autor de 42 gols em 62 partidas pela seleção, ainda hoje é o terceiro maior artilheiro, atrás de Hossam Hassan e Mohamed Salah. Só pela CAN, com 12 gols, fica à frente de qualquer outro. O único clube de sua carreira foi o Tersana, pelo qual foi artilheiro do Campeonato Egípcio em quatro ocasiões. Permanece como maior goleador da história da liga, mesmo 44 anos depois de sua aposentadoria.

Hassan Shehata

Hassan Shehata é sinônimo da Copa Africana de Nações como treinador, ao dirigir os Faraós no tricampeonato continental de 2006 a 2010. Bem antes disso, ele também foi um excepcional meia-atacante. Ídolo do Zamalek, Shehata emplacou como artilheiro do Campeonato Egípcio em duas ocasiões. Já pela seleção, disputou três edições da CAN – em 1974, 1976 e 1980. O bigodudo marcou gols sempre que esteve no torneio e seria escolhido para o time ideal de 1974, quando alcançou as semifinais. Contudo, sua despedida aconteceu antes que pudesse levar o troféu.

Farouk Gaafar

Farouk Gaafar era um dos meio-campistas mais técnicos do futebol africano na virada dos anos 1970 para os 1980. A seleção egípcia desfrutou de sua importância, não necessariamente com o troféu da Copa Africana. O armador defendeu os Faraós de 1971 a 1981. Nas duas vezes em que jogou a CAN, em 1974 e 1976, seria escolhido entre os melhores da competição. E se não deu para chegar ao topo do continente com a equipe nacional, ele conseguiu com seu clube. É uma figura histórica do Zamalek e, já veterano, participou dos dois primeiros títulos na Champions Africana, em 1984 e 1986.

Mahmoud El Khatib

Mahmoud El Khatib costuma ser colocado pelo menos entre os cinco maiores jogadores da história do Egito. Bibo, como era apelidado, foi o esportista mais popular do país entre as décadas de 1970 e 1980, assim como ganhou uma aclamação internacional por sua habilidade com a bola e pelos muitos gols. O atacante tem uma trajetória lendária no Al Ahly só comparada à de Mohamed Aboutrika. Foram dez títulos do Campeonato Egípcio, além de dois da Champions Africana e três da Recopa Africana. Não à toa virou presidente dos Diabos Vermelhos, e é um dos responsáveis pelos sucessos recentes desde 2017. Pela seleção, Bibo atuou de 1974 a 1986. Disputou cinco edições da Copa Africana neste intervalo, sempre como protagonista. Em sua última participação, o veterano ajudou na conquista de 1986, que encerrou um jejum de 27 anos da seleção. O camisa 10 ainda foi eleito para a seleção ideal da CAN 1980, além de receber o prêmio de melhor jogador do continente em 1983. Em 2007, só ficou atrás de Roger Milla na eleição dos melhores da história da CAF nos últimos 50 anos.

Ibrahim Youssef

Ibrahim Youssef é um personagem importante do Egito na década de 1980, embora tenha se ausentado na conquista da Copa Africana de 1986. O líbero foi um dos defensores mais importantes da África no período e defendeu os Faraós de 1976 a 1987. Esteve presente na CAN em 1976 e 1984, eleito o melhor de sua posição nesta segunda aparição. Também foi apontado pela France Football como o segundo melhor jogador africano em 1984 e o terceiro melhor em 1985. Neste período ele desfrutou do auge do Zamalek, com duas conquistas na Champions Africana.

Rabie Yassin

Rabie Yassin extrapolou o que se espera de um lateral esquerdo. O capitão do Al Ahly seria eleito três vezes o melhor jogador em atividade no Campeonato Egípcio. Seu nível de excelência o manteve na seleção do Egito de 1982 a 1991, com 105 partidas. O defensor disputou a Copa Africana de Nações em quatro ocasiões e seria campeão em 1986, quando também terminou eleito como o melhor de sua posição no torneio. Os Faraós permitiram que disputasse os Jogos Olímpicos de 1984 e a Copa do Mundo de 1990. Também faturou duas edições da Champions Africana pelo Al Ahly.

Moustafa Abdou

A braçadeira de capitão na Copa Africana de 1986, quando o Egito encerrou um jejum de quase três décadas no torneio, já garantiria o lugar especial de Moustafa Abdou na seleção. O ponta era celebrado por sua enorme habilidade nos lados do campo, unindo velocidade e cruzamentos precisos. Foram 12 anos de seleção, disputando quatro edições da CAN. Sua despedida ocorreu exatamente no título de 1986, escolhido para compor o time ideal da competição. É uma figura importante também no fortalecimento do Al Ahly naquele período, colecionando dois troféus da Champions Africana e mais três da Recopa Africana. Era o capitão dos Diabos Vermelhos até passar a braçadeira para Bibo.

Taher Abouzeid

A fama de Taher Abouzeid surgiu logo cedo, quando se tornou artilheiro do Mundial Sub-20 de 1981. Três anos depois, o meia ofensivo já se consagrou como goleador da Copa Africana. Mas nada comparado ao sucesso alcançado em 1986, quando se tornou a principal figura na conquista da CAN dentro de casa. O armador marcou os gols que selaram a classificação na fase de grupos e também na semifinal contra Marrocos. Pela seleção, o camisa 12 ainda disputou as Olimpíadas de 1984 e a Copa do Mundo de 1990. Foi capitão do Al Ahly e aparece entre os maiores artilheiros da história do clube, embora tenha encerrado sua carreira precocemente aos 31 anos. Após se aposentar, seguiu para a política e desde 2013 é o Ministro dos Esportes do Egito.

Magdy Abdelghany

Magdy Abdelghany foi outra estrela no meio-campo do Egito que conquistou a Copa Africana de Nações em 1986. Sua passagem pelos Faraós se estendeu de 1981 a 1992, com três aparições em fases finais de CAN. Seria titular absoluto na campanha do título e figurou no time ideal do torneio. Apelidado de “Trator”, ele estrelou os Faraós na classificação para a Copa de 1990 e marcou o único gol da campanha, no empate por 1 a 1 contra a Holanda. Seu auge por clubes aconteceu no Al Ahly, onde empilhou taças até 1988. Teria uma passagem de quatro anos pelo Campeonato Português com o Beira-Mar, antes de retornar ao Egito para defender Al Masry e El Mokawloon.

Hossam Hassan

O maior jogador da história do Egito em algumas listas. Hossam Hassan criou-se na grande geração do Al Ahly nos anos 1980 e isso o impulsionou logo cedo para a seleção. Era reserva na conquista da CAN 1986 e não demorou a ter seu protagonismo, tornando-se herói na classificação para a Copa do Mundo de 1990. O artilheiro manteve-se como uma importante referência ofensiva da equipe nacional, especialmente por seu papel na CAN 1998, quando marcou sete gols na campanha, consagrando-se como o principal responsável na campanha do título. Ainda seguiu como uma peça útil para os Faraós até 2006, já reserva no primeiro troféu de Hassan Shehata. Atravessar tantas gerações permitiu que Hossam Hassan disputasse 176 partidas pelos Faraós e marcasse 68 gols, ainda hoje maior artilheiro da equipe nacional – fora o gosto de jogar sete edições de CAN, com três troféus na conta. Por clubes, o matador chegou a ter passagens na Europa por PAOK e Neuchâtel Xamax, mas viveu grande parte de sua história no próprio Campeonato Egípcio. Acumulou taças no Al Ahly e, quando o clube achou que ele estava muito velho, foi ser campeão pelo Zamalek. Foram 14 troféus da liga, cinco da copa, dois da Champions Africana e quatro da Recopa Africana. Ainda passou por equipes como o Al Masry, o Tersana e o Al Ittihad de Alexandria, aposentando-se com 41 anos. Virou um técnico notável nos clubes locais.

Ibrahim Hassan

Ibrahim Hassan é o irmão gêmeo de Hossam Hassan. Teve uma carreira menos condecorada que o artilheiro e marcou bem menos gols, mas foi considerado um dos melhores laterais direitos do mundo durante a década de 1990, a ponto de ser o único egípcio a compor a Seleção do Mundo montada pela Fifa – em três ocasiões diferentes. Tal proeminência permitiu que disputasse três edições distintas da Copa Africana de Nações. Uma pena que o astro tenha se ausentado da conquista em 1998, sua única chance de levar a taça no intervalo ativo com os egípcios. Ibrahim acompanhou Hossam Hassan em diferentes momentos da carreira por clubes, sobretudo nas conquistas com Al Ahly e Zamalek, mas não estendeu tanto sua trajetória em campo. Levou 14 troféus do Campeonato Egípcio e quatro da Champions Africana.

Ahmed Shobair

Adel Hekal e Thabet El-Batal foram goleiros históricos do Egito em conquistas da Copa Africana de Nações. Ahmed Shobair era apenas reserva em 1986, mas acabaria reconhecido como o melhor goleiro dos Faraós no Século XX. O arqueiro do Al Ahly jogou pela seleção de 1984 a 1996, superando as 100 aparições. Teve seu auge na virada daquelas décadas, especialmente para botar os egípcios na Copa do Mundo e proteger a meta na Copa de 1990, saindo como destaque do time no Mundial. Disputou a CAN em quatro oportunidades e foi escolhido o melhor goleiro em 1994, quando o time parou nas quartas de final. Seria apontado ainda como o oitavo melhor goleiro africano do século.

Hany Ramzy

Hany Ramzy ocupa o coração da defesa de qualquer seleção dos sonhos do Egito. O zagueiro revelado pelo Al Ahly estreou pela seleção em 1988 e disputou 123 partidas com os Faraós até 2003. Tornou-se inclusive um personagem simbólico, como o primeiro capitão cristão da equipe nacional. Sua lista de competições internacionais inclui a Copa do Mundo de 1990, assim como seis edições da Copa Africana de Nações. Era titular na equipe campeã em 1998, eleito também para o time ideal do torneio em 1992 e 2002. Após se aposentar, ainda foi o comandante de Mohamed Salah e Mohamed Aboutrika no time dos Jogos Olímpicos de 2012. Ramzy é considerado como um dos jogadores egípcios de carreiras mais sólidas na Europa. Chegou através do Neuchâtel Xamax, mas atravessou grande parte de sua carreira como homem de confiança de Otto Rehhagel no Werder Bremen e depois no Kaiserslautern.

Nader El-Sayed

Um dos goleiros mais importantes da seleção do Egito, Nader El-Sayed teve uma concorrência dura no início e no final de sua passagem pela equipe nacional. Mesmo assim, foi capaz de disputar 110 partidas pelos Faraós entre 1992 e 2005. O seu ápice aconteceu em 1998, quando era uma figura essencial na conquista da Copa Africana de Nações e foi eleito o melhor goleiro da competição. Também apareceu no time ideal do certame em 2000. Totalizou seis participações na CAN, de 1994 a 2004. Sua capacidade nos pênaltis costumava ser um diferencial. Cria do Zamalek, El-Sayed foi um símbolo do clube durante os anos 1990, com a conquista de duas Champions Africanas. Chegou a ter uma curta passagem pelo Club Brugge após a fama na CAN 1998, mas depois voltou ao futebol egípcio. Ainda fez parte do Al Ahly que levou a Champions Africana em 2005 e 2006, mas como reserva.

Hazem Emam

Hazem Emam foi o maestro do Egito na Copa Africana de 1998. O armador despontou na seleção na CAN 1996, quando foi eleito um dos melhores do torneio, mas deu seu passo além exatamente na busca pelo troféu dois anos depois. Não chegou a marcar gols, mas foi peça importante na equipe titular e também tinha brilhado nas eliminatórias, como artilheiro do qualificatório. Foram dez anos de seleção, entre 1995 e 2005, com 87 partidas disputadas e 15 gols marcados. Está entre os grandes ídolos do Zamalek, com dois títulos da Champions Africana e prêmios de melhor do país. Também teve curta passagem pela Europa, com a Udinese e o De Graafschap. Foi, inclusive, o primeiro jogador egípcio a atuar pela Serie A.

Ahmed Hassan

Nenhum outro jogador merece tanto a alcunha de “Senhor Copa Africana de Nações” quanto que Ahmed Hassan. O meio-campista é um sinônimo do torneio, com oito participações, recorde ao lado do camaronês Rigobert Song. E com o diferencial que o meio-campista levou quatro taças, também maior marca do torneio, ao lado de Essam El Hadary. Hassan era o grande termômetro do Egito na virada dos anos 1990 para os 2000, com passes excelentes e chegada ao ataque. Presente na CAN pela primeira vez em 1996, conquistou seu espaço no título de 1998, com o gol que selou o resultado na final contra a África do Sul. Permaneceu onipresente na competição de 2000 a 2004, até ser protagonista do tri de 2006 a 2010. A importância de Ahmed Hassan foi tamanha que ele terminou eleito o melhor jogador da competição em 2006 e 2010, com gols essenciais nos mata-matas de ambas as edições. Acumula 184 partidas com os Faraós, recorde do país e terceira maior marca da história, além de 33 gols. Foram 17 anos de serviços prestados, de 1995 a 2012. Formado pelo Answan, Hassan depois jogou no Ismaily e fez carreira na Europa. Rodou por vários clubes da Turquia, com menção principal ao Besiktas, e depois seria levado ao Anderlecht em seu ápice a partir de 2006. Voltou para vestir a camisa de Al Ahly e depois de Zamalek no fim da carreira, presente na conquista da Champions Africana de 2008.

Wael Gomaa

Wael Gomaa era um xerifão da seleção do Egito e serviu como um nome imprescindível de Hassan Shehata para o tricampeonato da Copa Africana, em tempos nos quais os Faraós praticavam um futebol mais pragmático. O beque esteve presente em cinco edições da CAN, sempre titular no ciclo de 2006 a 2010. É o único jogador daquele timaço egípcio que foi incluído na seleção do campeonato durante as três campanhas vitoriosas. O veterano vestiu a camisa da seleção de 2001 a 2013, com 114 partidas disputadas. Gomaa passou grande parte do início de sua carreira no Ghazl El Mahalla, até se projetar para o Al Ahly em 2001, quando realmente explodiu no futebol aos 26 anos. Esteve presente em nada menos que seis títulos da Champions Africana, marca única na competição continental.

Mohamed Barakat

Mohamed Barakat tem um currículo limitado em comparação com outros companheiros, ao conquistar a Copa Africana de Nações apenas em 2006, depois de disputá-la em 2002 e 2004. Mas merece seu lugar nessa lista como um dos jogadores mais completos da história dos Faraós, que preencheu o meio-campo no início do tricampeonato de Hassan Shehata e foi um dos nomes mais importantes daquele título. Barakat defendeu a seleção de 2000 a 2010, com 70 partidas disputadas. Seu auge ocorreu em 2005, eleito o melhor jogador em atividade no continente africano, quando estrelou o Al Ahly em dois títulos na Champions. O meio-campista totalizaria cinco troféus continentais com os Diabos Vermelhos. Todavia, os problemas de lesão limitaram um bocado sua carreira, sobretudo para estar presente também na CAN em 2008 e 2010.

Mohamed Aboutrika

Sinônimo de talento da seleção do Egito no início do século, Mohamed Aboutrika foi o grande articulador do tricampeonato com Hassan Shehata. Dava um toque de qualidade no meio-campo e também participava de inúmeros lances decisivos, sobretudo com gols. Curiosamente, o craque só disputou a CAN em 2006 e 2008, mas foi eleito para a seleção da competição em ambas, com o gol do título na segunda. Tornou-se ausência em 2010 por conta de lesão. Presente nas convocações de 2001 a 2013, Aboutrika disputou 100 jogos pelos Faraós e marcou 38 gols, ainda presente na Copa das Confederações de 2009 (quando jogou muito) e nas Olimpíadas de 2012. Sua representatividade no Al Ahly ainda extrapola o que viveu pelos Faraós, com cinco títulos da Champions Africana e a liderança num momento crucial, depois do desastre de Port Said, levando os Diabos Vermelhos ao Mundial de Clubes duas vezes logo depois. Foi eleito o melhor jogador em atividade no futebol africano quatro vezes, assim como a BBC o escolheu como o melhor futebolista do continente (incluindo aqueles em atividade na Europa) em 2008.

Hosny Abd Rabo

Hosny Abd Rabo não é o primeiro nome mencionado na seleção do Egito tricampeã africana, mas foi um dos melhores jogadores naquelas campanhas. O meio-campista unia combatividade e uma enorme criatividade para armar a seleção a partir de posições mais recuadas. O motor dos Faraós participou das campanhas em 2008 e 2010, sendo eleito o melhor jogador do torneio no ano do bicampeonato. Fez de tudo um pouco naquela CAN, terminando a competição com quatro gols e duas assistências. Mais jovem que outros companheiros daquele elenco, defendeu a equipe nacional de 2004 a 2014, com 102 partidas disputadas. Sua carreira quase sempre esteve atrelada ao Ismaily, mas também se provou no Strasbourg e em clubes do Oriente Médio.

Emad Moteab

O Egito contou com atacantes badalados na Europa durante a década de 2000, mas nenhum deles gozou tanto da confiança de Hassan Shehata quanto Emad Moteab. O camisa 10 podia não ter refinamento para jogar em ligas mais fortes, mas contribuía com muita entrega. Não à toa, foi o único de seu setor a levar o tricampeonato de 2006 a 2010, titular em todas as finais. Marcou três gols em 2006, quando deixou o badalado Mido no banco de reservas. Abria espaços para Zaki e Aboutrika em 2008, passando em branco naquela competição. Anotou mais dois gols em 2010, quando costumava sair para a entrada do talismã Gedo – artilheiro e autor do gol do título. Isso não reduz sua relevância na equipe nacional, com 28 gols em 70 partidas, sétimo maior artilheiro da história dos Faraós. Por clubes, exceção a dois empréstimos, defendeu o Al Ahly durante quase toda a carreira. Daria motivos para a idolatria nos Diabos Vermelhos, sobretudo pelos cinco títulos na Champions Africana. Aposentou-se em 2018.

Amr Zaki

A carreira de Amr Zaki ficou abaixo daquilo que muitos apostavam por clubes. O atacante foi ídolo do Zamalek, mas não vingou em suas sucessivas tentativas de defender um clube europeu – um pouco mais lembrado por seus gols no Wigan. Apesar da trajetória irregular, na seleção Zaki sempre entregou. Foram 30 gols em 63 aparições pelos Faraós, que o garantem como sexto maior artilheiro da história da equipe nacional. Esteve presente nas conquistas da Copa Africana de 2006 e 2008, com tentos decisivos em ambas. O gol que valeu vaga na final de 2006 foi dele, diante de Senegal. Dois anos depois, marcou tentos nos mata-matas contra Angola e Costa do Marfim. Terminou eleito para a seleção da competição. Ausente na CAN 2010, frequentou as convocações até 2013.

Mohamed Zidan

O Egito teve grandes atacantes durante o tricampeonato da Copa Africana. Um dos méritos de Hassan Shehata, aliás, foi manter a máquina funcionando sem necessariamente desfrutar de uma continuidade de nomes. Um dos mais brilhantes desse período foi Mohamed Zidan. O atacante não disputou a CAN 2006, em meio a um tumulto de que preferia defender a Dinamarca, embora ele alegasse uma lesão na perna. Mas esteve presente em 2008 como herói, fazendo a jogada para o gol do título marcado por Aboutrika, e teve uma participação tão destacada em 2010 que terminou eleito para a seleção do torneio. Zidan defendeu os Faraós de 2005 a 2012, mas os problemas disciplinares limitaram suas presenças a apenas 44 jogos. Sua carreira por clubes europeus teve bons momentos especialmente com o Borussia Dortmund. Também se destacou por Mainz 05, Midtjylland e Aalborg.

Gedo

Gedo possui um grande momento em sua carreira e ele aconteceu exatamente na Copa Africana de Nações de 2010. O título não teria sido possível sem o atacante, que estreou pelos Faraós em dezembro de 2009 e se provou providencial semanas depois. Os gols foram se acumulando, mesmo saindo do banco. Durante a fase de grupos, balançou as redes contra Nigéria e Moçambique. Depois, nas quartas de final, destravou o jogo contra Camarões na prorrogação. Também participou da goleada sobre a Argélia na semifinal. E o triunfo sobre Gana por 1 a 0 na decisão não seria possível sem ele, com o tento fatal aos 39 do segundo tempo. O mais incrível é que ele não foi titular nenhuma vez, com uma média incrível de um gol a cada 29 minutos em campo. Foi artilheiro e eleito para o time ideal. Depois disso, não faria tanta coisa. Frequentou as convocações até 2014, mas nada suficiente para levar os Faraós de volta à CAN em 2012 ou 2013. Por clubes, despontou no Al Ittihad de Alexandria e se transferiu ao Al Ahly em 2010. Conquistou a Champions Africana de 2012 e marcou o gol do título (quem mais?), antes de passar por empréstimos pouco frutíferos pelo Hull City. A partir de 2015, rodou por clubes menores do Egito até pendurar as chuteiras em 2020 pelo El Gouna.

Essam El Hadary

Concorrente ao posto de melhor goleiro africano da história, El Hadary provavelmente leve tal condecoração como melhor camisa 1 que a Copa Africana já teve. É um gigante do torneio com sete participações, a partir de 1998. Foi reserva naquele título da CAN, mas ganharia a posição após a virada do século e virou figura imprescindível no tricampeonato com Hassan Shehata. Não são poucos os milagres e os pênaltis defendidos nesses sucessos, com menção principal ao duelo particular com Didier Drogba pelo troféu em 2006. O camisa 1 acabaria eleito como o melhor daquela competição. As ausências seguidas do Egito na CAN de 2012 a 2015 custaram um pouco a El Hadary, mas ele ainda voltou em 2017, para ser essencial na campanha até a final. Aos 44 anos, virou o jogador mais velho a disputar o torneio, recorde que quebraria um ano depois também na Copa do Mundo – quando jogou contra a Arábia Saudita e pegou até um pênalti. A lenda totalizou 159 partidas com os Faraós, de 1996 a 2018. Revelado pelo Damietta, El Hadary seria ídolo do Al Ahly, pelo qual conquistou quatro Champions Africana. Teve uma curta passagem pelo Sion, rodando no fim da carreira por diferentes clubes do Egito e também de outros países árabes. Aposentou-se em 2020, aos 47 anos, e virou o preparador de goleiros na atual comissão técnica do Egito.

Ahmed Fathy

Ahmed Fathy é o único jogador desta lista ainda na ativa e manteve-se nas convocações do Egito até 2021, mas acabou de fora da nova edição da Copa Africana de Nações. O defensor é um símbolo da longevidade e da dedicação pelos Faraós, também por sua polivalência, de quem atua em várias posições na zaga ou no meio. Estreou na CAN em 2004 e depois seria um nome importante no tri de 2006 a 2010. Acabou eleito por duas vezes ao time ideal da competição, e atuando em diferentes funções. Ainda estaria presente no vice continental de 2017 e foi o capitão dos egípcios na Copa do Mundo de 2018. O camisa 7 liderou o Al Ahly em diferentes conquistas, incluindo quatro troféus da Champions Africana. Formado pelo Ismaily, defendeu os Diabos Vermelhos de 2007 a 2014 e depois de 2015 a 2020. Também teve passagens mais curtas pela Inglaterra, além de defender atualmente o Pyramids.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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