Tenho certeza de que muitos são-paulinos estão aliviados com o afastamento do zagueiro Paulo Miranda pela diretoria do clube. Inclusive alguns que acham que a diretoria agiu mal, mas que ficam felizes em ver pelas costas o zagueiro que, até aqui, tem mostrado péssimo futebol. E eu até concordaria. Se o substituto dele fosse o Miranda. O Lugano. André Dias. Mas não o Edson Silva. A única diferença entre Edson Silva e Paulo Miranda é que Paulo Miranda jogou mais, ou seja, teve mais chances de errar.

É claro que qualidade individual faz diferença, mas defesa, em geral, é treino. É sistema de jogo. É jogar junto, um zagueiro sabendo o que o outro vai fazer. E Leão vinha fazendo o certo: insiste em um. Quando ficar claro que não dá, sem queimar o um, tenta o outro. Ficou claro que Paulo Miranda erra muito, é claro, e faz tempo. E, fosse eu o técnico, começaria um revezamento com a intenção de mandá-lo para o banco. Sem queimar. Ou seja, sem começar hoje.

A diretoria do São Paulo, é claro, acha que entende mais de futebol do que seus técnicos, e a prova de que isso é verdade são os numerosos títulos conquistados desde a saída de Muricy – e o fato de que Muricy nunca mais ganhou nada desde que saiu do Morumbi. Ou talvez seja exatamente o contrário. Ao afastar Paulo Miranda a diretoria erra, pisa em cima do erro e senta em cima dele. Queima o jogador, queima o técnico e ainda por cima joga uma bomba gigantesca no colo de Édson Silva. Ou seja, uma burrice sobrenatural, de uma arrogância estranha até para a diretoria do São Paulo.

Fora o risco de Emerson Leão mandar todos à merda e, com razão, pedir demissão. E se Leão está longe de ser Pep Guardiola, é o melhor técnico que o time tem desde Muricy Ramalho. E não há no mercado quem possa sucedê-lo com garantias de que será melhor. Mas para Adalberto Baptista, pelo jeito, tanto faz, Afinal, quem entende de futebol é ele.