“E perde em um jogo dramático por 2 a 1. Pode até empatar. Quem sabe agora, capricha Adriano. Olha o empate!”. Galvão Bueno já buscava a desculpa para explicar a derrota da Seleção na final da Copa América de 2004. Segura de si, a Argentina começara a provocar nos minutos anteriores, com D’Alessandro, Tevez e outros jovens craques fazendo firulas à beira do campo. Mesmo parte dos jogadores brasileiros parecia conformada, pelo baile que o time tomava. Por sorte, Adriano não compartilhava esse sentimento. Após o chuveirinho desesperado, Luis Fabiano ajeitou. O Imperador dominou com a ponta da chuteira, tirando de Quiroga. E fuzilou. Restando apenas 23 segundos para o apito final, empatou a decisão. Criou um épico, vencido nos pênaltis.

ARQUIVO: O jogo em que Adriano detonou a Argentina faz 10 anos e te damos os minutos finais de presente

Adriano fez uma Copa América fantástica. O atacante da Internazionale tinha atuado em um jogo pela Seleção quando ainda estava no Flamengo, em 2000. Porém, só despontou mesmo em 2003, parte do processo de renovação para fortalecer o time após o penta. Jogou a Copa das Confederações esvaziada de craques em 2003, além de ganhar oportunidades nas Eliminatórias. Até chegar à Copa América como um dos destaques do elenco jovem. Assumiu a responsabilidade com gols fundamentais contra o México e o Uruguai. Até se eternizar diante da Argentina. Em sua 13ª partida, fazer o nono gol com a camisa amarela. O mais memorável.

Como se não bastasse, Adriano ainda fez miséria a final da Copa das Confederações de 2005. Já melhor acompanhado por outros craques, anotou dois gols e, com Kaká e Ronaldinho, comandou a acachapante goleada por 4 a 1 sobre a Argentina na decisão. Em uma época na qual a Seleção deslumbrava, Adriano protagonizou os dois clássicos mais marcantes contra a Albiceleste. Que só permanece no jejum de 22 anos porque o camisa 9 assim quis.

Junto com o resto da Seleção e o seu quadrado mágico, Adriano sucumbiu no oba-oba que se criou em 2006. Depois, viu a sua carreira entrar em declínio aos poucos. O último ápice veio com a camisa do seu Flamengo, quando, ao lado de Petkovic, carregou o time desacreditado ao titulo do Brasileirão. Tinha bola para disputar ainda o Mundial de 2010. Mas não a cabeça. E, aí, se perdeu de vez. Ficou a lenda do Dom Sebastião, que nunca voltou para o hexa. O herdeiro de Careca, Romário e Ronaldo que nunca se cumpriu no maior dos palcos.

É fato, Adriano fez menos na Seleção (e na sua carreira, como um todo) do que poderia. Só que, 48 jogos e 25 gols na conta, não dá para negar a sua importância na equipe nacional. A Copa América e a Copa das Confederações podem ser competições menores, com peso muito inferior ao da Copa do Mundo. Mas não as duas atuações da vida do Imperador, jogaços de alto nível de pressão em que ele decidiu no fim ou goleou. Os Mundiais de 2010 e 2014 passaram sem o camisa 9 desejados por muitos. Que só se pôs nos sonhos graças àquela final, há exatos 11 anos. Que fez muita gente vibrar e gritar pela Seleção como nunca. Como nem mesmo fizeram em uma Copa.

Abaixo, um vídeo com todos os gols de Adriano pela Seleção. Inclusive aquele de 25 de julho de 2004: