A última rodada do Campeonato Brasileiro teve muitas emoções, ao contrário do que alguns imaginaram. Foram resultados que definiram rebaixamento (no caso do Clássico dos Clássicos em Recife) e vaga direta na Libertadores (o que inclui também Atlético Mineiro e Cruzeiro, em Belo Horizonte), mas o principal foi o Grêmio e Internacional no Olímpico. A razão é justamente por esta última parte: o Olímpico. Foi o último jogo do Estádio Olímpico Monumental. Despedidas, mesmo quando é para sair para um lugar melhor, são tristes. Tristes em vários sentidos, até porque foram várias cenas que poderiam – e deveriam – terem sido evitadas.

Mas o jogo não era uma despedida, apenas. O jogo valia, e muito. Primeiro, valia chegar em segundo lugar no Campeonato Brasileiro para o Grêmio, que precisava vencer para se garantir nesta posição independente do resultado do Atlético Mineiro. E, claro, além disso valia uma última vitória no estádio que é casa do Grêmio há 58 anos. Inaugurado no dia 19 de setembro de 1954, encerra seu último jogo no dia 2 de dezembro de 2012.

Se todo GreNal é marcado pela tensão, o último do Olímpico seguiu o roteiro. Muriel colocou a mão fora da área, o jovem Fred peitou Guinazú e o Internacional se despedaçava em campo. Anderson Pico tentou fazer parte da festa e distribuir uns sopapos, mas foi contido por Vanderlei Luxemburgo, que invadiu o gramado para colocar o dedo em riste na cara do lateral.

Luxa acabou expulso, mas seria só a primeira confusão. Osmar Loss, técnico interino do Inter, chutou uma bola longe, irritou Saymon, do Grêmio, e também acabou expulso. E aí foi um pega para capar, Fred com Saymon, D’Alessandro com Vílson, rojão estourando próximo a um membro da comissão técnica colorada… Parecia que o Olímpico veria apenas cenas lamentáveis em seu último dia de jogo. O fim de jogo com cenas terríveis e um Héber Roberto Lopes covarde por não ter dado os devidos acréscimos pelos muitos minutos de jogo parado.

Mas aquelas não seriam as últimas cenas do Olímpico. A torcida não pertiria. Os tricolores fizeram festa. Não importa o 0 a 0, não importa que o time acabou perdendo o vice-campeonato – e a vaga direta na Libertadores –, o torcedor fazia festa. Lágrimas, mas de felicidade. Muitas memórias e os torcedores viram, no telão, a viagem de helicóptero até a Arena. Muitos ficaram por um bom tempo apreciando aquela última visita ao estádio.

A partir da próxima semana, o Grêmio terá um estádio de alto padrão, pronto para novos tempos. Um estádio que ajudará o Grêmio a continuar a ser forte. De uma forma que não sentiu nem os efeitos negativos: a construção da Arena aconteceu enquanto o time jogava no Olímpico. Indolor. Ou melhor: haverá saudades, mas o Olímpico sempre ficará na história. Do Grêmio, do torcedor, do futebol brasileiro. A construção da Arena foi um bom exemplo. E tomara que seja aquele que será seguido.

Adeus, Olímpico. Você ficará marcado para sempre na história do futebol brasileiro.