É uma pena ver que uma história tão bonita quanto a de Daniele De Rossi na Roma termine de tal maneira. Depois de 18 anos vestindo exclusivamente as cores dos Giallorossi, o jogador de 35 anos teve sua saída anunciada pouco menos de duas semanas atrás. Não era seu desejo deixar a capital, mas o clube não quis renovar seu vínculo. Neste domingo, De Rossi fez sua última partida pelos romanistas, diante do Parma, pela Serie A. Por sorte, o duelo, que terminou em vitória por 2 a 1 para a Roma, estava marcado para o Estádio Olímpico, possibilitando assim o adeus merecido ao menos por parte da torcida.

Pellegrini e Perotti fizeram os gols da vitória romanista, enquanto Gervinho marcou para o Parma, mas, com chances quase nulas de classificação à Champions League, o que importou na noite na capital italiana foi mesmo De Rossi.

Recebido em campo por uma enorme bandeira elevada por um balão após o jogo, o capitão voltou ao gramado para cumprimentar um por um comissão técnica e jogadores da Roma. Nas arquibancadas, as câmeras capturavam torcedores abatidos e com lágrimas nos olhos.

Quando foi substituído por Cengiz Ünder, De Rossi recebeu uma enorme ovação da torcida no Olímpico. Nas arquibancadas, um sorridente e orgulhoso Buffon aplaudia o ex-companheiro de seleção italiana, enquanto Totti, do camarote, também olhava o pupilo – mais tarde descendo ao gramado para honrá-lo com uma placa. No campo, todos queriam abraçar o ídolo giallorosso. Ao passar pela linha lateral, um apaixonado Ranieri o recebeu com um abraço, e o carinho se estendeu no restante do banco de reservas. Por fim, uma volta olímpica ao lado da família para saudar os torcedores fechou o pacote de cenas para a memória.

O técnico da Roma não queria que De Rossi partisse. Em entrevista após o anúncio do fim da passagem do ídolo pelo clube, Ranieri atribuiu a escolha aos dirigentes e cravou: “Se tivessem me perguntado o que eu queria em relação a De Rossi, no caso nós ficaríamos com ele, eu diria que eu o queria, porque eu sei qual tipo de homem e de jogador ele é. Nós sempre falamos sobre líderes: há muitos deles. Há um para os torcedores, para as redes sociais, para os clubes, para os jornalistas. E há aqueles para os técnicos: ele é um técnico em campo, ele raciocina sem ego e para o bem da equipe. Estes são os líderes que queremos como treinadores”.

Nascido na capital italiana e revelado pela Roma, De Rossi se tornou um símbolo do clube. Foi vice-capitão enquanto Francesco Totti ainda jogava e assumiu a braçadeira após a aposentadoria do ídolo. Estreou pela Roma em 2001 e jogou 616 partidas pelos giallorossi.

De Rossi não se aposenta ainda. O jogador recebeu uma oferta da Roma para virar dirigente do clube, mas não deseja pendurar as chuteiras por ora. Aos 35 anos, seu futuro está incerto – há quem fale até em Boca Juniors, por quem o italiano já manifestou sua paixão. Independentemente de sua escolha, será muito esquisito ver o capitão em outras cores.