Ada Hegerberg assina “contrato histórico” com a Nike e abre novos horizontes ao futebol feminino

O futebol feminino ainda tem um longo potencial a explorar em suas estratégias de marketing e em seu apelo comercial. Nesta semana, Ada Hegerberg deu um passo importante neste sentido, ao assinar um contrato singular às mulheres no futebol. Antes ligada à Puma, a norueguesa assinou agora com a Nike, em vínculo firmado pelos próximos dez anos. É um horizonte que se abre do ponto de vista financeiro ao futebol feminino e também aos debates sobre igualdade de gênero no esporte.

O acordo firmado entre Hegerberg e Nike é apontado como “histórico” pelo próprio agente da craque. Segundo a Forbes, os números não foram revelados, mas há um “valor de seis dígitos anuais ao longo do período, aproximando-a mais dos contratos com jogadores masculinos de seu nível”. Já a AFP estima o pagamento anual de €1 milhão à norueguesa – seu salário anual no Lyon é cotado em €400 mil. Kylian Mbappé ganha cerca de €3,5 milhões por ano da Nike, enquanto Raheem Sterling possui um acerto para receber €1,75 milhões anuais da companhia. O dinheiro destinado à jogadora, ainda que inferior, reduz os abismos.

“Para mim, pessoalmente, é um passo inovador na minha carreira. Sinto que a Nike inspirou milhões de pessoas nos esportes e eles são uma espécie de ponto de virada, quando se trata de elevar também as mulheres e aumentar os parâmetros. Espero que essa parceria possa seguir escrevendo a história em campo quando eu retornar”, declarou Hegerberg, após o acerto.

A Nike apoiou publicamente campanhas para reduzir a disparidade salarial entre o futebol feminino e o masculino, inclusive se colocando ao lado da seleção americana em meio à discussão sobre o tema. Hegerberg, por sua vez, deixou a seleção norueguesa em protesto pela maneira como a federação não tratava igualmente as seleções feminina e masculina. Por conta disso, não disputou o último Mundial, embora os noruegueses tenham pareado as premiações às suas equipes principais de ambos os gêneros.

Em outro aspecto, a Nike passou a adotar uma postura distinta em relação à gravidez de suas contratadas. A empresa americana rescindiu uma “cláusula de maternidade” às estrelas, que as deixava em risco de perder os ganhos se ficassem grávidas. Agora, está expressamente proibida qualquer redução por 18 meses durante a maternidade de uma atleta. Alex Morgan foi uma das beneficiadas pela nova visão da marca dentro do futebol.

Hegerberg conquistou a Bola de Ouro em 2018, visibilidade esta que a ajudou a assinar contratos comerciais com companhias de diversas áreas. A atacante é a principal estrela do Lyon, potência no esporte feminino. Aos 24 anos, a craque bateu o recorde de gols da Champions League Feminina e foi essencial no atual tetracampeonato continental conquistado pelas francesas. Além de seu talento, seu ativismo e sua participação nos debates sobre a igualdade de gênero também a reforçam como uma das principais atletas do mundo.