Acusado de racismo por Neymar, Álvaro, do Marseille, pode pegar gancho de até dez partidas

O clássico entre Paris Saint-Germain e Olympique de Marseille, vencido pelos marselheses no domingo (14), foi marcado por confusões entre os rivais, com cinco expulsões, incluindo a de Neymar. O brasileiro deixou o campo depois de agredir Álvaro, zagueiro do Marseille a quem acusa de racismo durante o jogo. Se o insulto racista supostamente proferido pelo espanhol for provado, o jogador corre o risco de levar um gancho de até dez partidas.

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De acordo com o regulamento da Federação Francesa de Futebol, está prevista uma sanção máxima de dez partidas para “palavras, gestos e/ou atitude visando uma pessoa em razão de sua ideologia, raça, etnia, religião, nacionalidade, aparência, orientação sexual, gênero ou deficiência”.

As acusações de Neymar não vieram apenas após sua expulsão, mas, sim, consideravelmente antes de toda a confusão no final da partida, o que descredita o argumento de quem vê a denúncia do brasileiro como uma reação à derrota. Por fim, acusações do tipo no futebol raramente acontecem sem alguma base, embora, neste caso específico, mais elementos precisem vir à tona antes de um juízo de valor definitivo.

No início da reta final do segundo tempo, após um ataque do PSG, Neymar e Álvaro já começaram a se desentender, e nas imagens da transmissão era possível ver Neymar chamando o adversário de racista. Segundo a imprensa francesa, mais especificamente a emissora Téléfoot, Álvaro teria dito “cala a boca, macaco” a um jogador do PSG, e há versões que dizem que o insulto teria sido dirigido a Idrissa Gueye, enquanto outras afirmam que teria sido a Neymar.

O brasileiro, por fim, publicou em seu Twitter que o zagueiro do Marseille lhe teria dito: “Macaco filho da puta”. Após a partida, Neymar escreveu na rede social: “Único arrependimento que tenho é por não ter dado na cara desse babaca”. Na sequência, o brasileiro cobrou ação da liga francesa: “VAR pegar a minha ‘agressão’ é mole… Agora eu quero ver pegar a imagem do racista me chamando de “MONO HIJO DE PUTA” (macaco filho da puta), isso eu quero ver. E aí? Carretilha, você me pune… Cascudo, sou expulso… E eles? E aí?”, escreveu o brasileiro.

Esta última mensagem fazia referência a dois episódios: sua expulsão no domingo e, anteriormente, a um cartão amarelo que recebeu em fevereiro deste ano após driblar um adversário, em lance considerado pelo árbitro como uma provocação desnecessária, mesmo que não haja nada nas regras do futebol que proíba este tipo de ação.

No rescaldo do episódio, Álvaro, em uma ação nada inédita, publicou uma foto após o jogo, posando com jogadores negros e árabes do Marseille, além do recém-chegado Yuto Nagatomo, japonês, com a seguinte legenda: “Não existe lugar para o racismo. Carreira limpa e com muitos companheiros e amigos no dia a dia. Às vezes, é preciso aprender a perder e assumi-lo em campo. Três pontos incríveis hoje. Vai, OM”.

Neymar respondeu à publicação do zagueiro do Marseille, reforçando sua acusação: “Você não é homem de assumir seu erro. Perder faz parte do esporte, agora insultar e trazer o racismo pras nossas vidas, não, eu não estou de acordo. EU NÃO TE RESPEITO! VOCÊ NÃO TEM CARÁTER! Assume o que tu fala, mermão… seja HOMEM, RAPÁ! RACISTA”.

Em meio à possibilidade de suspensão por até dez partidas de Álvaro, alguns torcedores franceses lembraram que Gelson Martins, do Monaco, foi suspenso por seis meses por dar um empurrão no árbitro Mickaël Lesage em fevereiro deste ano, apontando, portanto, um peso muito leve dado pelas autoridades do futebol francês aos casos de racismo no país.

Por ora, nem a Federação Francesa e nem a Liga de Futebol Profissional, organizadora da Ligue 1, publicaram qualquer comunicado sobre o episódio descrito por Neymar no domingo.