A Football League, responsável pelos campeonatos da segunda à quarta divisão da Inglaterra, tomou a liderança do que seria a maior revolução do futebol do país desde a criação da Premier League, em 1992. Mas o novo acordo internacional de TV fechado pela Federação Inglesa para a Copa da Inglaterra, no valor de US$ 1 bilhão, travou o processo, antes mesmo de ele ser votado pelos 72 clubes das divisões inferiores e discutido seriamente pelas equipes da elite.

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A ideia da Football League era transformar a estrutura atual de três divisões com 24 clubes cada em uma com quatro divisões com 20 clubes cada imediatamente abaixo da Premier League. A promessa era diminuir o número de jogos nos meios de semana e abrir espaço no calendário para uma pausa de inverno no fim do ano, duas medidas que teoricamente agradariam a FA e os times da elite porque deixariam os jogadores mais descansados para competições europeias e para a seleção inglesa. A expectativa que a proposta fosse bem recebida.

A Football League encontrou resistência entre seus próprios membros porque, nos patamares inferiores do futebol inglês, o inimigo é outro. Um campeonato com 20 integrantes em vez de 24 significa menos partidas e, portanto, menos bilheteria, uma fonte de renda importante para os clubes menores. Mais jogos de fim de semana, segundo a entidade, compensariam essa queda de arrecadação porque partidas aos sábados e domingos levam mais gente ao estádio do que durante a semana.

Só que para isso acontecer a Federação Inglesa teria que concordar em transferir jogos da Copa da Inglaterra para o meio de semana, mas a Football League, ao questionar a FA depois do recente anúncio do acordo de direitos de transmissão, descobriu que ela não está mais disposta a fazer isso. “A English Football League foi informada que a mudança não representa mais uma vantagem suficiente para a FA”, afirmou a entidade, em um comunicado publicado no seu site. O principal executivo da EFL, Shaun Harvey, disse que, sem a possibilidade de colocar mais partidas no fim de semana, “simplesmente não há jeito de cumprir as condições financeiras estabelecidas desde o começo das discussões”.

Harvey recebeu um e-mail do seu correspondente na FA, Martin Glenn, ao qual a Press Association Sport teve acesso, em que Glenn afirma que o acordo de seis anos com as televisões, assinado no mês passado, encerra qualquer discussão sobre possíveis mudanças no formato da Copa da Inglaterra. Segundo o Telegraph, ele escreveu na mensagem que “dado o maciço valor econômico dos jogos da FA Cup aos sábados internacionalmente, e o valor intangível inerente a uma copa disputada aos fins de semana, não vejo vantagens suficientes para a FA na atual proposta da WGS (Whole Game Solution, ou “Solução Para Todo o Esporte”, em tradução livre, nome que foi dado às proposta da Football League)”.

A FA, de acordo com a Sky Sports, nega que alguma vez tenha sequer considerado transferir partidas da Copa da Inglaterra para o meio de semana e, por meio de um porta-voz, afirmou que continua “comprometida em trabalhar com a Football League e a Premier League para atacar o problema do calendário congestionado no futebol profissional”. A decisão de retirar os replays das quartas de final da FA Cup mostra isso, segundo a entidade máxima do futebol inglês.

Shaun Harvey, segundo o Telegraph e a ESPN britânica, ficou ainda mais irritado com a FA quando descobriu que a proposta da Football League foi recusada sem sequer ser discutida pelo conselho da entidade, no qual tanto a EFL quanto a Premier League têm representantes.

O Telegraph afirma que a FA quer uma pausa de inverno porque beneficiaria a seleção inglesa, mas gostaria também de ver uma discussão sobre o fim da semifinal da Copa da Liga Inglesa, organizada pela Football League, em jogos de ida e volta, e a redução do número de times na Premier League.

Adivinha se o problema todo não gira em torno de dinheiro? É um clássico caso em que os dois lados da discussão estão em busca do mesmo objetivo, mas querem que o outro abra mão de alguma coisa para alcançá-lo. E como a Federação Inglesa, com uma competição mais privilegiada pelos grandes e no comando da seleção nacional, tem uma posição mais forte que a da Football League, sentiu-se confortável em bater o pé para as propostas da Football League.