Acompanhado pela sorte

Nem mesmo os torcedores do Colorado Rapids esperavam esse desfecho. Nenhum analista poderia prever isso no início da temporada. O time de Commerce City chegou desacreditado na temporada e foi conquistando espaço com as mudanças promovidas pelo técnico inglês Gary Smith. E depois do sétimo lugar na temporada regular, o Rapids passou por Crew e Earthquakes nos play-offs para chegar até a final, onde bateu o FC Dallas por 2 a 1.

Um dos principais passos para o sucesso do Rapids foi a adição de Jeff Larentowicz, que se juntou ao capitão do time, Pablo Mastroeni, montando uma das melhores duplas de meias centrais da MLS. Os dois apareceram muito bem em toda a campanha do Rapids e foram importantes na pós-temporada, aparecendo em boas situações, como o gol de Mastroeni no jogo de ida da semifinal de conferência contra o Crew e as faltas perigosas de Larentowicz, que ajudaram o Rapids a crescer no jogo de volta dessa mesma série.

O outro ponto bastante importante para o time foi o ataque formado pelo jamaicano Omar Cummings e o americano Conor Casey. Durante a temporada regular, Cummings anotou 14 gols e 3 assistências, enquanto Casey terminou com 13 tentos e 6 assistências. A dupla foi bastante importante também durante a pós-temporada, já que mesmo com a grande preocupação dos adversários, a dupla apareceu bastante, com Cummings dando assistências importantes e Casey aparecendo para empatar a final, quando o Rapids mais precisava.

No jogo de domingo, os dois times entraram no campo do BMO Field sem mudanças depois das finais de conferência. O Dallas foi com seu 4-5-1 e o atacante falso Atiba Harris, enquanto o Colorado foi seu habitual 4-2-2-2, com as duplas já citadas no texto e os pontas mais fechados pelo meio, o que possibilitou aos laterais dos Hoops irem mais ao ataque. O resultado disso foi visto quando Jair Benitez acertou um lançamento longo para Marvin Chavez, que colou a bola na área e achou o MVP da temporada regular, David Ferreira, entrando no meio dos zagueiros e tendo o trabalho de apenas empurrar para o gol.

No segundo tempo, Jamie Smith fez boa jogada pela esquerda e a sorte do Rapids começou a aparecer. E bota sorte nisso. Conor Casey dividiu com o zagueiro do Dallas após o cruzamento de Smith, mas conseguiu completar para o gol, mesmo estando quase deitado no chão. Depois disso, os Hoops começaram a jogar melhor depois de um pequeno reposicionamento após a entrada de Jeff Cunningham no lugar de Brek Shea. Apesar disso, nenhum dos times conseguiu uma boa vantagem no resto do tempo normal, então o jogo foi para a prorrogação.

Na prorrogação, valeu a estratégia de Gary Smith, que tentou resolver o jogo com pernas descansadas, como ele mesmo disse na entrevista que deu antes do início do tempo extra. Seguindo essa filosofia, Smith colocou Mac Kandji no lugar de Cummings. Lembra da sorte do gol de Casey? Ela voltou a aparecer, quando Kandji fez ótima jogada pela direita e cruzou para a área, onde a bola desviou em George John e entrou, sem chances para Kevin Hartman. E veio mais sorte, já que Kandji se machucou no lance do gol, mas mesmo com um a mais, o Dallas não conseguiu vencer Matt Pickens e o título foi para o Colorado.

Por mais uma vez, o campeão do Leste veio do Oeste e ganhou a MLS Cup. Além de competência, os campeões têm sorte e o Colorado provou que tem muita, depois de definir os dois jogos mais importantes da temporada com três gols de “sorte”. Para o Dallas, fica o consolo de que o time vem como um dos grandes favoritos para a temporada 2011, principalmente se David Ferreira ficar por lá. Mas sobre 2011, só descobriremos a partir de fevereiro. Enquanto isso, o Colorado Rapids será o campeão da MLS por 365 dias.