O Liverpool sequer entrou em campo nesta quinta-feira, mas sua torcida estava preparada como se fosse o jogo mais importante das suas vidas. Boa parte da torcida estava preparada para uma sensação que nunca nem viveu: a de ser campeão inglês. Tudo isso para acompanhar o duelo entre Chelsea e Manchester City, em Londres. E os Blues, que cruelmente complicaram a vida do Liverpool em 2014, no famoso lance do escorregão de Steven Gerrard, desta vez derrubaram o principal adversário dos Reds por 2 a 1 e liberaram a festa dos comandados de Jürgen Klopp.

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O Manchester City tinha uma chance meramente matemática de chegar ao Liverpool, mas a manteria acesa se vencesse o jogo. Para isso, porém, a missão seria complicada. O time entrou em campo esfacelado por lesões, com alguns jogadores, como o brasileiro Gabriel Jesus, poupado, e outros, como Sergio Agüero, machucados. Tudo isso naquele uniforme horroroso que parece um picolé de praia.

O Chelsea, por sua vez, tinha seus próprios problemas para se preocupar. O Chelsea briga por uma das vagas inglesas à Champions League, o Chelsea vê o Manchester United no retrovisor, com 49 pontos. Como o Chelsea começou o jogo com 51, não podia dar sopa para o azar, como diz o ditado.

O jogo começou com equilíbrio. Os dois times tinham chances, atacando com perigo. O goleiro Éderson precisou fazer uma grande defesa em uma finalização do zagueiro Andreas Christensen, que nunca fez um golzinho sequer pelo time principal do Chelsea.

Uma cobrança de falta para o Manchester City acabou gerando o primeiro gol do Chelsea. Kevin De Bruyne cobrou alto para a área, mas a defesa do Chelsea afastou. Ela sobrou para Gündogan e Mendy, que se atrapalharam. O francês tocou para o vazio, Pulisic apareceu, tomou a bola, e colocou em velocidade e, assim, não havia quem o alcançasse. O americano tocou na saída de Éderson, com categoria, no cantinho, e saiu para a comemoração: 1 a 0 para os Blues em Stamford Bridge, aos 35 minutos do primeiro tempo.

Só que no começo do segundo tempo, uma cobrança de falta perfeita de Kevin De Bruyne empatou o jogo. Pouco à frente da intermediária, o camisa 17 do City bateu com tanta precisão que Kepa não teve a menor chance de chegar na bola.

Logo depois, aos 11 minutos, Sterling quase arrancou a virada. Sterling, na cara do gol, em um contra-ataque muito rápido, tocou na saída de Kepa. A bola tocou na trave e não entrou. Por pouco os visitantes não viraram o jogo. O momento era completamente do City e o gol parecia maduro. Só que as coisas mudariam rapidamente.

Aos 26 minutos, em uma jogada em velocidade, Pulisic foi lançado, saiu na cara do gol, driblou Éderson e tocou para o gol. Parecia certo que a bola entraria. Só que Kyle Walker se jogou na bola, em um carrinho, e tirou a bola em cima da linha. Todo mundo ficou esperando uma reação do árbitro, que tem o relógio que informa se a bola passou a linha, pela tecnologia na linha do gol. Mas o jogo seguiu.

O Chelsea persistiu. Willian chegou pela direita, tocou para o meio, Abraham finalizou, Éderson, tocou de leve, se recuperou, Pulisic tentou colocar a bola na rede, Éderson salvou e Fernandinho salvou em cima da linha uma nova tentativa de Abraham para colocar a bola na rede.

Os jogadores do Chelsea reclamaram, aparentemente por Fernandinho ter trocado com a mão na bola para evitar o gol. Mais uma vez, todos ficaram de olho no árbitro, esperando para saber se a bola entrou, ou se o pênalti seria marcado. O lance continuou, mas o VAR logo alertou o árbitro que foi pênalti. Foi marcada a penalidade e ainda rendeu cartão vermelho para Fernandinho.

O brasileiro Willian foi para a cobrança e bateu com categoria, precisão e não deixou Éderson nem sair na foto: no alto, com força, sem chance: 2 a 1 para o Chelsera em Stamford Bridge. Festa da torcida azul em Londres (mesmo em casa, já que o estádio estava vazio), mas muito mais festa ainda da torcida do Liverpool, que via pela TV o título ficar nas mãos, perto de ser comemorado.

Com um a menos e precisando de uma virada para evitar o título do Liverpool, o Manchester City não mostrava força – e, sinceramente, nem mesmo disposição. O time estava desgastado, cansado, e tinha os olhos na partida de sábado, contra o Newcastle, válida pela Copa da Inglaterra, uma competição que o time ainda tem uma chance de ser campeão.

O apito final significou o fim de uma espera de 30 anos. O Liverpool, enfim, pode comemorar o título de Premier League, o título de Campeão Inglês, algo que não acontecia desde 1990. Um título marcado por todas as virtudes de um time que massacrou os adversários, sem uma derrota sequer. Um time que escreve uma história fantástica. Mesmo com os torcedores em casa, a noite será de muita comemoração.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore