Um absurdo. Assim se pode definir o pesadelo vivido por Hatem Ben Arfa, impedido de jogar pelo Nice. A rocambolesca decisão da comissão jurídica da Liga de Futebol Profissional (LFP), corroborada pelas regras da Fifa quanto à transferência de jogadores, criou um enorme mal-estar tanto para o OGC quanto para o meia-atacante. Até o fim desta temporada, ele não poderá defender o time rubro-negro em partidas oficiais.

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Para explicar o caso, vamos resumir o regulamento da Fifa: um jogador não pode atuar em partidas oficiais por três clubes em uma mesma temporada. E aí é que entra a polêmica em torno do caso de Ben Arfa. Ele entrou em campo uma vez pelo Newcastle, mas para a disputa de um amistoso com o time sub-21. E foi exatamente este jogo que fez a diferença para a decisão da LFP.

É extremamente burra a decisão de considerar um amistoso com a molecada do Newcastle como se fosse um jogo oficial. Isso não tem o menor sentido. Como Ben Arfa foi emprestado ao Hull na sequência, ele automaticamente estava impedido de atuar por outro clube em 2014/15. O Nice e, principalmente, o jogador, dançaram nessa em nome de uma burocracia das mais insensíveis.

Curiosamente, o contrato entre o OGC e Ben Arfa foi homologado sem qualquer tipo de veto ou interferência. Aos 27 anos, o meia-atacante poderá apenas treinar pelo Nice pelos próximos meses. O que era para se ser um dos retornos mais comemorados de um jogador francês à Ligue 1 se tornou um caso de vergonha. O Nice ainda tentará recorrer, mas já sabe que as chances de reverter a situação são praticamente nulas.

Fica a questão: se outro jogador estivesse na mesma situação, qual seria a decisão da LFP? Vale lembrar que Ben Arfa tem uma reputação pouco favorável. Considerado um bad boy, de personalidade forte e um gênio pouco domável, o meia-atacante paga um alto preço por sua imagem negativa. Tanto no Newcastle como no Hull, o jogador saiu pela porta dos fundos de ambos por sua rebeldia.

A volta de Ben Arfa para a Ligue 1 poderia ser um sopro de alento na carreira dele. Uma inspiração para se concentrar apenas nos fatos dentro de campo para voltar a ser destaque. Em casa, o meia-atacante teria a chance de se redimir e provar seu valor. Perde a Ligue 1, cada vez mais carente de nomes de destaque fora do círculo cada mais restrito dos pretendentes ao título. Vitória do marasmo, da imbecilidade, da mediocridade.

Lyon freado

A gordura na liderança da Ligue 1 diminuiu um pouco. O Lyon ficou no 0 a 0 com o Monaco no Louis II e viu Paris Saint-Germain e Olympique de Marselha, vencedores de seus duelos contra Rennes e Évian, respectivamente, reduzirem a diferença para apenas dois pontos. Ainda não há motivo para se temer uma queda do OL, até porque o time foi para o principado sem sua principal estrela.

Alexandre Lacazette não entrou em campo e isso fez grande diferença. Se juntarmos a ausência do artilheiro do Ligue 1 ao bom momento vivido pelo Monaco, dá para comemorar o empate com um resultado muito bom. O ASM completou treze jogos sem perder (onze vitórias e dois empates) e sua oitava partida sem levar gols, levando-se em consideração todas as competições disputadas.

A grande dúvida dos lioneses fica por conta da situação física de Lacazette. Com uma lesão muscular na coxa direita, talvez ele não entre em campo na mais do que decisiva partida contra o PSG no dia 8. Como sobreviver sem seu principal jogador? O atacante marcou 25 gols em 29 jogos até aqui na temporada europeia, número inferior apenas ao de Cristiano Ronaldo.

Lacazette balançou as redes adversárias pelo menos uma vez nas últimas nove partidas que disputou. Ele não ficava fora de um duelo da Ligue 1 desde o longínquo 27 de outubro de 2013 – coincidentemente, contra o Monaco. Para tentar suprir a perda de seu grande destaque, o técnico Hubert Fournier se viu forçado a optar por uma dupla de ataque bastante jovem – e com uma carga ultrapesada nas costas.

A responsabilidade aumentou para Nabil Fekir, autor de oito assistências e cinco gols. E o que dizer sobre a pressão em cima do jovem Yassine Benzia? O atacante, membro da seleção francesa sub-21, ficou um bom tempo indisponível nesta temporada devido a uma lesão. Entrou numa fria. Se há algo positivo para se tirar disto tudo, o OL pelo menos comemora a volta de Yoann Gourcuff. Chegou a hora de os lioneses mostrarem que podem muito bem se virar sem Lacazette. É a hora de separar os homens dos meninos.