Quem foi ao estádio ver Bayern de Munique e Heidenheim em busca de entretenimento, certamente saiu bastante satisfeito da Allianz Arena. Só que quem é torcedor do clube bávaro, ainda mais aqueles mais apaixonados, ficou com o coração na mão. O Bayern venceu por 5 a 4 um jogo maluco pela Copa da Alemanha, que teve diversas reviravoltas ao longo dos pouco mais de 90 minutos de bola rolando. Viradas, pênaltis e muitos, muitos gols marcaram a partida na Baviera.

Nos primeiros minutos, a impressão era que seria um passeio no parque para o Bayern. O gol do meio-campista Leon Goretzka, aos 12 minutos do primeiro tempo, completando de cabeça uma cobrança de escanteio de Joshua Kimmich. O domínio era completo do jogo e o ritmo da partida seguia o roteiro esperado: um gigante dominando o jogo contra o time pequeno. O 1 a 0 no placar refletia isso.

Só que quatro minutos depois, a história mudou. Em um erro de passe de Thiago na saída de bola, o Heidenheim tomou a posse Nicklas Süle fez uma falta muito dura quase na linha da meia-lua. O árbitro inicialmente deu cartão amarelo, mas o árbitro assistente de vídeo (VAR) provavelmente disse algo que fez o árbitro decidir ir até o monitor e olhar por si mesmo. E depois de revisar o lance, ele mudou a cor do cartão: de amarelo para vermelho. Considerou que foi uma entrada dura demais – a chance clara de gol não gera mais o cartão vermelho se a falta for fora da área. Uma decisão rigorosa do árbitro, mas compreensível, já que o carrinho de Süle foi realmente duro.

Na cobrança da falta, o Heidenheim quase empatou. Só que o empate, efetivamente, viria um pouco depois. Robert Glatzel, de cabeça, após cruzamento da direita. Com um jogador a mais, o time da segundona da Alemanha acreditava que podia fazer mais. E conseguiu chegar ao segundo gol aos 39 minutos, graças a um gol de Marc Schnatterer. Os visitantes viraram o jogo em plena Allianz Arena, deixando muitos torcedores atônitos com o que viam – ou não viam, no caso do futebol do Bayern que desapareceu depois de sofrer o primeiro gol. O Heidendeim foi para o intervalo vencendo o jogo, o que poucos poderiam imaginar.

O técnico Niko Kovac percebeu a gravidade da situação e tratou de chamar a tropa de choque. Foram duas alterações já no vestiário: saíram o lateral Rafinha, mal em campo no primeiro tempo, e James Rodríguez, também bastante perdido em campo. Entraram Kingsley Coman e o artilheiro Robert Lewandowski. O resultado veio rápido. Logo a oito minutos, Thomas Müller empatou o jogo depois de passe de cabeça de Lewandowski. Era o empate em 2 a 2. Dois minutos depois, o Bayern parecia ter aberto os portões do inferno para o adversário e chegou a mais um gol: Serge Gnabry, até ali sumido, fez a jogada com Müller, e a bola chegou a Lewandowski, que finalizou para virar a partida: 3 a 2.

Bom, foi quando o torcedor que via o jogo pensou que as coisas entrariam na espiral da normalidade. Não só porque o Bayern é forte contra um Heidenheim mais fraco, mas porque os bávaros começaram o segundo tempo atropelando de tal forma que só era possível imaginar que viria mais uma enxurrada de gols. E aos 20 minutos, de fato veio mais um: desta vez foi Gnabry quem balançou as redes e o placar foi a 4 a 2. Jogo definido? Quem pensou isso – e era de se imaginar, pelo desempenho em campo – se enganou feio.

Aos 29 minutos, o Heidenheim colocou uma pimenta na partida ao marcar mais um gol, em um vacilo do goleiro Sven Ulreich. Glatzel marcou o segundo gol dele no jogo, terceiro do Heidenheim: 4 a 3 para o Bayern. O torcedor mal teve tempo de respirar, porque um minuto depois, Mats Hummels derrubou um jogador do Heidenheim dentro da área. Glatzel cobrou o pênalti e alcançou o impressionante empate por 4 a 4. Uma loucura, mas estava acontecendo: com 30 minutos do segundo tempo, o duelo estava indo para a prorrogação.

O que era uma surpresa poderia ter se transformado em desastre aos 36 minutos, quando Sven Ulreich salvou um contra-ataque do Heidenheim com uma defesa com os pés, impedindo o quinto gol dos visitantes e mais uma virada no jogo. O caótico jogo parecia completamente indefinido. E, aos 38, veio um lance mais maluco ainda: Lewandowski dominou no peito e foi interceptado pelo cotovelo do adversário na bola. O árbitro apontou a marca da cal: pênalti para o Bayern. Lewandowski assumiu a responsabilidade, bateu bem e marcou: Bayern 5 a 4.

A insanidade era tamanha que era difícil achar que o jogo estava resolvido. Os últimos minutos foram de um Heidenheim tentando o tudo ou nada contra o time mais forte do país e dando um relativo sufoco, dentro das suas possibilidades. No fim, Ulreich, que tinha ido mal em um dos gols, acabou sendo seguro na reta final para impedir mais um gol dos visitantes e garantindo a classificação.

O que se viu em campo foi um Bayern de Munique caótico na defesa, indisciplinado taticamente e que sofreu um bocado contra um time que é muito menor – e com muito menos qualidade -, mas que se matou em campo e foi muito bem enquanto pode. Quem poderia imaginar quatro gols do time da segunda divisão na Allianz Arena? Talvez nem eles mesmos. A vitória se deve muito às atuações de Lewandowski, Coman, Múller e Goretzka, os principais artífices do bom segundo tempo. O time mostrou problemas que causarão preocupações ao seu técnico, mas não só nele. O time precisa render mais, porque a disputa na Bundesliga está muito parelha e a Copa da Alemanha provavelmente cobrará mais nos próximos jogos.

Para os torcedores do Bayern, foi certamente uma montanha russa de emoções em campo. Para quem queria um jogo divertido, um entretenimento de qualidade. Em geral, quando termos muitos gols, há muitas questões a serem ditas, de um lado e de outro. O Heidenheim lamentou, mas tem muito a celebrar. Sai de cabeça erguida de um jogo duríssimo contra o mais forte time da Alemanha. E o fez sofrer e suar um bocado para vencer. Valeu a viagem a Munique.