O Brasil viveu uma noite de vaias, gols e um jogo sem muita cor no Morumbi na sua estreia na Copa América 2019, no Morumbi. A vitória por 3 a 0 trouxe mais alívio que satisfação. Depois de um primeiro tempo fraco, que acabou em vaias, o Brasil jogou um pouco melhor no segundo, a partir de um gol de pênalti marcado por uma intervenção do VAR, e a vitória se desenrolou. Com um público menor do que o esperado, clima de balada ruim e cara, e sem muito futebol (e nem cerveja, já que continuam proibindo), a estreia da Copa América foi um balde de água fria. A empolgação antes do jogo se esvaiu. Também porque a torcida parecia desanimada, sem cantar, quase como assistindo um show de uma banda que nunca ouviu falar em um festival. Sem a cerveja, claro. Ao menos rolou um hit no final, aquele que você nem sabia que era da banda, com um golaço de Everton no final, depois de dois gols de Philippe Coutinho – que comemorou de forma tão tímida que pareceu até constrangido.

Camisa branca

O Brasil voltou a usar a sua camisa de cor original, branca, algo que oficialmente não usava desde a Copa América de 1953. O uniforme comemorativo pelos 100 anos do primeiro título do Brasil na competição foi um golaço da Nike, porque a camisa ficou mesmo linda. E a lembrança é bacana e faz sentido. Foi ao menos uma curiosidade.

Bom início e só

O início do jogo foi até animador. Os primeiros cinco, dez minutos do jogo foram bastante intensos, com o Brasil tentando pressionar no ataque, tentar criar uma pressão ali. Mas esse início intenso foi só um fogo de palha. Assim que a palha acabou, o fogo se exauriu e o jogo virou uma noite sem graça, sem brilho e sem cor. Tal qual a camisa branca do Brasil.

Clima frio

É verdade que junho em São Paulo costuma ser frio, mas ninguém esperava que a abertura da Copa América, jogada no Brasil pela primeira vez em 30 anos, tivesse uma recepção tão fria. Se o clima antes do jogo era de euforia, o que se viu no estádio do Morumbi era um clima de teatro. Nada de gritos calorosos, pressão, cantoria. Uns gritos esparsos e só. Além do grito homofóbico de “bicha” em todo tiro de meta do adversário.

Vaias

Ao final do primeiro tempo, depois de pouca emoção em campo e um clima de balada da Vila Olímpia (copinho na mão e celular), aconteceu o que acreditava que demoraria um pouco mais: vaias para a seleção brasileira. O time foi para os vestiários ouvindo aquela aguda vaia. Talvez o único momento do primeiro tempo que o estádio inteiro gritou algo em uníssono.

Com VAR, pênalti

Logo no início do segundo tempo, Nestor PItana foi pela segunda vez revisar um lance no VAR. Desta vez, um possível pênalti para o Brasil. Em chute de Richarlison, a bola bateu no braço de Adriano Jusino. Pitana não tinha marcado, mas após a revisão, apontou a marca da cal. Penal que Coutinho cobrou com precisão no canto direito do goleiro, na rede lateral, e abriu o marcador: 1 a 0.

Movimentação e Coutinho

O pênalti meio que caiu do céu, mas o Brasil conseguiu um segundo gol aproveitando o embalo e aí sim com uma bela jogada construída. E aqui entra o mérito dos jogadores de frente, que se movimentaram. Richarlison, aberto pela direita, caiu pelo meio, puxando mais para trás. Firmino caiu pela direita. Coutinho aprofundou no meio da área. Bola em Firmino na ponta direita, cruzamento lindo para o segundo pau e Coutinho, de cabeça, chegou para completar: 2 a 0.

Super substituto

O jogo não estava muito animado, mas uma substituição melhorou esse aspecto. Aos 36 minutos, entrou Everton no lugar de David Neres. O jogador, ex-São Paulo e atualmente no Ajax, não fez uma má partida, mas não conseguiu ser efetivo como vimos em outros momentos da temporada. Everton entrou elétrico.

Nos seus primeiros toques na bola, passou pelo adversário como um furacão. Ganhou na velocidade e já levou perigo. E logo depois, aos 40 minutos, ele recebeu na ponta esquerda e costurou para o meio, até ajeitar e soltar um chutaço. A bola foi na rede lateral e sem chance de defesa do goleiro: 3 a 0.

Público baixo

Abertura da Copa América, jogo do Brasil, Morumbi. Era para estar com o estádio cheio, certo? Bom, era, mas não foi o que aconteceu. Foram 47.260 pessoas presentes ao estádio, que tem capacidade para 66.795, segundo informação do São Paulo. Era esperado que o público ficasse muito perto disso. Ter quase 20 mil pessoas a menos em relação à capacidade máxima é uma vergonha para a Conmebol, com seus preços altos. E a renda? R$ 22.476.630. Sim, você leu certo: mais de R$ 22 milhões de renda. Algo como R$ 475 de ingresso médio. Uma balada cara.

Próximo jogo

O Brasil volta a campo na terça-feira, dia 18, às 21h30, na Fonte Nova, em Salvador, diante da Venezuela. A Bolívia volta a campo no mesmo dia 18, mas um pouco mais cedo: 18h30, no estádio do Maracanã.

Ficha técnica

Brasil 3×0 Bolívia

Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo
Árbitro: Nestor Pitana (Argentina)
Gols: Philippe Coutinho aos 5’/2T e aos 8’/2T, Everton aos 40’/2T (Brasil)
Cartões amarelos: Coutinho (Brasil), Fernando Saucedo (Bolívia)

Brasil: Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Filipe Luís; Casemiro e Fernandinho; Richarlison (Willian), Philippe Coutinho e David Neres (Everton); Roberto Firmino (Gabriel Jesus). Técnico: Tite

Bolívia: Carlos Lampe; Diego Bejerano, Luis Haquim, Adriano Jusino e Marvin Bejarano; Erwin Mario Saavedra (Leonardo Vaca), Leonel Justiniano, Fernando Saucedo (Diego Wayar) e Alejandro Chumacero; Raúl Castro (Ramiro Vaca); Marcelo Moreno. Técnico: Eduardo Villegas