A amadora Oceania vê a evolução das seleções no começo das Eliminatórias para 2018

Até Samoa Americana, que chegou a levar de 31 a 0 da Austrália, está melhorando

Enquanto várias seleções pelo mundo estão disputando os qualificatório para a Copa do Mundo ou para os torneios continentais, na Oceania também foi dada a largada para as eliminatórias do Mundial de 2018. A menor confederação filiada à Fifa conta com o futebol mais amador do mundo, mas isso não quer dizer que não esteja havendo certa evolução nas piores seleções da região.

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A primeira fase das eliminatórias da Oceania para a Copa 2018 teve participação de Tonga, Ilhas Cook, Samoa Ocidental e Samoa Americana, exatamente como há quatro anos. Porém, ao contrário daquela época, em que Samoa Ocidental somou sete pontos, contra quatro de Tonga e Samoa Americana e um de Ilhas Cook, a disputa foi bem mais acirrada desta vez.

Os seis jogos da primeira etapa do torneio foram disputados no estádio Loto Tonga Soka Centre, em Nuku’alofa, capital de Tonga. Com mínimo de 150 torcedores nas arquibancadas e máximo de 400, a seleção da casa foi a que menos investiu na equipe e pagou caro por isso.

Tonga teve o pior desempenho, sendo derrotada três vezes, com um gol marcado e oito sofridos. A diferença enorme em relação à campanha passada não se dá por causa de Tonga, que continua apostando num técnico local e em jogadores que atuam na obscura liga nacional. A grande evolução nas eliminatórias da Oceania para a Copa 2018 ocorre por causa dos outros três participantes.

Samoa Ocidental conseguiu a vaga na segunda fase do torneio, mas não foi nada fácil. Com seis pontos, a seleção só avançou por causa do um gol de saldo a mais que Samoa Americana e Ilhas Cook, que também somaram seis pontos. Resultados dos investimentos dos três países.

Classificação da 1ª fase das Eliminatórias Oceania para a Copa 2018

Samoa Americana

Samoa Americana, que antes comemorava vitória de 2 a 1 sobre Tonga, sua primeira contra uma seleção da FIFA na história, hoje tem outras aspirações. A equipe, que já levou de 31 a 0 da Austrália lá em abril de 2001, trabalhou firme para melhorar o nível.

Os 18 jogadores de Samoa Americana passaram um mês treinando nos Estados Unidos, uma ajuda providencial de Thomas Rongen, técnico estadunidense que comandou o time nas eliminatórias 2014, mas não pôde assumir a seleção agora porque está treinando uma equipe nos Estados Unidos.

A federação de Samoa Americana conseguiu contato com jogadores nos Estados Unidos aptos a defender a seleção. Metade faz parte do elenco que somou seis pontos na tabela, vencendo Tonga (2 a 1) e Ilhas Cook (2 a 0), mas levando de 3 a 2 de Samoa Ocidental.

Demetrius Beauchamp, 23 anos, atua no San Jose State Spartans, enquanto Justin Manao defende o Pacific Lutheran University, ambos nos Estados Unidos. Cada um marcou dois gols, quatro dos seis anotados por Samoa Americana nas três partidas.

Ilhas Cook

Certamente, Ilhas Cook estão fazendo o melhor trabalho de evolução. Antes pior seleção da Oceania no Ranking FIFA e uma das piores do mundo, Ilhas Cook, que tem 14 mil habitantes, resolveu investir para crescer. A federação local conseguiu atrair os serviços do técnico galês Drew Sherman, 28 anos, filho de Rob Sherman, diretor-técnico da federação da Nova Zelândia.

O ex-jogador da base do Swansea City, também diretor-técnico da federação cookense, tem experiência em trabalhos nas divisões de base de times ingleses, como Everton, Wolverhampton e Aldershot Town, e conseguiu a licença A da UEFA aos 21 anos, com expectativa de terminar um curso profissional na federação australiana em 2016.

Foi ele quem iniciou uma pesquisa por jogadores nas ligas inferiores de Austrália e Nova Zelândia, países que contam com milhares de habitantes originários das Ilhas Cook, bem mais que a atual população de Ilhas Cook. E ele encontrou 13 atletas aptos a defender a seleção, que venceu Samoa Ocidental e Tonga nestas eliminatórias, suas primeiras vitórias contra um membro da FIFA na história! Não deu para avançar, mas o futuro de Ilhas Cook é alentador.

Samoa Ocidental

A seleção de Samoa Ocidental conseguiu o objetivo de avançar à segunda fase das eliminatórias 2018, mas teve de lutar muito mais por isso. Percebendo a evolução das outras seleções, a federação de Samoa Ocidental foi procurar jogadores australianos com ascendência samoana ou locais que defendem times daquele país para formar a seleção.

E o técnico Phineas Young encontrou cinco atletas que jogam em times semiprofissionais da Austrália, da segunda divisão para baixo. Porém, ele ainda conta com Andrew Stefano, 28 anos (Adidas Soccer Club/Samoa Ocidental) e o meia Silao Malo, 24 (Vaimoso/Samoa Ocidental), os principais jogadores da seleção há algum tempo.

O mais experiente do time é o atacante Desmond Fa’aiuaso, 31 anos e 11 jogos pela seleção, com seis gols (joga no Central United/Samoa Ocidental). Apesar de ter começado a campanha vencendo Samoa Americana, a seleção de Samoa Ocidental perdeu para Ilhas Cook e precisou fazer saldo de gols diante de Tonga.

Os 3 a 0 sobre o pior adversário da chave foram suficientes para Samoa Ocidental avançar. Detalhe curioso é que cinco dos seis gols da equipe foram marcados por jogadores que atuam no futebol australiano – o outro gol foi de Desmond Fa’aiuaso. Pena que não deve ser suficiente para evitar três derrotas na próxima fase.

Curtas

– Na segunda fase das eliminatórias para a Copa 2018, Samoa Ocidental vai participar do Grupo A, que ainda tem Tahiti, Nova Caledônia e Papua Nova Guiné, com três vagas na terceira fase do torneio. No Grupo B, disputam os três lugares Fiji, Nova Zelândia, Ilhas Salomão e Vanuatu. Detalhe que essas partidas também valem pela Copa das Nações da Oceania, com os dois primeiros de cada chave avançando às semifinais. O campeão vai jogar a Copa das Confederações 2017, evento-teste na Rússia, sede do Mundial 2018. As seis seleções restantes nas eliminatórias da Oceania serão divididas em duas chaves de três times. O primeiro de cada grupo disputa a final, em que o campeão das eliminatórias da Oceania vai enfrentar o quinto colocado do qualificatório da América do Sul.