A Irlanda tem uma das torcidas mais malucas, engraçadas e que abraçam a zoeira. O time não é grande coisa, não joga um futebol lá muito atrativo, nem tem craques mundialmente consagrados. Em campo, porém, o time se mostrou com a garra que lhe é característica. Arrancou a vitória por 1 a 0 contra uma Itália já classificada, recheada de reservas, que não se esforçou nada para conseguir o resultado. Assim, marcou 1 a 0, saiu de campo com a cantoria da sua torcida e segue viva, muito viva.

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Com classificação e primeiro lugar assegurados, o técnico Antonio Conte resolveu escalar reservas na Itália. Ficaram em campo, do jogo anterior, Florenzi, Barzagli e Bonucci. Todos os outros foram alterados. Foi a chance de Sirigu, que começou jogando, além de Zaza, Immobile e Bernardeschi.

Só que a necessidade de vitória da Irlanda fez o time partir para cima da Itália. Não havia opção, então os irlandeses se arriscaram ao ataque. Sirigu foi obrigado a fazer uma grande defesa no primeiro tempo. Mas a Irlanda, afinal, é a Irlanda. Isso significa que o time pode tentar, com muita força, chegar ao ataque. Só que não criou chances claras, a não ser em chutes de longe.

Os italianos, de forma pragmática, não fizeram muito esforço para vencer o jogo. Deixaram os irlandeses se matando por isso. Eles não decepcionaram. Se jogaram ao ataque. Arrancaram a vitória com um lance típico do futebol, digamos, mais rudimentar que o time faz.  Já eram 40 minutos e os irlandeses roíam unhas, nervosos. O time estava sendo eliminado.

Wes Hoolahan, que minutos antes perdeu uma grande chance de marcar, cruzou da intermediária na medida para Robbie Brady subir de cabeça, se antecipar a Sirigu, que saiu mal, e mandar para as redes. Brady saiu correndo em disparada na direção dos torcedores irlandeses, que comemoraram demais, como era esperado. O time avançava com o resultado. Vira o segundo melhor terceiro colocado, com quatro pontos e saldo de menos dois gols – atrás apenas da Eslováquia entre os terceiros colocados.

A classificação coloca o time do técnico Martin O’Neill no caminho da França nas oitavas de final. A mesma França que, na repescagem para a Copa do Mundo de 2010, tirou os irlandeses no polêmico jogo que teve um gol irregular – uma mão de Henry que resultou no gol de Gallas. A partida será em Lyon, no domingo, e tem tudo para ser um encontro bastante interessante. A França, claro, é muito melhor. Mas a Irlanda é a Irlanda. Um time que joga com tudo que tem. Mesmo que esse tudo não seja tanta coisa assim.

Itália 0x1 Irlanda

Itália: Sirigu; Barzagli, Bonucci e Ogbonna; Thiago Motta, Sturaro, Florenzi, Bernardeschi (Darmian) e De Sciglio (Em Sharaawy); Zaza e Immobile. Técnico: Antonio Conte

Irlanda: Randolph; Coleman, Duffy, Keogh e Ward; McClean, McCarthy (Hoolahan), Hendrick e Brady; Murphy (MCGeady) e Long (quinn). Técnico: Martin O’Neill

Depois do jogo, os irlandeses comemoraram a classificação no vestiário com cerveja, como mostra o post de Jonathan Walters no Twitter: