Domingos Paciência deixou o Braga já há seis meses, mas sua imagem enquanto técnico ainda é muito atrelada aos minhotos. Se hoje ele tem seu nome projetado entre os mais promissores técnicos do futebol europeu, muito passa pelo trabalho realizado nas duas temporadas em que dirigiu o time bracarense – que, por sua vez, viveu os melhores momentos de seus 91 anos de história justamente quando esteve sob comando do treinador. E neste domingo, Domingos estará de volta a Braga. Desta vez, porém, sentará no banco dos visitantes, ostentando o verde do Sporting e brigando diretamente contra o ex-clube pelo terceiro lugar da tabela – e, portanto, por uma vaga na próxima Liga dos Campeões.

Não é o primeiro reencontro entre o treinador (que, vale lembrar, foi eleito o 9º melhor técnico do mundo em 2011 pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol – IFFHS) e o ex-clube. Ambos já se enfrentaram em novembro, pela Taça de Portugal, mas o confronto – vencido por Domingos, 2 a 0 – foi realizado em apenas uma mão, no estádio José de Alvalade. Se para esse duelo não há toda aquela aura saudosista que se poderia criar há dois meses, a expectativa que se cria para agora – além, claro, daquela que mexe diretamente com o campeonato – diz respeito a forma como o comandante leonino será recebido no palco onde se acostumou a ser aplaudido. O assunto ainda não é muito levantado pela mídia esportiva local e, em fóruns pela internet, o discurso (ainda tímido) é de uma recepção respeitosa. Nada se fala para além disso.

No entanto, não seria absurdo que, no dia, torcedores ou até dirigentes do Braga fizessem algum tipo de homenagem ao ex-treinador. Pelo contrário, seria até bastante justo, tendo em vista o que representaram as duas últimas temporadas à história dos Arsenalistas. Primeiro com o inédito vice-campeonato nacional de 2009/10, obtido após uma campanha memorável (foram 19 rodadas na liderança e outras 11 no segundo lugar, das 30 que envolvem a Liga Portuguesa) e que classificou os Bracarenses pela primeira vez a uma Liga dos Campeões. E depois com o talvez ainda mais incrível vice da Liga Europa, depois de a equipe, oriunda da fase de grupos da LC, deixar até o poderoso Liverpool pelo caminho.

Evidente que o sucesso do Braga nessas duas temporadas não se deve unicamente a Domingos. Como já se falou, os minhotos vêm em uma ascendente futebolística há quase 10 temporadas, quase sempre marcando presença no “top 5” luso e em competições europeias, fruto de um projeto de longo prazo desenvolvido no clube que vê amadurecer cada vez mais a possibilidade de um título. Porém, é inegável que no fator campo, o treinador teve papel importante. Construiu uma equipe compacta, muito bem organizada defensivamente e disciplinada taticamente, que tornou importantes e decisivos jogadores que, por aqui, poucos apostariam como úteis (Lima, Moisés, Salino, Vandinho, Paulo César, Mossoró…).

O padrão adotado por Domingos no time arsenalista deu tão certo que até o atual comandante, Leonardo Jardim, não promoveu grandes mudanças na forma do time jogar. Na verdade, ainda que com alguma irregularidade, tem mantido o estilo de jogo compacto e contado com uma eficácia ofensiva maior que outrora, além de mostrar força no desafio de recompor quase que todo o sistema defensivo – já que boa parte do setor se desfez na última janela de verão. Os números da defesa, aliás, são até superiores. Até o momento, em 25 jogos, o Braga de Jardim sofreu 25 gols (média de 1 gol/jogo), enquanto em 2010/11, foram 61 tentos sofridos em 54 partidas (média de 1,12 gols/jogo) pelo Braga do ex-treinador.

No Sporting, curiosamente, Domingos trabalha de forma não muito diferente. Continua atuando com quatro homens atrás (onde curiosamente tem como apostas dois ex-bracarenses, Alberto Rodriguez e Evaldo), três no meio e três a frente. A maior diferença é que, pelos Leões, costuma montar um time mais ofensivo do que em seus anos de Braga, geralmente apostando em um meia de presença mais intensa no ataque (no time minhoto, o técnico encerrou a última temporada com dois volantes e Hugo Viana, que não é exatamente um jogador ofensivo, completando o setor) e dois meias com qualidade de marcação, sendo um deles (Stjin Schaars ou Elias) capaz de auxiliar os três homens de frente e outro mais marcador.

O jogo de domingo em si promete equilíbrio. O Sporting não está jogando mal, mas os números recentes já não são dos melhores (uma vitória nos últimos seis jogos). Por outro lado, o Braga venceu cinco das últimas seis partidas e vive uma ascendente importante na briga por uma vaga na próxima Liga dos Campeões – que hoje parece ser o grande desejo de ambos os times, embora os Leões ainda discursem como candidatos ao título. Sem o artilheiro Ricky Van Wolfswinkel, o time lisboeta perde poderío ofensivo, enquanto os bracarenses, que já contaram com o retorno de Custódio na vitória sobre o Beira-Mar, devem mais uma vez apostar no volante, decisivo na última Liga Europa e recuperado de uma séria lesão.

Independente do resultado do final de semana – e vale salientar, qualquer lado que saia vencedor não será uma zebra –, o carinho da torcida bracarense por seu antigo comandante não se modificará tão facilmente. Pode até ser que nada, absolutamente nada, ocorra de especial nesse sentido antes, durante ou depois da partida. Pode ser que Domingos entre e saia de campo impassível, que os adeptos presentes no Municipal de Braga até ignorem a presença do treinador. Mas certamente, tanto o nome de Domingos Paciência está escrito na história do Braga como o time minhoto está marcado no currículo do ainda promissor técnico português. E isso, não há o que possa mudar.

Mais Primeira Liga

O Benfica assumiu a liderança da Liga Zon Sagres ao golear um cada vez mais irreconhecível União de Leiria por 4 a 0, fora de casa. Beneficiadas pelo empate do Porto no clássico com o Sporting, em Alvalade, as Águias foram a 36 pontos e abriram dois para os Dragões. A igualdade, por sua vez, também foi ruim aos Leões, que com 28 pontos – oito, portanto, atrás do Benfica –, permitiram que o Braga encostasse com a vitória por 2 a 1 sobre o duro Beira-Mar. Os Arsenalistas somam os mesmos 28 pontos que os lisboetas, mas estão atrás no saldo de gols (14 a 13). Quem comemorou foi o Rio Ave, que bateu o lanterna Paços de Ferreira por 1 a 0 e deixou a zona de rebaixamento – agora ocupada por Paços e Leiria.

No tocante ao clássico, viu-se um jogo de dois tempos distintos. Nos 45 minutos iniciais, uma partida que se não primava pela qualidade técnica, mostrou ao menos um ritmo bem agitado de ações. O Porto esteve melhor nos primeiros momentos do confronto, mas caiu de produção à medida que o Sporting acertou a marcação no meio-campo e em Hulk – que, parece, é a única arma com a qual os Dragões contam no instante. Na etapa final, porém, a queda de rendimento de ambos os lados foi brusca, com apenas um lance real de gol, incrivelmente perdido por Marat Izmailov, logo após uma furada de Wolfswinkel. No fim, o empate acabou ficando de bom tamanho, pelo que foi apresentado em Alvalade.

Pantera Negra

Maior jogador da história de Portugal, Eusébio está em recuperação de uma cervicalgia. O ex-jogador, que no próximo dia 25 comemora 70 anos de vida, esteve internado da última quinta até terça-feira no Hospital da Luz, em Lisboa, em razão da enfermidade. Foi a segunda vez em questão de um mês que Eusébio precisou ser internado. Em dezembro, o Pantera Negra também esteve no hospital em virtude de uma pneumonia bilateral. As informações que circulam na imprensa lusa é de que o antigo atacante do Benfica está “sereno, tranquilo e otimista”. Fica a torcida da coluna pelas melhoras daquele que, certamente, é um dos grandes nomes e ícones do futebol mundial em todos os tempos.

Liga de Honra

Somente três times venceram na 14ª rodada da Liga de Honra. Destaque para a vitória do Moreirense sobre o Santa Clara por 2 a 0, que levou a equipe aos 24 pontos, novamente na vice-liderança da competição. O Moreirense acabou beneficiado pelo empate do Leixões (terceiro, 23 pontos) com o ainda líder Estoril, que foi a 26 pontos com a igualdade. O Desportivo Aves, por sua vez, aproximou-se do G2 ao bater o Freamunde fora de casa por 2 a 1. O resultado levou o Aves ao quarto lugar com os mesmos 23 pontos de Leixões e do decadente Atlético – que dessa vez empatou em casa com o vice-lanterna União da Madeira. O artilheiro do certame é Adriano, do Oliveirense, com 8 gols.

II Divisão

Campeão português de 2000/01, o Boavista segue firme na luta pelo acesso ao segundo escalão português. Pela 14ª rodada da chave Centro da II Divisão (Terceira Divisão), os axadrezados bateram o São João Ver por 2 a 1 e foram a 32 pontos, um atrás do Espinho – que perdeu do Gondomar no final de semana. O próximo adversário dos portuenses é o Tondela, que também soma 32 pontos e vem em terceiro lugar pelo saldo de gols. Na chave Norte, a liderança é do Varzim, que na rodada passada superou o Ribeirão e foi a 30 pontos em 14 jogos, três diante do vice-líder Ribeira Brava. Já na chave Sul, o Oriental manteve a ponta ao golear o lanterna Caldas por 5 a 0 e ir a 30 pontos, dois a frente do Toreense.