O retorno de Petr Cech ao Chelsea era apenas questão de tempo. A imprensa inglesa divulgou o interesse do clube em contar com seu antigo goleiro na diretoria – o que gerou desconforto às vésperas da decisão da Liga Europa. Mas, pendurada as luvas com a camisa do Arsenal, o veterano irá mesmo voltar a Stamford Bridge. Nesta sexta-feira, os londrinos confirmaram que o tcheco ocupará o cargo de Conselheiro Técnico e de Desempenho. Atuará em várias frentes, analisando também a performance dos jogadores da base e dos atletas emprestados a outras agremiações. Regressa como um símbolo vitorioso – em um momento no qual Frank Lampard é a possível cartada como novo treinador.

Cech realizará um trabalho em conjunto à diretora Marina Granovskaia, que encabeça o departamento de futebol do Chelsea. Fará a ponte entre o comando e o campo. “Eu me sinto privilegiado em ter essa oportunidade de retornar ao Chelsea novamente e ajudar a criar o melhor ambiente possível para o alto nível, continuando o sucesso que o clube teve ao longo dos últimos 15 anos. Estou ansioso pelo novo desafio e espero que possa usar todo o meu conhecimento de futebol e a minha experiência para ajudar o time a alcançar novas conquistas no futuro”, declarou o ex-goleiro.

A história de Cech no Chelsea é marcada por seu talento e também por seu comprometimento. Tornou-se o maior goleiro da história do clube, com 15 troféus erguidos e 494 partidas disputadas, 228 delas sem sofrer gols. O bicampeonato da Premier League entre 2004 e 2006 guardou a fase mais consistente do goleiro, embora sua trajetória vá além, marcada principalmente pelo acidente em campo que quase custou sua carreira e o levou a usar seu característico capacete. A recuperação veio com mais conquistas e atuações fantásticas, em especial nos mata-matas da Champions League 2011/12. Os três pênaltis defendidos na decisão contra o Bayern de Munique alçaram o camisa 1, ao lado de Didier Drogba, como grandes responsáveis pelo feito histórico.

“Queria considerar todas as opções e preciso dizer que muita gente estava tentando me persuadir a continuar jogando. Mas essa oferta do Chelsea tem um lado pessoa para mim, porque construí uma grande história com este clube. Era a melhor oportunidade e, no fim, me sinto muito feliz e privilegiado. Terei muita responsabilidade. Estarei trabalhando perto de cada departamento – desempenho, recrutamento, comissão técnica”, afirmou o veterano.

“Quando você é jogador, vê as coisas de maneira um pouco diferentes. Posso usar isso como vantagem, porque sei o que os jogadores sentem e o que preferem para dar o melhor a cada dia. É algo que conheço, o que é preciso para se preparar para um jogo de alto nível, e é o que gostaria de criar, um ambiente favorável a isso. A experiência no Arsenal foi valiosa para viver um clube diferente, que não teve tantas mudanças nos últimos anos. Tenho que dizer que conheço o Chelsea muito bem. Conheço a maioria das pessoas no clube. Tenho uma ótima ideia de como o clube é conduzido”, complementou.

A saída de Petr Cech para o Arsenal guardou mágoas a alguns torcedores. Sem espaço no Chelsea, preferiu seguir vivendo em Londres com a família e assumiu a titularidade de outro clube importante. Porém, seu profissionalismo não deveria ficar em xeque. E a gratidão ainda foi sentida nas vezes em que o veterano retornou a Stamford Bridge. Agora, esta aura se incide diretamente sobre o elenco, com uma conhecida liderança nos bastidores. Em mais um momento de instabilidade da diretoria, a figura do ídolo serve de escudo, mas também não há dúvidas de que pode contribuir com sua experiência e seu caráter.

Diante do anúncio, vale resgatar a memória mais forte que Cech deixou no Chelsea: suas inúmeras defesas. A história inigualável de quem deseja ampliá-la: