O Allianz Parque recebeu um clássico movimentado e emocionante, mas não necessariamente exuberante. O refinamento técnico, porém, será o de menos quando o Palmeiras se lembrar de mais uma vitória fundamental em sua caminhada na luta pelo título do Campeonato Brasileiro. Depois de abrir boa vantagem e ceder o empate ao Santos, os alviverdes conseguiram buscar a vitória por 3 a 2, sob chuva torrencial. O time de Luiz Felipe Scolari emenda seu 17° jogo de invencibilidade na competição e reafirma algumas de suas virtudes. Com o triunfo em um dos compromissos mais difíceis nesta reta final de campanha, a crença pela taça palmeirense se agiganta.

Um dos maiores desafios ao Palmeiras neste sábado seria lidar com o próprio psicológico. O time sofreu uma dolorosa eliminação durante a semana e precisaria reagir. A escalação, com várias mudanças em relação ao empate com o Boca Juniors, evitava um desgaste físico maior. E a postura dos alviverdes valeu bastante, fazendo o seu jogo, confiando em suas forças. Pareciam dispostos a resolver logo. Não demorou para que os anfitriões deixassem o clássico no Allianz Parque sob seu controle e começassem a flertar com o resultado positivo.

O Palmeiras logo criou suas chances. Edu Dracena cabeceou com perigo, antes que Lucas Lima exigisse boa defesa de Vanderlei. Já a segurança veio aos 13 minutos, com o primeiro gol. A ligação direta deu resultado, em lance que começou com um lançamento de Weverton. A liberdade a Jean foi chave na jogada, com o lateral avançando pela direita, antes de passar a Borja. O centroavante parou em Vanderlei, mas a sobra ficou limpa para Dudu anotar. Mais um tento decisivo do artilheiro, essencial neste Brasileirão.

O Santos parecia pilhado e tinha dificuldades para criar, brecado pela forte marcação palmeirense. Thiago Santos fazia um ótimo trabalho na cabeça de área, fechando os espaços. A chuva aumentava e tornava o jogo mais lento, com o gramado pesado – o que atrapalhava também o sempre vigiado Rodrygo, costumeira válvula de escape dos santistas. Assim, em sequência morna do jogo, os palestrinos aguardaram o momento certo para comemorar. Aos 39, Dudu cobrou escanteio e Edu Dracena apareceu na área para arrematar de cabeça, ampliando a diferença.

A vantagem indicava uma atuação mais contida do Palmeiras rumo ao segundo tempo. Por isso mesmo, depois de tanto desencontro, o Santos precisava mudar a sua postura. E foi outro time na etapa complementar, com as entradas de Copete e Bryan Ruiz. O primeiro sinal veio logo aos dois minutos, com Carlos Sánchez fazendo Weverton trabalhar e Copete desperdiçando a sobra. Os alviverdes tinham mais espaço para atacar em velocidade e por pouco não ampliaram. Ainda assim, a iniciativa era do Peixe, que descontou aos nove minutos. Sánchez ajeitou cruzamento de Dodô, Edu Dracena furou e Copete ficou livre para emendar. Já aos 19, aconteceu o empate. Dracena não afastou totalmente e, dentro da área, Dodô definiu com categoria, por baixo de Weverton.

Felipão logo tentou consertar a marcação, com Felipe Melo fechando o meio e Thiago Santos deslocado à direita, onde as costas de Jean haviam se tornado uma avenida. E a reação do Santos logo se esfacelou, com o terceiro gol do Palmeiras saindo aos 25. Lance de sorte de Victor Luís, que soltou a bomba em cobrança de falta e viu a bola desviar nas costas de Derlis González. Vanderlei estava nela, mas falhou feio e permitiu que o chute entrasse. O novo empate seria quase instantâneo, mas Sánchez não chegou a tempo em cruzamento na área alviverde. E a situação do Peixe pioraria aos 34, quando Diego Pituca recebeu o segundo amarelo, após acertar Gustavo Scarpa. Com um a menos, os alvinegros esfriaram. Já os palmeirenses, visivelmente em seu limite físico, se esforçaram um pouco mais para administrar o placar favorável até o apito final. Três pontos que valem bastante.

O Santos faz um campeonato de recuperação. Depois de um início preocupante, ganhou impulso principalmente com a chegada de Cuca e as contratações de estrangeiros. Segue no páreo pela Copa Libertadores, mesmo que o tropeço tenha freado a possibilidade de entrar no G-6. Nada que console após a derrota no clássico, que permite ao Palmeiras a acreditar ainda mais no título. Os alviverdes chegam aos 66 pontos, sete de vantagem, aguardando a rodada em que São Paulo e Flamengo se enfrentam no Morumbi. Olhando a sequência da tabela, os palestrinos não têm muito a temer, pegando quatro clubes que lutam contra o rebaixamento. Recompensa mais que bem-vinda, após a desilusão na Libertadores. A Série A cai no colo dos palestrinos pela qualidade do elenco e pela consolidação do time. A vitória deste sábado é um símbolo.