Abnegação foi a palavra de ordem ao Atlético de Madrid nesta quarta-feira. A grande vitória sobre a Juventus no Wanda Metropolitano dependeu do excelente trabalho defensivo dos colchoneros. Os anfitriões negaram quaisquer possibilidades de criação à Velha Senhora e levaram raros sustos, limitados a bolas paradas. Quando precisaram, Jan Oblak estava sempre atento. Mas a vida do goleiro, vital em diversos momentos nas últimas temporadas, foi bem mais tranquila desta vez. Afinal, suas duas linhas de companheiros à frente da área ofereceram uma aula de marcação. Trancaram os espaços, mantiveram a firmeza nas divididas, seguiram à risca a compactação. E mais emblemático ainda que o triunfo tenha sido provocado pelos dois zagueiros. Diego Godín e José María Giménez, em sua inseparável simbiose, foram os heróis no histórico resultado.

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Dá para discutir quem foi o melhor em campo no Metropolitano. Uma vitória maiúscula como esta depende muito mais da coletividade do que dos indivíduos. A exibição praticamente perfeita do Atleti na defesa só foi possível graças ao conjunto. Mais alguns nomes se sobressaíram um pouco mais. Mesmo não participando diretamente dos gols, Griezmann ajudou a desmontar a defesa da Juventus com sua movimentação e criou diversos lances agudos. Filipe Luís preencheu muito bem a lateral, inclusive no apoio, possibilitando os momentos de pressão dos colchoneros. O mesmo fez o interminável Juanfran, sobretudo marcando. Rodri e Thomas Partey dominaram a cabeça de área, evitando as aproximações. E o próprio Oblak operou seus milagres sempre que exigido. As duas faces do triunfo, no entanto, representam a garra charrua. A dupla de zaga consagrada.

Godín viveu alguns momentos de oscilação nos últimos meses. Nem sempre jogou bem e, de certa maneira, a queda de desempenho do Atlético nesta temporada parecia influenciada pelo descompasso do caudilho. Não foi o que se viu nesta quarta-feira de Champions. Godín estava implacável. Não apenas se continha a preencher os espaços na defesa e bloquear os juventinos. O veterano também saiu à caça de tornozelos, com muita pegada na marcação. É até discutível se não merecia o cartão amarelo. Todavia, esta imposição era mais do que necessária num jogo de tamanho peso. O capitão transmitia, especialmente a Cristiano Ronaldo, que ninguém teria vida fácil.

Giménez é o parceiro perfeito. Porque oferece a energia, a vivacidade, a juventude. A versatilidade do zagueiro é um de seus trunfos e, nesta vitória, ele sempre aparecia muito bem posicionado. Rifou mais bolas do que qualquer outro jogador em campo, impedindo as ligações da Velha Senhora. É um senhor defensor, mesmo que a idade afirme o contrário. Falta de experiência nunca foi problema a quem demonstra muita maturidade para a sua função. Outra vez, em uma ocasião tão pesada.

E eis que os deuses do futebol, em dois lances de luta, prepararam o tapete vermelho aos zagueiros rumo ao gol. Giménez precisou se esforçar pela bola. Primeiro na disputa com Bonucci, depois na sobra que pedia para ser chutada em sua frente. O carrinho é uma marca dos uruguaios também para encurtar o caminho às redes. A primeira explosão. Minutos depois, seria a vez de Godín. Mais um rebote, mais um lance de difícil definição. Sem ângulo, o veterano bateu e, ironia do destino, contou com o desvio em Cristiano Ronaldo. A segunda explosão. Mais um tento decisivo à vasta lista do capitão, o inesquecível protagonista na conquista de La Liga em 2013/14.

Em Turim, o Atlético de Madrid dependerá ainda mais de seus zagueiros. Precisará da melhor forma de Giménez e Godín, complementares, intransponíveis. E sabe que, se sobrar uma brecha, eles também podem resolver na frente. Os colchoneros sempre serão gratos àquilo que o Uruguai lhes deu. Desta vez, o presente foi uma vitória com a marca da era de Diego Simeone, outro que possui o sangue sul-americano correndo nas veias. São gigantes que encurtam distâncias e fazem os espanhóis sonharem tão alto.