Chamar a torcida do Paris Saint-Germain de “modinha” pode até ser condizente à impressão do que se nota no Brasil, mas nem de longe significa uma realidade ao que se vive na França. Como principal representante da capital, o PSG formou sua massa de torcedores a partir da década de 1970 e, desde então, sustenta uma expressiva média de público. Os parisienses já contaram com uma torcida violenta e racista, problema combatido na década passada. E que o Parc des Princes hoje seja um “ponto turístico” a mais pelos craques do elenco parisiense, também existe um esforço grande para se criar uma atmosfera quente nos jogos, apesar do afastamento dos antigos hooligans. É algo que se nota cada vez mais nas partidas.

O Collectif Ultras Paris ganhou permissão das autoridades para frequentar as arquibancadas em 2016, após o banimento que era imposto aos organizados no Paris Saint-Germain. Desde então, há um envolvimento grande para se gerar uma festa genuína e expor a faceta múltipla que existe ao redor da capital, abarcando também imigrantes. Os atuais ultras podem até ser agressivos em algumas questões, como bem se viu na insatisfação com Neymar, mas sabem conduzir o espetáculo. A estreia do PSG nesta Champions, contra o Real Madrid, mostrou o melhor lado do grupo.

Antes do jogo, os arredores do Parc des Princes foram tomados por torcedores em marcha. Já na entrada dos times em campo, rolou um belíssimo bandeirão atrás de um dos gols. Além do mais, durante os 90 minutos, o apoio dos parisienses foi intenso. A cantoria era bem audível durante a transmissão, enquanto os sinalizadores queimavam nas tribunas. Foi o empurrão que motivou o time na excelente vitória por 3 a 0. Foi também um exemplo da paixão que se vive ao redor de Paris, com ou sem o dinheiro dos xeiques.