Semana após semana, novos episódios de violência no futebol argentino seguem acontecendo. Nos últimos dez dias, a onda de ataques se intensificou e três partidas do Torneio Final precisaram ser interrompidas por conta de confrontos envolvendo torcedores e policiais. O ápice veio nesta segunda, quando a partida entre Estudiantes e Lanús foi suspenso no intervalo. Um torcedor do Lanús foi morto em La Plata durante briga nos arredores do estádio.

Javier Jerez, de 42 anos, fazia parte da barra brava do Lanús. Durante o primeiro tempo do jogo, um tumulto aconteceu nos arredores do estádio e torcedores visitantes começaram a deixar as arquibancadas. No meio do conflito, Jerez recebeu um tiro no peito da polícia, enquanto outro torcedor segue em estado grave.

Em consequência dos problemas ocorridos na rodada, o Ministro da Justiça e da Segurança suspendeu a presença de torcida visitante nos jogos que ocorrerem na província de Buenos Aires, independente da divisão. Além disso, Ricardo Casal determinou que a polícia não usará mais balas de borracha em espetáculos esportivos.

A medida paliativa serve para conter a crise instantânea, mas está longe de combater as raízes da violência no futebol argentino. Em julho de 2012, Ubiratan Leal entrevistou Gustavo Grabia, repórter do Olé e autor do livro La Doce, sobre a principal barra brava do Boca Juniors. E as perspectivas do jornalista não são as melhores, declarando que o “futebol argentino se transformou em um grande funeral”.

O assunto também foi amplamente discutido pelo colunista Marcelo Montanini, ao longo dos últimos meses. Em fevereiro, depois de outra sequência de episódios, a sensação era a mesma: “Futebol e violência convivem a cada rodada como se fizessem parte da mesma partida. Confrontos, tiros, feridos, mortes e… o esporte segue como eterno perdedor neste conflito deplorável, no qual vidas cessam por amor. Mas não é passional, quase sempre é doloso”.

O problema da violência no futebol, obviamente, não é exclusivo da Argentina. Mas a maneira como política e torcedores se envolvem tornam a questão bem mais delicada por lá. Combater os barras bravas, muitas vezes, significa limitar a ação da própria base que perpetua o poder. E enquanto nada é feito, é o próprio futebol que definha aos poucos no país.

O site Cancha Llena listou episódios de violência ocorridos ao longo dos últimos dez dias na Argentina. Para ler a cronologia completa, clique aqui:

31 de maio – Torcedores invadem o treino do Independiente.
1º de junho – Grupo não identificado arremessa bombas caseiras na sede do Racing.
2 de junho – Torcedor do River é esfaqueado antes de partida contra o Argentinos Juniors.
3 de junho – Juiz recebe denúncia de ligação de dirigentes do Boca Juniors com os chefes da barra brava, entre eles o vice-presidente e o secretário geral dos xeneizes.
7 de junho – Segundo na linhagem da barra brava do Boca, Maxi Mazzaro é preso, acusado por homicídio.
8 de junho – Torcida do All Boys entra em conflito com a polícia, estoura alambrado e jogo contra o Vélez é suspenso.
9 de junho – Torcida do Independiente rompe alambrado e atirara cadeiras nos setores destinados à torcida do River Plate no Monumental de Núñez.
10 de junho – Torcedor do Lanús é morto em confronto com a polícia.