Durante confronto contra o Vitória de Guimarães, Moussa Marega, atacante do Porto, foi vítima de insultos racistas, se revoltou e deixou o gramado, sem o apoio de seus companheiros – que, pelo contrário, tentavam dissuadi-lo da decisão. Depois do episódio, as redações da Vice na Inglaterra e na Alemanha resolveram perguntar aos clubes da Premier League e da Bundesliga qual seria sua reação em uma situação parecida. As respostas trazem alguma esperança sobre o futuro tratamento ao racismo, mas, na maioria, a sensação de “desapontado, mas não surpreso”.

Bayer Leverkusen, Borussia Dortmund e Hoffenheim foram os clubes alemães com respostas mais firmes. O Leverkusen o fez por meio de seu técnico, Peter Bosz, que disse em entrevista coletiva antes do duelo com o Porto pela Liga Europa que, se um de seus jogadores fosse vítima de racismo e deixasse o campo, “todos iríamos também, sem dúvidas. Porque somos todos o mesmo. Não importa sua aparência, se afeta um de nós, afeta todos nós”.

Já o Dortmund respondeu à Vice que “na situação descrita, seria completamente natural que o jogador (vítima de racismo) deixasse o campo primeiro, e nós o apoiaríamos o máximo possível”. Os aurinegros completaram o comunicado dizendo que qualquer torcedor seu que expressasse visões racistas não poderia fazer parte da família Dortmund e que seria excluído.

O Hoffenheim, por fim, foi hesitante no começo, dizendo que cada situação era diferente, mas terminou por afirmar que “se um incidente tão inaceitável de discriminação ocorresse, haveria um protesto conjunto imediatamente, com o abandono do campo sendo definitivamente uma opção”.

Outros clubes que disseram apoiar algum de seus jogadores que fosse vítima de racismo incluem Werder Bremen, Eintracht Frankfurt, Hertha Berlim, Schalke 04, Düsseldorf, Mainz e RB Leipzig. Dentre as reações levantadas estiveram opções como apoiar o atleta em qualquer que seja sua decisão, apontar o dedo para os racistas e puni-los, tomar uma atitude pública clara contra tais episódios e utilizar as tecnologias de vigilância no estádio para identificar os perpetradores.

O Colônia não chegou a dizer exatamente o que faria. Expressou sua oposição a todos os tipos de discriminação, mas disse adotar uma política de lidar separadamente com cada episódio. Porém, com um ponto sempre em comum: ficar do lado de seus jogadores sempre.

Freiburg, Augsburg e Wolfsburg, por fim, se limitaram a dizer, em diferentes versões, que se opõem contra racismo, xenofobia e qualquer tipo de discriminação, mas não ofereceram detalhes de como lidariam em situações como a vivida por Marega.

Por ora, Bayern de Munique, Borussia Mönchengladbach, Paderborn e Union Berlim não responderam ao veículo.

Premier League

O cenário observado na Inglaterra também foi misto, e apenas seis equipes disseram que provavelmente abandonariam o campo junto com um de seus atletas que decidisse fazê-lo: Liverpool, Arsenal, Manchester United, Tottenham, Southampton e Norwich. De resto, todos se limitaram à resposta protocolar de que o racismo é ruim e precisa ser combatido ou sequer comentaram.

Como consequência da matéria da Vice, usuários no Twitter cobraram seus clubes, como a fanzine de torcedores do Crystal Palace “Five Year Plan”: “Por favor, vocês podem esclarecer esta matéria? O clube deveria ter uma posição sobre isso. Somos um clube diverso orgulhoso, com uma rica história de escalar jogadores negros e apoiar jogadores adversários vítimas de racismo”.

Idealmente, a simples implementação de um protocolo seria o suficiente, sem termos que nos perguntar sobre a postura dos atletas em si. Infelizmente, não só ele é falho como também precisamos ainda ver cenas como a de que Marega foi vítima: sem respaldo da arbitragem e sem o apoio de seus companheiros em campo, coube a ele próprio interromper os insultos ao se retirar do gramado.