O encontro com a Bolívia pedia uma outra atitude para a Venezuela. A Vinotinto não poderia se resguardar de novo na defesa, em estratégia que rendeu empates contra o Peru e o Brasil. Os venezuelanos necessitavam da vitória para garantir a classificação à próxima etapa da Copa América e, por isso mesmo, Rafael Dudamel armou uma equipe mais solta. Em certos momentos, seus comandados se descuidaram atrás. Em compensação, produziram bastante no ataque, especialmente no segundo tempo. Com boas jogadas pelos lados de campo e a bem-vinda participação dos substitutos, a Venezuela ganhou por 3 a 1 no Mineirão. Com o tropeço do Peru, confirmou a segunda colocação no Grupo A, avançando aos mata-matas pela quarta vez nas últimas cindo edições do torneio.

Escalações

Rafael Dudamel apostou em uma Venezuela um pouco diferente. Escalou o time no 4-2-3-1, deixando de lado o 4-1-4-1 compacto das primeiras rodadas. Ganhava mais qualidade na armação. Além disso, alguns jogadores recebiam uma chance. O treinador mudou a dupla de zaga, que se saiu tão bem contra o Brasil, confiando em Jhon Chancellor e Luis del Pino. Mais à frente, também apareciam Juan Pablo Añor e Jefferson Savarino. Já a Bolívia deveria vir mais avançada no 4-2-3-1. Eduardo Villegas trocou seus três meias, com Cristian Arano, Leonardo Vaca e Ramiro Vaca apoiando Marcelo Moreno.

Mineirão vazio

A tabela não ajudava. E o Mineirão realmente estava vazio para o jogo deste sábado, simultâneo ao encontro do Brasil com o Peru. Foram apenas 4,6 mil pagantes, em público total que não superou os 11,7 mil. A renda ficou em R$631 mil.

O gol instantâneo da Venezuela

Demorou apenas um minuto para que a Venezuela abrisse o placar. Contou com o bom trabalho de seus jogadores de lado de campo, mas também com o cochilo da Bolívia, desligada durante estes primeiros instantes. Em troca de passes com liberdade, Hernández recebeu na direita e cruzou em direção ao segundo pau. Diego Bejarano ficou esperando a bola, enquanto Machís tomou à sua frente e saltou para cabecear. Caixa. Enorme bobeira do lateral, que ouviu a merecida bronca do goleiro Carlos Lampe.

Fariñez, sempre fantástico

Diante de sua péssima situação, a Bolívia precisava sair mais para o jogo. Teve uma ótima chance de empatar aos sete minutos. Arano recebeu na entrada da área e soltou a bomba. O goleiro Fariñez deu uma leve triscada na bola, com a ponta dos dedos, suficiente para desviá-la rumo à trave. Milagre que garantia a tranquilidade à Venezuela. O time atuava de maneira controlada, tocando a bola. Rincón e Moreno ditavam o ritmo na cabeça de área.

A fluidez da Vinotinto e o susto da Bolívia

A Venezuela variava o apoio. Pela esquerda, Machís era mais incisivo. Enquanto isso, Añor e Savarino trocavam de posição pelo lado direito. Faltava caprichar um pouco mais no passe final. A Bolívia realizou sua primeira alteração ainda no primeiro tempo. Leonardo Vaca saiu para dar lugar a Raúl Castro, na tentativa de deixar Marcelo Moreno menos isolado à frente. E o substituto logo deu seu cartão de visitas, carimbando a trave aos 36. A Bolívia cresceu neste momento, avançando mais e aproveitando os espaços na entrada da área adversária. Ainda assim, a melhor chance antes do intervalo foi da Vinotinto, com Savarino forçando boa defesa de Lampe em chute cruzado.

Machís resolve

A Bolívia até avançou no segundo tempo, mas sofria para trabalhar a bola na área da Venezuela. O único susto veio em chute de longe, com Arano, que Fariñez pegou com segurança. E a Vinotinto resolveria a parada aos dez minutos. Machís provou que merecia mesmo o prêmio de melhor em campo. Recebeu na ponta esquerda, se livrou de dois marcadores com um só corte e chutou. A bola saiu do alcance de Lampe, dando sossego aos venezuelanos na condução do triunfo.

Sem esforço, Venezuela vai criando

A Bolívia sentiu o baque e demorou um pouco a reagir. Só ameaçou graças a um erro de Fariñez. O goleiro rebateu mal o chute de Marcelo Moreno e Arano quase aproveitou o rebote, mas Chancellor salvou em cima da linha. Do outro lado, a Venezuela acordaria e quase anotaria o terceiro. Rondón mandou para fora, antes de Machís emendar um voleio que passou muito próximo à trave. Soteldo saiu do banco e animou a Vinotinto. Seria ele o responsável pelas principais jogadas. Lampe também teria trabalho, espalmando chute forte de Savarino.

Martínez e Soteldo aproveitam a oportunidade

Nos minutos finais, Dudamel testou a sua formação. Colocou Josef Martínez em campo e compôs uma dupla de ataque com Rondón. A Bolívia ainda perderia Marcelo Moreno, sentindo uma lesão muscular na coxa. Rondón quase fez o terceiro, em cabeçada que bateu na trave. Já aos 36, a Bolívia pelo menos anotou seu gol de honra. Justiniano recebeu na entrada da área e chutou por baixo das pernas de dois marcadores, em bola matreira que foi no canto da meta de Fariñez. Foi uma exceção. Cinco minutos depois, a Venezuela esfriou qualquer reação de La Verde. Soteldo produziu boa jogada pela esquerda e, na linha de fundo, botou a bola na cabeça de Martínez, que cumprimentou para dentro. O centroavante fechava o caixão. No fim, Martínez ainda poderia ter feito mais um em outro cruzamento de Soteldo, mas cabeceou para fora.

Nos mata-matas

Com a segunda colocação do Grupo A, a Venezuela aguarda quem passar em segundo no Grupo B – o mais aberto da Copa América até o momento. Entra em campo apenas na próxima sexta-feira, 28 de junho, no Maracanã. Dudamel terá tempo para acertar os ponteiros e ampliar uma campanha já marcante da Vinotinto.

Ficha técnica

Venezuela 3×1 Bolívia

Local: Mineirão, em Belo Horizonte
Árbitro: Esteban Ostojich (URU)
Gols: Darwin Machís, aos 2’/1T; Darwin Machís, aos 10’/2T; Leonel Justiniano, aos 36’/2T; Josef Martínez, aos 41’/2T.
Cartões amarelos: Leonel Justiniano, Raúl Castro (Bolívia)
Cartões vermelhos: Nenhum

Venezuela: Wuilker Fariñez, Ronald Hernández, Jhon Chancellor, Luis del Pino, Roberto Rosales; Júnior Moreno, Tomás Rincón; Jefferson Savarino, Juan Pablo Añor (Yeferson Soteldo), Darwin Machís (Josef Martínez); José Salomón Rondón (Jhon Murillo). Técnico: Rafael Dudamel.

Bolívia: Carlos Lampe, Marvin Bejarano (Roberto Fernández), Luis Haquín, Adrián Jusino, Diego Bejarano; Leonel Justiniano, Fernando Saucedo; Leonardo Vaca (Raúl Castro), Ramiro Vaca, Cristian Arano; Marcelo Moreno (Gilbert Álvarez). Técnico: Eduardo Villegas.