Se, para o público internacional, a liga italiana pretende passar uma imagem mais positiva com o fim das tomadas de ultras e de cenas violentas protagonizadas em campo, para o público nacional, essa imagem não poderia estar mais manchada. A Guarda de Finanças, polícia tributária italiana, abriu um inquérito para investigar uma possível corrupção no processo de venda dos direitos de televisão da Serie A entre 2015 e 2018.

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O inquérito foi aberto ainda em maio, mas o escândalo explodiu nesta terça-feira, após a apreensão de documentos por parte da Guarda de Finanças nos escritórios da Lega Serie A e nas sedes de alguns clubes da primeira divisão italiana.

A investigação gira em torno da empresa de marketing esportivo Infront, presidida por Philippe Blatter, embora o sobrinho de Joseph Blatter inicialmente nada tenha a ver com o escândalo. Segundo a imprensa italiana, o presidente da filial italiana da companhia, Marco Bogarelli, e mais dois associados, Andrea Locatelli e Giuseppe Ciocchetti, teriam manipulado o processo de negociação dos direitos de televisão domésticos da Serie A.

A suspeita é de que o leilão tenha sido fechado, impedindo a participação de outras emissoras interessadas na compra dos direitos, com um acordo prévio entre emissoras e clubes tendo sido arranjado por Bogarelli. As negociações aconteceram no ano passado, e Sky Italia e Mediaset desembolsaram € 2,82 bilhões para transmitirem o torneio entre 2015 e 2018.

Na última sexta-feira, o consultor tributário Andrea Baroni, que trabalha para a MP & Silva e tem a Infront no seu quadro de clientes, foi preso, acusado de lavagem de dinheiro e evasão fiscal. A MP & Silva é a detentora dos direitos de transmissão internacionais da Serie A.

Além disso, a investigação italiana aponta um pagamento de € 15 milhões de Riccardo Silva, presidente da empresa, ao Genoa. Outro clube investigado pela Guarda de Finanças é o Bari, que recebeu € 460 mil da Infront para estampar o logo da empresa em sua camisa reserva.

O posicionamento da Infront foi o de reconhecer a investigação em cima de Bogarelli, Locatelli e Ciocchetti, mas de reforçar que a empresa em si não está sob investigação. Como os desdobramentos do Fifagate nos têm ensinado, acreditar cegamente em fontes oficiais dos órgãos investigados não é a coisa mais perspicaz, então vale a pena acompanhar o que mais o governo italiano descobre sobre o caso. Tendo em mente que manipulação nas negociações de direitos de transmissão de um campeonato não é coisa nova no futebol.