É possível descrever o modus operandi de um erro de arbitragem deste modo, no futebol brasileiro: o juiz erra. E não é uma vez só: erra repetida e irritantemente, por baixo nível técnico. O que causa a reclamação do time prejudicado – e, não raro, o menosprezo do adversário. Tais reclamações duram alguns dias. Depois, caem no esquecimento. E costumeiramente, os erros se repetirão dali a algumas rodadas – e o querelante de ontem será o querelado de hoje, e vice-versa. Esse moto contínuo teve mais um capítulo no Corinthians 1×1 São Paulo, na 33ª rodada deste Campeonato Brasileiro.

Tal capítulo teve quatro momentos cruciais. O primeiro, aos 34 minutos da etapa inicial – claro, na defesa que Jean fez, possivelmente tirando de dentro do gol a bola desviada por Danilo, após cruzamento de Jadson escorado por Ralf. Nada que pudesse esconder a hesitação do auxiliar de linha de fundo, que nada apontou ao juiz Rodolpho Toski. Este, por sua vez, seria protagonista do segundo e do terceiro momentos aborrecedores, já no final do primeiro tempo: o suposto pênalti de Bruno Peres em Romero, aos 43 minutos, e a expulsão de Ângelo Araos, aos 48 minutos. Este último, não pelo lance ser duvidoso: o chileno mereceu o cartão vermelho, por um tapa no rosto de Reinaldo. O problema foi Toski dar o cartão só depois de avisado pelo auxiliar, depois do amarelo dado ao meio-campista e do apito final. Finalmente, já nos 45 minutos complementares, outro pedido de pênalti para os mandantes na Arena Corinthians – a bola na mão de Arboleda, aos 15 minutos.

Tais erros minoram a possibilidade de se conversar sobre um jogo movimentado. Não necessariamente bom (longe disso), mas movimentado. Pela superioridade e pela insistência corintianas: mesmo ainda dependente de Jadson, o time de Jair Ventura foi até melhor depois de ter ficado com dez homens em campo, apostando nos contra-ataques – e num deles, fazendo 1 a 0, com Ralf. E pela reação do São Paulo: sem muita força ofensiva após a saída de Gonzalo Carneiro, desorganizado mesmo após as entradas de Éverton e Nenê, conseguiu o empate já no fim, com o contestado Brenner.

Não que o 1 a 1 tenha aliviado muito a situação corintiana, que ainda inspira cuidados. Nem que vá aliviar as críticas sobre a reta final desanimada e desorganizada do São Paulo no Campeonato Brasileiro. Mas ele será um assunto menor, diante da velha história da arbitragem brasileira: erros e mais erros, numa repetição chata até para quem a descreve. O pior é saber que essa rotina continuará. Já neste domingo, quem sabe?

 


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