Por Emmanuel do Valle, jornalista e dono do blog Flamengo Alternativo

Em toda a história mais do que centenária do Campeonato Carioca, apenas duas edições oficiais – ou seja, das que contaram com pelo menos alguns dos grandes clubes da cidade – não foram conquistadas por Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, America ou Bangu. O primeiro nome dissonante na lista de campeões é o Paissandu, representante da colônia britânica e hoje sobrevivendo apenas como clube social, que venceu o torneio de 1912. O outro, este com futebol ainda em atividade, é o São Cristóvão. Há exatos 90 anos, o clube do antigo bairro imperial do Rio de Janeiro derrubou os papões para escrever seu nome na história da competição, levantando a taça de maneira surpreendente, ainda que categórica.

Fundado em 1909, o São Cristóvão Atlético Clube estreou na elite do Campeonato Carioca em 1913 e fez campanhas quase sempre discretas até então. A melhor colocação obtida havia sido o terceiro lugar em três ocasiões (1918, 1923 e 1924), mas em todas elas o time de uniforme único e completamente branco já chegara às partidas finais fora da briga pelo título. Em 1916, o clube deixara de disputar seus jogos em um terreno público, sem cercas, localizado na Praça Marechal Deodoro (atual Campo de São Cristóvão), mudando-se para o recém-construído estádio da Rua Figueira de Melo.

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O novo estádio, que acabou popularmente conhecido pelo nome da rua, tornou-se um alçapão: com sua torcida tida como barulhenta e encrenqueira, o São Cristóvão era um adversário temido quando enfrentado em seus domínios (embora nem sempre a equipe tivesse condições técnicas para se aproveitar disso). Em frente ao novo campo, na Rua Pedro II, ficava o quartel do 1º Regimento de Cavalaria Divisionário. Pela proximidade, vários aspirantes e oficiais militares passaram a torcer pelo clube – o que lhe valeu o apelido de “time dos cadetes”, ao qual até hoje é associado.

Dez clubes disputaram aquele campeonato de 1926, organizado pela Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA). Quatro eram da Zona Sul (Flamengo, Fluminense, Botafogo e o Sport Club Brasil, da Urca). Outros quatro da Zona Norte, sendo três da região da Tijuca (America, Villa Isabel e Syrio e Libanez) mais o São Cristóvão. Havia ainda o Vasco (que tinha sede no Centro, na Rua Santa Luzia) e o Bangu (da distante Zona Oeste). Naquela altura, Fluminense, Flamengo e America eram, nesta ordem, os maiores vencedores da competição. O Botafogo, embora grande, atravessava jejum prolongado. E havia o Vasco, progressivamente consolidando-se como força. Estes cinco eram os mais cotados ao título.

Disposto a alterar esse panorama, o industrial Álvaro Teixeira Novaes passou a colaborar com o São Cristóvão – na época presidido por Amadeu Macedo – como uma espécie de patrono. Vivia-se sob o regime amador, no qual os jogadores tinham outras profissões além do futebol e não recebiam dos clubes mais que uma ajuda de custo. Porém algumas agremiações já ofereciam gratificações – os chamados “bichos” – aos seus atletas, além de empregá-los em atividades mais leves, que os permitissem ter mais tempo para os treinamentos da equipe. Era o chamado “amadorismo marrom”.

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Para comandar os treinamentos daquele grupo de jogadores e dirigir a equipe à beira do campo, o nome encontrado já fazia parte do elenco alvo. Luiz Vinhaes, 29 anos, funcionário público e jogador do clube há cerca de dez anos. Também era dirigente do São Cristóvão e árbitro da liga (naquele tempo era comum). Era, no entanto, uma pessoa notável pela liderança que exercia entre os companheiros. Enérgico e disciplinador (apesar de “boleiro”), exigia amor à camisa, controlava até as horas de sono dos comandados e ministrava puxadas sessões diárias de corrida e treinos, o que dava aos atletas um preparo físico fora do comum para a época – a mesma receita posta em prática pelo Vasco para levantar o título de 1923.

Antes do início da temporada, porém, o elenco cadete já havia sofrido uma baixa considerável: a saída do centromédio Nesi, um dos principais destaques do time, jogador que havia defendido a Seleção Brasileira nove vezes em 1922 e 1923, e agora havia se transferido para os cruzmaltinos. Sem ele, a escalação padrão do São Cristóvão para aquela temporada, utilizada em praticamente todos os jogos, seria a seguinte – dentro do esquema tradicional da “pirâmide”, ou 2-3-5: Paulino era o goleiro, secundado pelos zagueiros Póvoa e Zé Luiz. A linha média trazia Julinho, Henrique e Alberto. Já o ataque alinhava Osvaldo, Otávio Jaburu, o centroavante Vicente, Artur Baianinho e Teófilo.

O início da campanha

A rodada de abertura do campeonato veio no dia 4 de abril, com o São Cristóvão recebendo o Botafogo em Figueira de Melo para uma partida que seria bem simbólica da capacidade – sobretudo física – daquele time: o time cadete foi para o intervalo vencendo por 3 a 2, sofreu o empate botafoguense logo no retorno, mas daí em diante, aproveitando o cansaço do adversário, não teve dificuldade para definir o placar em folgados 6 a 3, com todos os seus gols marcados por seu trio central ofensivo – três de Otávio, dois de Vicente e um de Artur. A nota curiosa foi a presença de Luiz Vinhaes em campo atuando como centromédio (pela única vez naquele certame), antes de se dedicar exclusivamente a dirigir o time como técnico.

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Aquele campeonato de 1926 foi também bastante marcado pelas confusões e invasões de campo pelos torcedores. Já não se vivia mais num tempo em que o público se limitava a aplaudir os lances, gritar palavras de incentivo e saudar os vencedores. A pressão das arquibancadas já era um elemento muito presente. E logo na segunda rodada, no jogo em que o São Cristóvão visitou o Fluminense nas Laranjeiras, houve “sururu”, como se dizia na época. No começo do segundo tempo, protestando contra a marcação de uma falta do atacante tricolor Moura Castro no goleiro Paulino, a torcida da casa invadiu o gramado, num distúrbio generalizado que interrompeu o jogo por vários minutos. Pouco depois, o zagueiro são-cristovense Zé Luiz se lesionou e deixou seu time com dez (as substituições eram permitidas apenas no intervalo, segundo o regulamento da liga). Assim, o Tricolor não teve dificuldades para golear por 6 a 2.

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Três dias depois, em 21 de abril, o time cadete se recuperou derrotando o Villa Isabel por 3 a 2 no estádio do America, na Rua Campos Sales, com direito a pênalti defendido por Paulino. O próximo desafio era o forte time do Vasco, numa partida com mando do adversário e disputada no campo do Flamengo, na Rua Paysandu – a inauguração de São Januário viria apenas no ano seguinte. Depois de os cruzmaltinos abrirem o placar na etapa inicial com Torterolli, o São Cristóvão chegou à virada no segundo tempo com gols de Henrique (o melhor em campo segundo a crônica) e Otávio, e só não ampliou graças à grande partida do arqueiro vascaíno Nelson.

Feita uma pausa na disputa do Campeonato Carioca, o São Cristóvão foi a São Paulo. Na capital paulista, enfrentou em amistoso o São Bento local, campeão estadual no ano anterior, e conquistou boa vitória por 3 a 2 no estádio do Palestra Itália. De volta ao Rio, mais um adversário de peso no dia 16 de maio: o Flamengo, desta vez em Figueira de Melo. Campeão do ano anterior, naquela temporada, entretanto, o time rubro-negro oscilou demais e nunca chegou a brigar pelo bicampeonato. Mas de qualquer forma, não deixou de ser surpreendente a goleada de 5 a 0 aplicada pelo São Cristóvão.

Com a pontaria afiada, o ataque cadete aplicou mais uma goleada na semana seguinte em seu estádio: 8 a 2 diante do Sport Club Brasil (no mesmo dia, o Fluminense derrotou o Vasco nas Laranjeiras em jogo novamente tumultuado e com invasões). Em seguida, viria uma difícil vitória sobre o Syrio e Libanez por 3 a 1 nas Laranjeiras, na qual a equipe foi para o intervalo perdendo. Porém, um tropeço inesperado aconteceria dali a duas semanas, num empate em 2 a 2 diante do Bangu em Figueira de Melo.

A reabilitação veio diante de um America que cumpria campanha decepcionante (vinha de derrota para o lanterna Sport Club Brasil). Mesmo jogando no estádio adversário, em Campos Sales, o São Cristóvão não teve dificuldade para vencer por 3 a 1. Com o resultado, a equipe cadete fechava o primeiro turno do campeonato na liderança, empatada com o Fluminense e dois pontos à frente do Vasco.

O segundo turno

Na abertura do returno, uma vitória apertada diante do Botafogo em General Severiano. Depois de abrir 3 a 0, o São Cristóvão viu o time da casa reagir na etapa final, mas foi salvo por um gol de Artur para garantir o triunfo por 4 a 3. Resultado fundamental, uma vez que o jogo seguinte, contra o Fluminense em Figueira de Melo, era uma disputa direta pela liderança isolada do torneio. A expectativa era tanta que a diretoria do São Cristóvão aumentou especialmente o preço dos ingressos de arquibancada para cinco mil réis. Apesar da reclamação dos torcedores, o duelo teve casa cheia.

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O Fluminense abriu o placar logo no início com Preguinho. Mas Vicente empatou logo depois num chutaço de longe e virou o jogo em cobrança de pênalti ainda na etapa inicial. No intervalo, o zagueiro cadete Póvoa precisou ser substituído. Entrou o atacante Doca, passando Otávio Jaburu para a defesa. E o novato entrou bem na partida, marcando logo o terceiro gol são-cristovense. O médio Fortes ainda descontou para o Flu, tentando recolocar a equipe no jogo, mas logo depois Vicente completaria seu hat-trick, fechando o placar em 4 a 2 para a equipe da casa.

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A partida seguinte, contra o Vasco em Figueira de Melo, seria disputada no domingo, 11 de julho, mas curiosamente acabou adiada (assim como toda a rodada) para não conflitar com a grande atração daquele dia na cidade: a inauguração do hipódromo do Jockey Clube da Gávea. Por este motivo alheio ao futebol, o jogo acabou transferido para a quarta-feira, dia 14. Jogando novamente com casa cheia, desta vez o São Cristóvão decepcionou.

Atuando de maneira descoordenada, permitiu ao Vasco marcar três vezes com Russinho no primeiro tempo. Artur Baianinho descontou ainda na etapa inicial. No segundo tempo, Teófilo fez o segundo gol do São Cristóvão, e o time partiu para o “abafa”. A três minutos do fim, porém, houve mais uma vez problemas com os torcedores. Quando o árbitro apitou uma falta lateral, o público pensou se tratar do fim do jogo e invadiu o gramado, interrompendo a partida por alguns minutos. Quando o jogo recomeçou, surgiu a chance de empate ao time da casa, num pênalti cometido pelo vascaíno Bolão. Mas Vicente desperdiçou a cobrança, e o São Cristóvão agora via não só os tricolores como também os próprios cruzmaltinos empatarem na liderança.

Quatro dias depois, Vicente se reabilita marcando os dois gols da importante vitória do São Cristóvão sobre o Villa Isabel por 2 a 1. O resultado mantém o clube na ponta com os mesmos 21 pontos ganhos em 13 jogos de Vasco e Fluminense. Mas no dia 25, enquanto o time cadete folga na rodada, tricolores e cruzmaltinos vão a campo e vencem, abrindo dois pontos com uma partida jogada a mais. E em 1º de agosto, é a vez de o São Cristóvão ir à Rua Paysandu enfrentar o Flamengo.

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Jogando mal, o time de Luiz Vinhaes sai perdendo por 2 a 0 e desconta ao fim do primeiro tempo. Na volta do intervalo, o Fla amplia para 3 a 1. Até que o árbitro Ciro Werneck, do America, marca um pênalti para o São Cristóvão. A torcida rubro-negra protesta, invade o campo e o jogo é dado como encerrado aos 18 minutos. Cria-se então um demorado impasse na liga, que durará até depois da última rodada: o jogo recomeçaria de onde parou (ou seja, da cobrança da penalidade) ou seria anulado e reiniciado do zero?

Enquanto aguarda a decisão da liga, o São Cristóvão segue jogando. Volta a golear o Sport Club Brasil (6 a 0 em General Severiano), vence o Syrio e Libanez por um placar maluco (7 a 5 em Figueira de Melo, depois de empate em 3 a 3 no primeiro tempo) e, em 12 de setembro, obtém um difícil e importante triunfo sobre o Bangu no antigo estádio alvirrubro da Rua Ferrer (2 a 0). Naquela altura, o Vasco, líder, tinha 29 pontos ganhos, mas já havia disputado todos os 18 jogos de sua tabela. Já o São Cristóvão somava os mesmos 27 pontos do Fluminense. Mas aos tricolores, restava um jogo. E aos cadetes, dois. No dia 19, no entanto, o Flu sairia da briga perdendo para o Flamengo nas Laranjeiras por 2 a 0. Já o time alvo receberia, na mesma data, o America em jogo muito disputado (inclusive com certa violência).

Os rubros saíram na frente com Chico. O São Cristóvão igualou a contagem com o goleador Vicente, antes de Artur virar o placar e o mesmo Vicente ampliar, cobrando pênalti. A poucos minutos do fim do primeiro tempo, Chico descontou para o America. Na etapa final, a equipe tijucana voltou melhor e empatou quando Chico, novamente, converteu pênalti cometido por Póvoa. O São Cristóvão de novo passou à frente com Otávio e perdeu a chance de ampliar quando Vicente desperdiça nova penalidade, chutando em cima do goleiro. O castigo vem no fim, quando Osvaldinho tornou a igualar o placar, estabelecendo o 4 a 4.

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Faltava a partida contra o Flamengo, que por decisão da liga seria disputada de novo integralmente. O jogo foi remarcado somente para 21 de novembro, mais de dois meses após a última rodada. Ao São Cristóvão cabia a obrigação de vencer para ser proclamado campeão. Já a vitória do Fla daria o de bandeja a taça ao Vasco. Em caso de empate, os cadetes jogariam uma decisão extra contra os cruzmaltinos. E era isso o que parecia ao fim do primeiro tempo, naquela tarde de chuva forte: o Flamengo abriu o placar logo no primeiro minuto com o ponta-direita Allemand, enquanto o São Cristóvão empataria aos 30 com Otávio.

Na etapa final, porém, a maior vontade e o melhor preparo físico do São Cristóvão se sobrepuseram. Do lado rubro-negro, o cansaço, a falta de ritmo pela longa inatividade e o desinteresse (qualquer que fosse o resultado, sua posição na tabela não se alteraria), tornaram a equipe presa fácil para o time de Luiz Vinhaes, que desandou a marcar gols. Vicente anotou três, e Otávio completou a goleada por 5 a 1 que coroou com brilhantismo um título surpreendente: foram 14 vitórias, dois empates e apenas duas derrotas, chegando aos 70 gols marcados, contra 37 sofridos.

Vinhaes, o personagem

Se o clube cadete teve no médio Henrique seu jogador mais destacado no campeonato e em Vicente seu goleador (os três gols contra o Flamengo o fizeram ultrapassar o vascaíno Russinho e encabeçar a lista dos artilheiros com 26 gols), por outro lado não há dúvidas, entretanto, de que a grande figura daquela conquista foi o técnico Luiz Vinhaes.

Logo após a vitória na reta final sobre o Bangu, que manteve o São Cristóvão na briga pelo título, o jornal O Imparcial publicou um perfil do treinador são-cristovense. Dizia o diário carioca: “(…) a dedicação e a tenacidade com que Luiz Vinhaes vem, na direcção sportiva do seu club, fazendo do São Christóvão que se dizia o grêmio que Deus esqueceu, a agremiação que, no momento presente, bem se pode dizer o campeão da cidade em 1926. São esses louros conquistados por elle (…) que, sem dispor dos recursos de que dispõem outros mais favorecidos pela fortuna, tem feito o que, sem muita dedicação e força de vontade, por outro não teria sido alcançado”.

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No vocabulário da época, que hoje soa pitoresco, a matéria contava ainda um pouco dos métodos de “administração” do elenco e o papel do treinador naquela equipe: “E é elle, quem os põe, ao toque de alvorada no 1º de cavallaria, a poucos passos do club, fora do leito, sendo elle, ainda, quem, metido em grossa camisa de flanela a resguardar-se do frio, submette, por quase uma hora sem descanso, a rapaziada ao preciso treinamento. É elle, dess’arte, o ‘entreneur’, o captain, o diretor sportivo, a reserva, o companheiro, o amigo e o conselheiro. (…) Por ordem sua, todos os amadores, à véspera do treino individual, devem se recolher ao dormitório que elle carinhosamente organizou, no máximo até às 10 horas da noite. Vinhaes é o último a deitar-se, afim de se certificar, de facto, se a tropa está ou não, à hora marcada, entregue aos braços de Morpheu”.

Após a conquista

O título rendeu certo prestígio a alguns de seus nomes. O zagueiro Zé Luiz e o ponta-esquerda Teófilo defenderiam a Seleção na Copa do Mundo de 1930, no Uruguai, enquanto Luiz Vinhaes assumiria o comando do time da CBD a partir de 1931. Dirigiu a equipe na histórica conquista da Copa Rio Branco de 1932 sobre os uruguaios campeões do mundo (revelando Leônidas da Silva e Domingos da Guia para o escrete) e permaneceu até a eliminação precoce no Mundial de 1934, na Itália. Paralelamente, seguiria sua carreira trabalhando também em clubes como o Fluminense e o Bangu (no qual repetiu o feito do São Cristóvão levando o Alvirrubro ao primeiro título carioca do profissionalismo em 1933).

Entretanto, o clube não conseguiu se consolidar como força. No ano seguinte, terminou apenas em sexto. Chegou a ser vice-campeão em um dos torneios disputados no ano de 1934, o da Liga Carioca de Football, de regime profissional, ficando atrás do Vasco. Mas seu último momento de grandeza veio em 1943, quando conquistou o Torneio Municipal (espécie de aperitivo para a temporada) e brigou palmo a palmo pelo título do Carioca, terminando na terceira colocação três pontos atrás do campeão Flamengo. No mesmo ano, o São Cristóvão Atlético Clube fundiu-se com o Clube de Regatas São Cristóvão (fundado em 1898) para dar origem ao atual São Cristóvão de Futebol e Regatas.

Depois disso, foi definhando aos poucos, colocando-se de vez entre os pequenos. A ponto de estar, trinta anos após o título, do lado derrotado na maior goleada da história do Maracanã, um 12 a 2 a favor dos rubro-negros. A partir da década de 1980, com a consolidação da fusão entre o futebol da capital e do interior do estado, além da instituição do acesso e descenso no torneio, o São Cristóvão perdeu de vez seu espaço. Disputou a elite em apenas quatro ocasiões (1983, 1991, 1993 e 1995) nos últimos 36 anos. Teve apenas um grande orgulho: o de revelar um certo Ronaldo Fenômeno, que hoje empresta seu nome ao rebatizado estádio, mas com cujo futebol pôde contar muito pouco.