Ao longo do dia, se você sintonizou algum canal esportivo ou entrou em qualquer página de esportes, deve ter visto os tributos a Rodrigo Rodrigues. Muita gente fez questão de, nesta despedida, ressaltar o talento profissional e também de relembrar o grande ser humano que se foi nesta terça-feira. Mais do que isso, o adeus a RR ainda serviu para apresentar o melhor lado que o jornalismo esportivo pode ter: a sensibilidade e o companheirismo. Virtudes que, afinal, o carioca carregava consigo e deixa de ensinamento.

Como escreveu o colega Thales Machado, editor adjunto de esportes nos jornais O Globo e Extra: “Os dias tristes no jornalismo são muito, mas muito pesados. A gente recebe a notícia, como todo mundo, tem que dar a notícia – que às vezes é a morte de um colega, como hoje – a engole e tem que trabalhar num ritmo que sempre parece mais corrido em dias parecidos como esta terça. Lembro com gosto metálico do dia do acidente da Chape, da tragédia no Ninho e de hoje, por mais que seja uma tragédia individual. Rodrigo era tantos que parece que morreram muitos. E o trabalho, nesses dias, é pesado, mas é só o que nos resta fazer”.

Até por esta perspectiva, o trabalho de alguns colegas jornalistas precisa ser aplaudido – sobretudo quando muitos deles ainda tentavam entender que era real e lidar com a própria dor. O Seleção Sportv, comandado por André Rizek, merece ser lembrado como um exemplo de programa. Caíram quaisquer barreiras e muita gente relembrou a ligação com Rodrigo Rodrigues – incluindo jornalistas, treinadores, técnicos. Citando de novo Thales Machado, foi um “culto ecumênico da mídia esportiva”. Da mesma maneira, foi histórica a transmissão conjunta entre Troca de Passes (Sportv) e SportsCenter (ESPN), numa dobradinha entre as emissoras em prol da amizade.

A mobilização fala muito sobre o ambiente que existe no meio esportivo, indo além dos vínculos empregatícios e dos compromissos profissionais. E reflete ainda mais esse sentimento que Rodrigo Rodrigues suscitava. Foi um tributo singular, que escancara o magnetismo que RR tinha ao seu redor. E fica como legado do apresentador uma enorme lição de empatia, de carinho, de sutileza. De solidariedade, num mundo que precisa de muito mais disso – não apenas num só dia e não apenas na cobertura esportiva.

Fica, mais uma vez, o desejo de força aos familiares e amigos. Fica também um grande abraço e o aplauso aos colegas que transformaram o carisma de RR em momentos tão tocantes, mesmo em um dia tão triste a quem precisou seguir em frente.