A Uefa considera retomar o formato de ‘Final Eight’ na Champions a partir de 2024

O modelo de ‘Final Eight’ na Champions League precisou atender a excepcionalidade do momento, com fase decisiva disputada em apenas um país e jogos únicos. Entretanto, o modelo agradou tanto que a Uefa não descarta que ele seja retomado dentro de algum tempo. Por enquanto, o horizonte está distante ao projeto. Devido aos contratos televisivos atuais, fica difícil mudar o regulamento até 2022/23. Depois disso, a proposta estará na mesa da confederação europeia a partir de 2024.

“Uma boa regra é nunca excluir algo que se prove valioso ou que tenha potencial. Nós sabemos que há muitos elementos que precisam ser levados em consideração, como calendário e restrições de organização, envolvimento das torcidas e implicações econômicas, mas com certeza iremos estudar esse formato e suas variações em nossas próximas discussões”, declarou Giorgio Marchetti, vice secretério-geral da Uefa.

“Mata-matas com jogo único certamente favorecem a incerteza e as emoções. Recebemos ótimas respostas dos clubes, das televisões e de outros parceiros, bem como dos torcedores. As circunstâncias tornaram esse formato uma necessidade, mas o resultado não poderia ser melhor, assim como o grau de satisfação”, complementou Marchetti.

O novo formato poderá ser adotado não apenas pela Champions, mas também pelas demais competições de clubes da Uefa, como aconteceu com os torneios feminino e de base na última temporada. “A comunidade do futebol realmente trabalhou em conjunto: sem isso e sem a parceria com as federações, ligas e clubes, nada teria sido alcançado. Como tínhamos apenas dois meses para organizar torneios simultâneos, as autoridades locais nos apoiaram maciçamente”, analisou o dirigente.

Financeiramente, o modelo de ‘Final Eight’ pode ser um sucesso à Uefa. Atrai maior atenção e patrocinadores, assim como pode elevar os preços e concentrar os ingressos nas mãos da confederação. Quem tende a perder, porém, são os torcedores locais. As oportunidades para se acompanhar o próprio time nas fases decisivas das copas europeias se tornam menores, assim como os custos para ver os jogos de quartas de final e de semifinal encarecerão. A emoção aumenta e as chances de surpresa são realmente maiores, mas a partir do sofá. E não que a imprevisibilidade da Champions estivesse tão prejudicada.

Por fim, Marchetti reforçou como a Uefa está comprometida a realizar seu trabalho com segurança, mesmo diante da segunda onda de contágio na Europa: “Todo mundo assistiu ao Final Eight em agosto. O que quase ninguém sabe é que, desde o começo de agosto, quase 500 partidas da Uefa já tinham sido disputadas. Existem muitas restrições e um protocolo rígido para se aplicar, com um número incrível de testes em todos os times, mas essas dificuldades não nos assustam”.