A hegemonia construída pelo Shakhtar Donetsk no Campeonato Ucraniano é inexorável. No entanto, o clube enfrentou sérias dificuldades durante os últimos três anos. Sofreu as consequências da guerra civil na região de Donbass, viu o dinheiro para contratações minguar, exilou-se de seu próprio estádio. E, depois de duas temporadas em jejum, assistindo ao domínio do rival Dynamo Kiev, a equipe mais brasileira da Europa voltou a engatar a quinta marcha na reta de glórias dentro de seu país, e conquistou o 15° título de sua história. No sábado, frente ao Zorya Luhansk, a vitória por 3 a 2 foi suficiente. Agora, são dez triunfos somados nos últimos 15 anos, feito que faz a Ucrânia vestir laranja e preto mais uma vez e o Shakhtar reafirmar seu poderio no século.

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Sete minutos antes do intervalo, o capitão Srna lançou a bola na área. Facundo Ferreyra venceu os marcadores, o goleiro adversário e fez o primeiro gol da partida contra o Zorya. No segundo tempo, o brasileiro Ismaily e o zagueiro ucraniano Ivan Ordets aumentaram a vantagem do Shakhtar, abrindo três tentos e encaminhando a conquista dos Mineiros. O Zorya diminui duas vezes, mas não impediu a festa em Kharkiv, onde o Shakhtar está exilado devido aos conflitos bélicos em Donetsk. Com quatro rodadas de antecedência, os campeões abrem 14 pontos de vantagem sobre o Dynamo Kiev, que não pode mais alcançá-los.

Com o título, o time treinado pelo português Paulo Fonseca garantiu o passe direto para a fase de grupos da Champions League, enquanto o Dynamo Kiev, também já classificado para a competição europeia, terá que disputar as fases preliminares. Foi a primeira temporada do técnico no clube, já com um saldo positivo, após suceder o respeitado Mircea Lucescu – responsável por liderar oito conquistas no Campeonato Ucraniano, de 2005 a 2014. Foram 35 vitórias em 42 jogos disputados sob as ordens de Fonseca, uma final de Copa da Ucrânia alcançada (ainda a ser jogada) e agora a taça. A se lamentar, apenas a queda nas preliminares da Liga dos Campeões, para o Young Boys. Em compensação, os Mineiros fizeram bom papel na Liga Europa, donos da melhor campanha na fase de grupos, até a eliminação nos 16-avos de final para o Celta – em noite, porém, de arbitragem bastante contestável.

Já em campo, alguns brasileiros foram protagonistas. Ismaily, Bernard, Taison, Fred, Marlos, Dentinho e Alan Patrick festejaram com o resto do elenco neste final de semana, enquanto Wellington Nem e Eduardo da Silva fizeram parte do início da campanha. Entre os estrangeiros, além do capitão Srna, o argentino Facundo Ferreyra e o novato Viktor Kovalenko também deram grandes contribuições, principalmente ao setor ofensivo. O atual time do Shakhtar está abaixo daqueles que permitiram pentacampeonato ucraniano entre 2010 e 2014, algo compreensível diante de todos os problemas causados pela guerra e pela consequente crise financeira. Apesar disso, a volta à fase de grupos da Champions já representa um estímulo importante (inclusive financeiro) para a sequência da reconstrução.