Tunísia e Gana encerraram as oitavas de final da Copa Africana de Nações com um dos jogos mais pesados desta etapa. O momento pode não ser dos mais brilhantes a ambos os países, mas não se nega a tradição no cenário continental. Ao final, ambos ofereceram uma partida equilibrada, mesmo que não tenha sido tão aberta. As chances surgiram para os dois lados e, depois que as Águias de Cartago saíram em vantagem, os Estrelas Negras buscaram a igualdade no final, graças a um gol contra. De qualquer maneira, foi só depois da prorrogação zerada, preservando o empate por 1 a 1, que aconteceu a principal cena da noite. Irritado, o goleiro tunisiano titular precisou dar lugar ao reserva. Justamente o herói da classificação, defendendo uma cobrança e botando os magrebinos nas quartas de final, graças ao triunfo por 5 a 4. Madagascar será o adversário na próxima fase.

Gana dá um susto

O primeiro tempo não apresentou o melhor futebol em Ismailia. Os dois times fizeram uma partida relativamente equilibrada, com muitos erros nas construções. Entretanto, Gana conseguiu levar mais perigo em suas chegadas. Logo aos 15 minutos, os Estrelas Negras meteram uma bola na trave. Kasim Adams recebeu cruzamento da direita e cabeceou firme, mas esbarrou no poste. Além disso, os ganeses arriscavam de longe, sem muito sucesso.

Gol mal anulado dos Estrelas Negras

O principal lance do primeiro tempo aconteceu pouco antes do intervalo. Após uma boa defesa do goleiro Mouez Hassen, Gana ganhou um escanteio. A bola pipocou dentro da área, até que a sobra fosse lançada para Thomas Partey. O meio-campista ajeitou a Jordan Ayew pela direita e o atacante cruzou para um lindo tento de André Ayew, emendando de calcanhar. O problema é que o árbitro anulou, alegando um toque de Partey. Errou.

Khazri muda o jogo

O segundo tempo melhorou. Gana entrou em campo buscando a pressão, com algumas bolas paradas. A postura ofensiva não durou muito, até que o jogo voltasse a se equilibrar. E quem realmente fez a diferença à Tunísia foi Wahbi Khazri. O camisa 10 não está em suas melhores condições físicas e, por isso, começou no banco de reservas. Porém, sua entrada aos 23 minutos transformou o jogo. O atacante incendiou completamente a partida.

O merecido gol da Tunísia

Com a presença inestimável de Khazri, a Tunísia começou a empilhar chances. Na primeira participação do substituto, ele cruzou rasteiro e Taha Khenissi bateu, mas a bola desviou no braço de Adams, sem que o árbitro marcasse o pênalti. Os tunisianos tiveram uma sequência de escanteios, com direito a uma cabeçada de Khenissi na trave. Todavia, o gol não demoraria a sair. Aos 28, as Águias de Cartago emendaram o contra-ataque. Khazri dominou e deu um inteligente passe de calcanhar a Wajdi Kechrida, avançando em velocidade. O lateral cruzou rasteiro e Khenissi bateu de primeira, vencendo o goleiro Richard Ofori.

Um gol contra salva Gana

Durante os minutos restantes, Gana partiu para cima em busca do empate. Ia criando suas ocasiões, mas tinha dificuldades para romper a defesa. Quando Hassen saiu mal do gol, os companheiros conseguiram travar o chute. Depois, o goleiro fez uma excelente defesa em tiro forte de Mubarak Wakaso. Desviou com a ponta dos dedos, em bola que ainda bateu na trave. Os ganeses até pareciam se desencontrar, especialmente diante da irritação de André Ayew ao ser substituído por Asamoah Gyan. Porém, no momento em que a Tunísia já reforçava a defesa para garantir a classificação, entregou um gol aos Estrelas Negras. Aos 45, a partir de uma cobrança de falta da intermediária, Rami Bedoui desviou de cabeça e encobriu Hassen, mandando contra o próprio patrimônio.

Goleiros trabalham na prorrogação

Durante a prorrogação, Gana continuou mais acesa e motivada. Criou boas chances durante o primeiro tempo, parando nas defesas de Hassen. Asamoah Gyan era quem mais tentava, sem tanta precisão. De qualquer maneira, quando a Tunísia chegou, foi para assustar bastante. Khazri acertou uma bomba de longe, em bola cheia de curva, que Ofori espalmou para fora. Já na segunda etapa, Jordan Ayew poderia ter matado a partida. Lançado, o atacante saiu de frente para o gol e fez o mais difícil, batendo para fora.

O goleiro reserva se torna o salvador

O último minuto da prorrogação contou com polêmica. Técnico da Tunísia, Alain Giresse resolveu substituir o seu goleiro para os pênaltis. Mouez Hassen fez o sinal de que não sairia, mas logo foi convencido pelos companheiros, sem esconder a sua indignação. Mas Farouk Ben Mustapha (que havia perdido a posição após a estreia contra Angola) justificou a escolha. Em uma disputa por pênaltis na qual a maioria absoluta dos cobradores demonstrou qualidade, o goleiro substituto pegou o chute ruim de Caleb Ekuban. Ao final, Ferjani Sassi exibiu uma calma enorme para converter o último arremate e garantir a vitória por 5 a 4. Enquanto os companheiros seguiam para comemorar com Ben Mustapha, Hassen sequer celebrou, ainda insatisfeito e conversando com Giresse. Será um problema para lidar nos vestiários durante a sequência na CAN.

Ficha técnica

Tunísia 1×1 Gana (5×4 nos pênaltis)

Local: Estádio de Ismailia
Árbitro: Victor Gomes (África do Sul)
Gols: Taha Khenissi, aos 28’/2T; Rami Bedoui (contra), aos 46’/2T
Cartões amarelos: John Boye, Mubarak Wakaso, Kasim Adams (Gana); Dylan Bronn, Youssef Msakini (Tunísia)
Cartões vermelhos: nenhum

Tunísia: Mouez Hassen (Farouk Ben Mustapha), Wajdi Kachrida, Dylan Bronn, Yassini Meriah, Oussama Haddadi; Ghilane Chaalali, Ellyes Skhiri, Ferjani Sassi; Anice Badri (Wahbi Khazri), Taha Khenissi (Rami Bedoui), Youssef Msakni (Naim Sliti). Técnico: Alain Giresse.

Gana: Richard Ofori, Andy Yiadom. Kasim Adams, John Boye, Abdul Rahman Baba (Lumor Agbenueny); Afriye Acquah (Caleb Ekuban), Mubarak Wakaso; Samuel Owusu (Owusu Kwabena), Thomas Partey, André Ayew (Asamoah Gyan); Jordan Ayew. Técnico: Kwesi Appiah.