Quando Darijo Srna desembarcou em Donestk, aos 20 anos, o Shakhtar tinha pouquíssima projeção fora da Europa. O tradicional clube ucraniano só havia conquistado uma vez a liga nacional, enquanto somava míseras duas participações na Champions. O magnata Rinat Akhmetov, na presidência desde 1995, apenas começava a despejar seu dinheiro em contratações. Assim, a revelação do Hajduk Split não apenas presenciou o crescimento do Shakhtar, como também desempenhou um papel fundamental. Em 13 anos de clube, se firmou como um dos melhores laterais da Europa e levantou 21 taças. Já nesta quinta, o croata se tornou recordista em jogos pelo clube e o aproximou de repetir seu maior feito, avançando às semifinais da Liga Europa.

Srna, aliás, já era capitão quando o Shakhtar Donetsk registrou o seu sucesso no torneio continental, em 2009. A equipe de Mircea Lucescu contava com Willian, Fernandinho, Jadson, Luiz Adriano, Pyatov e Chygrynskiy. Conquistou um enorme feito ao eliminar o rival Dynamo Kiev na semifinal, em uma partida decisiva na história do clássico ucraniano. Já na final, o clube do leste bateu o Werder Bremen por 2 a 1. Jadson anotou o gol decisivo na prorrogação, que deu a primeira taça além das fronteiras ao Shakhtar e construiu o respeito ao clube ante o resto do continente.

 

Quase sete anos depois, muito aconteceu com Srna. O capitão se acostumou a conquistar o Campeonato Ucraniano, completando o penta consecutivo (e oitavo no total) em 2013/14. Viu o Shakhtar construir uma fortaleza com a Donbass Arena. E também o clube ser obrigado a fugir de casa, diante da guerra que se desencadeou no leste da Ucrânia. Porém, embora a maioria dos destaques do elenco tenha saído, o veterano preferiu permanecer. Aumentou ainda mais a sua importância dentro de campo, como a grande referência de um time rejuvenescido.

O atual elenco do Shakhtar perdeu força para ir aos mata-matas da Champions, assim como a fuga de casa (combinada com a ascensão do Dynamo Kiev) quebrou sua hegemonia na Ucrânia. Ainda assim, o clube mantém uma equipe forte o suficiente para fazer bom papel na Liga Europa. E a campanha na fase final é bastante consistente. Nas etapas anteriores, os ucranianos engoliram Schalke 04 e Anderlecht. Já nas quartas de final, bateram no Braga sem dó, com 6 a 1 no placar agregado. Nesta quinta, conquistaram a goleada por 4 a 0 em Lviv. Justo em uma partida tão especial, Srna abriu o placar convertendo pênalti e deu a assistência para Kovalenko ampliar – enquanto o infeliz Ricardo Ferreira completou o marcador com dois gols contra.

Srna completou seu 486º jogo pelo Shakhtar. Superou Mykhaylo Sokolovsky, meia que brilhou no clube entre os anos 1970 e 1980. Pelo número, pelas conquistas e pela importância, fica difícil não apontar o croata como o maior jogador do clube em todos os tempos. Afinal, se o Shakhtar cresceu tanto nos últimos 13 anos, deve bastante à liderança e à qualidade técnica de seu capitão. Aos 33 anos, pode elevar a marca ainda mais. Assim como espera aumentar sua lista de façanhas no time que adotou como seu.


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