Brendan Rodgers pode ser lembrado entre os grandes técnicos que o Celtic teve nas últimas décadas. Durante seus quase três anos em Parkhead, manteve o domínio dos Bhoys no futebol escocês (com direito a duas tríplices coroas) e também aplicou goleadas históricas sobre o Rangers no retorno dos rivais à primeira divisão. Ofereceu um futebol ofensivo e competitivo, que botou o time por duas vezes na fase de grupos da Liga dos Campeões. E criou laços fortes com a própria torcida, que permaneceu ao seu lado diante da falta de reforços trazidos pela diretoria. Em um protesto nas arquibancadas há alguns meses, inclusive, os alviverdes chegaram a apontar que, sem novos nomes, o clube perderia seu comandante. De fato, perdeu. Mas a saída do norte-irlandês bem no meio da temporada, após a eliminação ao Valencia na Liga Europa e a caminho de conquistar o tri na liga, quebrou esta confiança.

Nesta quarta-feira, o Celtic disputou o seu primeiro jogo desde o adeus de Brendan Rodgers, atraído pela proposta do Leicester. Comandado de forma interina por Neil Lennon a partir de agora, os Bhoys fizeram sua parte, derrotando o Hearts por 2 a 1 (com o gol decisivo nos acréscimos do segundo tempo) e mantendo a vantagem de oito pontos sobre o Rangers no topo do Campeonato Escocês. Mas o setor visitante fez questão de mostrar sua insatisfação em Tynecastle. “Você trocou a imortalidade pela mediocridade. Nunca será um celta. Sempre uma fraude”, dizia a faixa principal levada pelos Bhoys. Além disso, em um pub, alguns torcedores cantaram para que Rodgers “morresse dormindo”. Já a torcida do Hearts tirou sua casquinha, com uma faixa aludindo ao cântico no qual os adversários diziam que o treinador estava em Parkhead para “10 títulos seguidos”. Será uma ferida aberta em Glasgow.