A Copa do Rei possui um lugar especial no imaginário da torcida do Betis. Os verdiblancos até conquistaram La Liga uma vez, mas o título não vem desde 1935. Assim, as participações na copa nacional acabam sendo bem mais marcantes às gerações recentes (e não tão recentes assim) de béticos. O primeiro título se deu em 1977, antes da reconquista em 2005, tempos de grandes investimentos dos andaluzes. E diante da recuperação recente do clube, o sonho voltou a pairar na mente da torcida, com a atual campanha até as semifinais. A massa se empolgou com a ocasião. O ônibus do time chegou ao estádio em ruas abarrotadas por fanáticos. Já nas arquibancadas do Benito Villamarín, 57.123 espectadores estiveram presentes, estabelecendo o novo recorde do estádio. A festa até era recompensada quando os anfitriões abriram dois gols de vantagem. O Valencia, todavia, se mostrou um visitante indigesto. E de novo, desta vez com Kévin Gameiro, arrancou um ótimo resultado nos acréscimos do segundo tempo. O empate por 2 a 2 deixa a situação aberta para o reencontro no Mestalla.

Não se nega o espetáculo que embalou a noite em Sevilla. Horas antes do jogo, o êxtase bético havia tomado as ruas da cidade. E a comunhão dos torcedores se tornou mais clara nos arredores do Benito Villamarín, com um corredor de fogos verdes iluminando o caminho dos jogadores. Animação que repercutiu também nas tribunas, cheias como nunca antes. Do recebimento ao apoio durante os 90 minutos, a atmosfera era digna dos grandes jogos. Algo que a equipe correspondeu dentro de campo.

O Valencia até poderia ter saído em vantagem, sobretudo por causa de uma defesaça realizada pelo goleiro Joel Robles. Ainda assim, mantendo o seu estilo de toque de bola, os verdiblancos abriram o placar no fim do primeiro tempo. Sergio Canales cruzou, Sidnei desviou e Loren apareceu para completar de cabeça. Já na volta do intervalo, mais festa. Joaquín cobrou um escanteio fechado e Jaume Domenech ainda tentou defender, mas o relógio do árbitro apontou: gol olímpico do veterano, grande ídolo dos andaluzes.

A reação do Valencia começou somente na meia hora final. E contou com a entrada providencial de Gameiro, que saiu do banco para bagunçar a defesa adversária. Primeiro, o atacante fez grande jogada pela esquerda e cruzou para Denis Cheryshev se curvar e dar uma casquinha de cabeça, descontando. Por fim, com o estádio sentindo a reação, o empate aconteceu nos acréscimos. Cheryshev devolveu o presente com um belíssimo passe esticado e o francês apareceu para frustar o Villamarín, ganhando do zagueiro na velocidade antes de tocar na saída de Robles.

O desejo do Betis na Copa do Rei tem ainda outra razão: a final do torneio está confirmada ao próprio Benito Villamarín. Seria a chance de jogar em casa e promover uma festa maior para tentar levar a taça. Antes de pensar em Barcelona ou Real Madrid, entretanto, os verdiblancos têm um assunto a resolver no Mestalla. E até pelos milagres que o Valencia vem protagonizando na competição, a tarefa será difícil. A quem tinha a vitória nas mãos, buscar o resultado na casa dos Ches também precisará de uma grande energia – o que emanava claramente em Sevilha, mas não se aproveitou por ora.