Por Raphael Zarko (@raphazarko)

Nas últimas semanas um amigo meu contou que está fazendo pilates suspenso. Bem, pilates já é meio estranho. Suspenso então… Outro amigão foi (acompanhado da mulher) a um casamento gay. Na sexta à noite assisti aquele filme “Os Intocáveis”. A cena inicial mostra um negão cantando animadamente uma música que fala em nuvem, dança e azul. Ele está com um rapaz mais velho e passa o filme todo sempre o empurrando pelas costas. Logo perguntei para a minha mulher se eram duas chabirongas. Mas não. Eram personagens de histórias reais de um lindo filme.

As coisas às vezes parecem querer dizer outras, como mostram os exemplos acima, que elas não são na verdade. A vontade de se criar uma teoria da conspiração é tremenda em todos os cantos e por isso esse início tortuoso de texto para chegar ao tão inatingível Fluminense. Há indícios que permitem maledicências e coisas do tipo. O jogo de ontem foi decidido nas polêmicas escolhas da arbitragem, embora o tricolor estivesse martelando, martelando, martelando até que algum momento a Ponte quebrou.

Fazer teoria da conspiração em cima de um time previamente considerado favorito do Brasileiro, por todos veículos e por torcedores, que apenas então cumpre o rito de favorito diante da queda nem mais tão repentina do Galo, faz parte da vida do torcedor. Os tricolores agora talvez esqueçam, mas eles também – e muitos outros times – reclamavam demais que em 2010 e em outros anos (como 2011) estava tudo certinho para o Corinthians ser campeão – “Esse FDP do Ronaldo, o Andrés Sanchez é amigo do presidente Lula, do Teixeira…”, eram frases desse tipo a cada erro favorável ao Timão.

E quem não lembra também do São Paulo tricampeão seguido, do gol em Goiânia, da transferência do jogo para campo “neutro”, lotado de tricolores paulistas? Nem vou entrar nessa de que “ah, os juízes são ruins, eles erram para todos”, porque não é verdade. Ou alguém me apresenta vários erros a favor da Ponte Preta, por exemplo. Que sofreu uma virada do Vasco, também em São Januário, depois de um pênalti muito mal cavado no primeiro turno.

Toda teoria da conspiração que se preze precisa ter alguns interesses e vários interessados, que fazem negociatas obscuras atrás de seus objetivos. A CBF anuncia em seu site 11 parceiros, patrocinadores. Não há planos de saúdes nem nada parecido. Mas se você sofrer uma intoxicação alimentar depois de comer um produto da Seara, beber um refrigerante do Guaraná ou, quem sabe, até se cortar com a sua Gillette ou bater com seu carro da Volkswagen, tome cuidado onde vai ser atendido ou qual carteirinha vai apresentar. Mas para a teoria dar certo, a prática precisa ser muito bem executada. E o Fluminense é competente demais, apesar dos indícios contra e a favor e de todas teorias.