O duelo entre França e Turquia tinha sua importância ao topo do Grupo H nas Eliminatórias da Euro, mas ganhou contornos bem mais tensos do que isso. Durante os últimos dias, por conta dos ataques do governo turco ao povo curdo na Síria, políticos franceses de diferentes orientações manifestaram seu repúdio a Recep Tayyip Erdogan e enfatizaram sua preocupação com atos favoráveis ao presidente protagonizados pelos próprios jogadores turcos. Além do entrave nos bastidores, 30 mil torcedores visitantes fizeram barulho e mostraram como o Stade de France não era território totalmente francês. A partida, de fato, refletiu tamanho interesse e foi muito pegada – com nova homenagem dos turcos a Erdogan. Já o empate por 1 a 1 não garantiu a classificação de nenhuma das seleções, mas aproximou ambas da Eurocopa.

Mesmo desfalcada de jogadores importantes, a França mandou na partida durante o primeiro tempo. Aproveitou bastante a mobilidade de Antoine Griezmann e Kingsley Coman na ligação, criando chances o suficiente para sair em vantagem. Faltou apenas passar pelo goleiro Mert Günok. O camisa 12 da Turquia acumulou ótimas defesas e conteve os Bleus. Foram quatro intervenções por volta dos 20 minutos, com dois milagres consecutivos para barrar Griezmann com a perna e ainda evitar o rebote de Moussa Sissoko.

Wissam Ben Yedder, escolhido para atuar como homem de referência, pouco apareceu e mandou para fora sua melhor chance, na tentativa de surpreender o goleiro no segundo pau. O próprio Griezmann ficou a um triz de anotar um golaço, em finalização de fora da área que passou muito próxima do poste. Apesar da velocidade nas transições, os franceses pecavam na pontaria. Além disso, as duas equipes não aliviavam nas disputas de bola, em partida com a intensidade digna de uma decisão.

Na volta ao segundo tempo, a Turquia apareceu com outra postura e conseguiu incomodar mais a França. A partida se tornava equilibrada e os Bleus tentavam pressionar a área turca, mas viam a dupla de zaga formada por Merih Demiral e Çaglar Söyüncü liderar a resistência. A entrada de Olivier Giroud, aos 27, aumentou a força ofensiva dos franceses. E o artilheiro precisou de apenas quatro minutos para abrir o placar. Griezmann cobrou escanteio pela direita e o próprio Giroud saltou no meio de três marcadores para desviar de cabeça, aos 31. Pouco depois, Thomas Lemar forçaria outra defesa de Günok.

A Turquia também teve suas armas vindo do banco. Hakan Çalhanoglu ajudou a organização ofensiva a partir do segundo tempo e representou uma ameaça constante nas bolas paradas. O empate saiu de seus pés, aos 36. O meia cobrou falta ao segundo pau e Kaan Ayhan (outro substituto na etapa complementar) cabeceou firme para vencer o goleiro Steve Mandanda. Na comemoração, os jogadores turcos voltaram a repetir a continência em referência ao presidente Erdogan. Antes que a partida recomeçasse, Çalhanoglu precisou se dirigir à torcida turca, pedindo para que se acalmasse – possivelmente, por conta de sinalizadores.

O final do duelo permaneceu aberto. A França era mais agressiva e tentou pressionar a Turquia, mas Jonathan Ikoné parou em Günok na melhor chance. Já do outro lado, os turcos conseguiram armar contra-ataques perigosos, sem concluir da melhor maneira. O apito final mostrou duas equipes exaustas por todo o esforço na noite. Além disso, as câmeras flagraram certo descontentamento de Griezmann, contido por Didier Deschamps durante a saída de campo. O empate não foi o pior dos mundos, embora não tenha garantido o objetivo das equipes.

Turquia e França dividem a liderança do Grupo H, ambas com 19 pontos. Os turcos possuem vantagem no confronto direto, após a vitória em Konya. A única concorrente é a Islândia, que venceu Andorra nesta segunda e possui 15 pontos. Enquanto os islandeses fazem o confronto direto em Istambul na próxima rodada, os franceses podem confirmar a classificação em caso de vitória sobre a Moldávia. Os dois primeiros avançarão à Euro 2020.

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