Restam poucos jogos para o Liverpool tentar encerrar o seu jejum de 29 anos sem conquistar o Campeonato Inglês. E não há como viver tais partidas sem tensão. A ansiedade é massacrante aos torcedores dos Reds. O peso da responsabilidade recai sobre os ombros dos jogadores e cada lance pode ter uma consequência histórica ao clube. Por isso mesmo, esta reta final da Premier League se desdobrará à flor da pele. As emoções serão intensas, profundas. Neste domingo, felizmente aliviantes ao time de Jürgen Klopp. Nem mesmo o confronto com um time ameaçado pelo rebaixamento, como o Cardiff City, seria fácil aos candidatos à taça. Apesar da respiração ofegante e das vezes em que o coração parou no primeiro tempo, os visitantes conquistaram uma vitória fundamental em Gales. Placar de 2 a 0, que recoloca a equipe na liderança e volta os olhares ao que acontecerá com o Manchester City no meio da semana, em sua partida atrasada pela competição.

Durante a semana, o Liverpool deu uma prova de maturidade e de consistência na Liga dos Campeões. A goleada sobre o Porto, todavia, tinha uma exigência mental menor do que a experimentada na visita a Cardiff. A Premier League, neste momento, só oferece mata-matas de jogo único aos Reds. E mesmo com força máxima, a equipe encontrava dificuldades para se tranquilizar, para anotar o primeiro gol. O domínio era todo dos visitantes, como se esperava. A equipe tentava, dominando os espaços e ditando um ritmo forte. Mas esbarrava num excelente trabalho defensivo dos Blue Birds, que adiavam a abertura do placar.

A primeira chance clara do Liverpool aconteceu aos 21 minutos. Sadio Mané descolou um excelente passe a Roberto Firmino e o centroavante saiu de frente para o gol. Perdoou, inacreditavelmente mandando para fora. Era um sinal de certo nervosismo que afetava os Reds. Mané também não ajudaria, errando o alvo pouco depois. E quando Mohamed Salah apareceu, o goleiro Neil Etheridge realizou uma excelente defesa para manter o placar zerado. Neste momento, a torcida visitante já tinha roído todas as unhas. Certamente se engasgou aos 43, quando Alisson evitou que o Cardiff saísse em vantagem. Após cobrança de escanteio, Oumar Niasse bateu à queima-roupa e o goleiro conseguiu espalmar. Evitou um segundo tempo ainda mais desesperador.

Para o sossego dos cardiologistas de Liverpool, a etapa complementar seria bem menos desgastante aos espectadores. Se a impressão no primeiro tempo era de que o gol dos visitantes poderia vir a qualquer momento, por mais que não acontecesse, a equipe tratou de se concentrar neste objetivo durante a volta do intervalo. Partiu para cima e acertou o pé aos 12 minutos. A partir de uma cobrança de escanteio rasteira, Georginio Wijnaldum pegou na veia. Mandou um míssil de dentro da área, indefensável para Etheridge, que determinava os rumos da partida. Os Reds poderiam reduzir a expectativa e pensar melhor o seu jogo. Passaram a atuar ainda melhor, mais leves.

Não que os sustos tenham cessado, longe disso. Jordan Henderson errou o alvo quando poderia fazer o segundo. A diferença continuava mínima e a torcida do Liverpool precisou ser grata a Sean Morrison. Após uma bola alçada na área, Alisson saiu mal e o zagueiro ficou com a meta aberta para empatar. Não pegou em cheio na bola e a cabeçada torta acabou saindo sem direção. Foi a maior provação aos visitantes, distribuindo as cartas em campo. Depois, Fabinho ainda viveria um momento particularmente infeliz. O volante saiu do banco, substituindo Naby Keita, e logo em uma de suas primeiras ações sofreu um choque na cabeça. Por precaução teve que sair quatro minutos depois, substituído por James Milner. O brasileiro confirmou, já depois da partida, que os exames foram positivos.

Aos 34, a confirmação da vitória. E também a confirmação da gratidão por Morrison. O zagueiro do Cardiff abraçou Salah na área, cometendo pênalti. O egípcio pegou a bola e queria cobrar, mas o especialista em campo era justamente Milner. O veterano bateu firme e ratificou os três pontos vitais aos Reds. No final, Salah ainda insistiu por seu gol, mas outra vez terminou frustrado por Etheridge. Com uma só mão, o goleiro realizou uma defesa monumental. Se o objetivo individual não foi cumprido, o coletivo terminou atingido com êxito.

O resultado coloca o Liverpool temporariamente na liderança. O time chega aos 88 pontos, dois a mais que o Manchester City. São nove vitórias consecutivas, somando todas as competições. A real dimensão da disputa, porém, só será dada na próxima quarta-feira. Os Citizens completam o seu jogo atrasado, visitando o Manchester United em Old Trafford. E pelo que aconteceu neste domingo em Goodison Park, a torcida dos Reds será mais do que necessária. A partir do próximo final de semana, a corrida se torna cabeça a cabeça, com três partidas restantes para os postulantes à taça. Já na parte inferior da tabela, o Cardiff também viverá emoções parecidas. Com 31 pontos, os Blue Birds estão a três do Brighton, sua principal esperança de salvação.