Seria um domingo repleto de euforia e agonia na Premier League. E nem tinha como a rodada final se desenrolar de outra maneira, após um campeonato eletrizante desde suas primeiras semanas. Manchester City e Liverpool protagonizaram uma das maiores disputas da história do futebol inglês, enfileirando vitórias e acumulando recordes. Porém, só um poderia se consagrar como campeão. E a ligeira vantagem dos Citizens, um ponto à frente, acabou mantida. Os celestes precisaram encarar a aflição na visita ao Brighton, mas foram capazes de reagir rapidamente e arrancaram a virada por 4 a 1 no Estádio Amex. Os Reds, por sua vez, cumpriram sua parte. Derrotaram o Wolverhampton por 2 a 0, em tarde de resignação em Anfield, mas também consciência pelo esforço extraordinário da equipe.

Com 98 pontos conquistados, o Manchester City ergueu a taça. Registrou o melhor ataque e, por um gol, também não terminou com a melhor defesa. Fechou sua caminhada com 14 vitórias consecutivas. Se o trabalho de Pep Guardiola foi menos impressionante do que na temporada anterior, merece elogios pela maneira como superou os diferentes obstáculos, seja pelas lesões ou pelas pressões que se criaram. Os aplausos, de qualquer forma, se ampliam a um não menos incrível Liverpool. Com 97 pontos, agora os Reds tentam fazer seu ano reluzir na Champions.

Abaixo, uma descrição diferente da rodada final. As emoções que se desencadearam, momento a momento, nos dois jogos simultâneos: Brighton 1×4 Manchester City e Liverpool 2×0 Wolverhampton.

Sadio Mané, do Liverpool (Getty Images)

Um pouco mais de ânimo em Anfield

Os minutos iniciais da rodada pareciam favoráveis ao Liverpool. Os Reds dominavam o jogo em Anfield e empurravam o Wolverhampton contra a parede. Enquanto isso, o Manchester City encontrava mais dificuldades na visita ao Brighton. As Gaivotas, já garantidas na primeira divisão, pareciam dispostas a jogar mais à frente – como acontecera contra o Arsenal, na rodada anterior. Em um lance ou outro, o time da casa tentava se criar no ataque. Enquanto isso, o nervosismo atrapalhava os comandados de Pep Guardiola.

A esperança se reforça: gol do Liverpool

O grito de gol desatou em Anfield aos 17 minutos. Apesar das dificuldades para romper a defesa do Wolverhampton, o Liverpool conseguiu abrir o placar graças à sua válvula de escape costumeira nesta temporada: a lateral. Trent Alexander-Arnold tabelou com Jordan Henderson pela direita e o cruzamento rasante desviou na marcação. Ainda assim, sobrou na medida para Sadio Mané aproveitar dentro da área, totalmente livre. Neste momento, os Reds botavam a mão na taça.

A explosão: o Brighton também sai em vantagem

Um rumor causou burburinho em Anfield. Talvez fosse a empolgação pelo gol do Cardiff City contra o Manchester United, em Old Trafford. De qualquer maneira, os ouvidos dos torcedores do Liverpool estavam ligados ao que acontecia em Brighton. E aos 27 minutos, as Gaivotas provocaram uma explosão a centenas de quilômetros dali. Pascal Gross cobrou escanteio fechado e Glenn Murray se antecipou no primeiro pau, anotando 1 a 0 sobre o Manchester City. Os Reds tinham motivos para confiar. O que duraria pouquíssimo.

A resposta imediata de Agüero

Desta vez, Sergio Agüero não precisou provocar um milagre, como nos acréscimos do jogo contra o Queens Park Rangers, em 2012. No entanto, o título do Manchester City merece ser creditado também ao poder de decisão do argentino. A resposta imediata dos celestes se tornou fundamental para não sentirem a tensão após o tento do Brighton. As redes balançaram somente um minuto depois. David Silva deu um inteligente passe de primeira ao centroavante, que saiu de frente para Mat Ryan e não perdoou. A partir de então, com o empate de volta às mãos, os Citizens cresceriam em busca da necessária virada.

Agüero comemora o gol decisivo (Victoria Haydn/Man City via Getty Images)

O Manchester City vira e começa a reinar

Não era a melhor apresentação do City, cabe reafirmar. O time de Pep Guardiola não jogava de maneira tão fluída durante os primeiros minutos, sentindo o peso da ocasião. Todavia, isso não o atrapalhou de construir o resultado. Com mais volume e criando situações depois do empate, os celestes confirmaram a virada aos 38 minutos. Escanteio cobrado por Mahrez e Aymeric Laporte subiu sozinho, cabeceando firme às redes adversárias. Aliás, a diferença poderia ser maior antes do intervalo, com Mat Ryan realizando outras boas intervenções no Estádio Amex. O bicampeonato se desenhava.

O Liverpool sentia as notícias

Depois de sair em vantagem, o Liverpool continuou melhor na partida. Andy Robertson forçou uma boa defesa de Rui Patrício pouco antes do gol do Brighton. Porém, se o tento das Gaivotas animaram a torcida em Anfield, o empate e a virada do Manchester City pareciam palpáveis na atmosfera do estádio. Os torcedores da casa refletiam o baque, embora seguissem cantando, e o time de Jürgen Klopp também não conseguia imprimir o mesmo ritmo. O Wolverhampton começou a incomodar a partir de cruzamentos e quase empatou aos 43, em chute de Matt Doherty que explodiu no travessão.  O intervalo chegou e, nos vestiários, certamente os Reds tinham consciência de que dependeriam de uma inesperada reação no Estádio Amex.

Mahrez permite o desafogo do City

O Brighton tentou ser um anfitrião indigesto ao Manchester City. No fim do primeiro tempo, Ederson foi forçado à sua primeira defesa, em falta cobrada de longe. As Gaivotas ainda dariam um susto no início da etapa complementar, com Leon Dunk mandando para fora. Mas nada tiraria a taça dos celestes. A certeza disso veio aos 18 minutos, quando Mahrez anotou o terceiro gol dos Citizens. Um golaço, aliás. O argelino recebeu na entrada da área, deixou o marcador no chão com um corte seco e bateu da meia-lua, vencendo Mat Ryan. Desencadeou uma comemoração enlouquecida de seus companheiros, firmes em sua convicção. A partir de então, o time de Pep Guardiola jogaria apenas para coroar sua tarde especial.

Fechando a contagem, outra pintura, de Gündogan

O Manchester City fechou o placar aos 27 minutos. Gündogan abrilhantou um pouco mais a festa com uma pintura cobrando falta, em chute perfeito. Mandou por fora da barreira e a bola entrou rente à trave, longe do alcance de Mat Ryan. A partir de então, a torcida dos Citizens estava desimpedida a tripudiar nas arquibancadas do Estádio Amex. Os celestes mantiveram o controle sobre a partida, sem forçar muito no ataque. Agüero parecia o mais disposto a marcar, na briga pela artilharia, mas o quinto gol não veio. De qualquer forma, o passeio era mais que suficiente para garantir o bicampeonato.

Guardiola comemora com Kompany (Mike Hewitt/Getty Images)

Ao Liverpool, restou o orgulho

O segundo tempo em Anfield contou com uma valente atuação do Wolverhampton. Os visitantes equilibraram o jogo e criaram suas chances para empatar. O Liverpool encontrava dificuldades para ameaçar Rui Patrício e cresceu apenas no final, com o gol que ratificou a vitória. Aos 36 minutos, Alexander-Arnold efetuou outro cruzamento cirúrgico e permitiu que Sadio Mané anotasse mais um. O lateral quase completaria uma tripleta de assistências, quando Virgil van Dijk carimbou a trave. Ao final, o placar de 2 a 0 cumpriu a missão, mas isso não foi suficiente por si.

Uma justa homenagem a Kompany

Antes que o apito soasse no Estádio Amex, Pep Guardiola realizou uma justa homenagem ao seu capitão. Vincent Kompany foi substituído aos 41 minutos. Saiu ovacionado pelos torcedores, sobretudo os seus, agradecidos pelo gol que determinou a conquista. O tirambaço contra o Leicester não foi o último tento, mas é aquele que entra à história da Premier League para simbolizar o bicampeonato. Já do lado de fora, o veterano ainda deu um caloroso abraço em Guardiola, demonstrando a ótima relação com o treinador.

O Liverpool ficou com os prêmios…

Anfield continuou cantando alto após o apito final deste domingo. A torcida agradecia a campanha memorável na Premier League e dava forças para os jogadores seguirem em frente, sobretudo após a reviravolta fantástica na Liga dos Campeões. Ainda dá para sonhar. E, individualmente, os Reds faturaram a maioria das premiações oferecidas pela liga. Sadio Mané e Mohamed Salah ganham a Chuteira de Ouro, em conjunto com Pierre-Emerick Aubameyang, todos com 22 gols. Alisson leva a Luva de Ouro, com 21 partidas sem sofrer gols. Já Virgil van Dijk, eleito pelos companheiros de profissão como o melhor do campeonato, também foi condecorado com o prêmio oficial da Premier League.

O Manchester City ficou com a taça

Por fim, a celebração massiva no Estádio Amex. E não tinha como ser diferente: o Manchester City encerra uma campanha absurda na Premier League. Sim, o time de Pep Guardiola conquistou mais pontos em 2017/18, 100 no total. Porém, os 98 pontos desta temporada merecem ser ainda mais valorizados, por toda a pressão imposta pelo Liverpool. Se os celestes terminam celebrando, é por sua enorme competência na corrida parelha. Tiveram o conjunto mais sólido, venceram o confronto direto do Ano Novo e, sobretudo, cresceram na reta final. Exceção feita à derrota ao Newcastle em janeiro, o City ganhou todos os seus outros compromissos pela liga em 2019. Foram incríveis 17 vitórias em 18 partidas. Um título merecido, que pode ser complementado com a tríplice coroa doméstica, caso derrotem o Watford na decisão da Copa da Inglaterra.

Os gols de Brighton 1×4 Manchester City

Os gols do Liverpool 2×0 Wolverhampton