O Slavia Praga tem seus motivos para reclamar da sorte nesta Champions League. O sorteio da fase de grupos foi cruel com os tchecos, colocando o clube justamente na chave mais cascuda da competição. Ainda assim, os alvirrubros vêm lutando bastante para mudar esse destino. E poderiam fazer uma campanha bem melhor, não fossem míseros detalhes. Depois de complicar a Internazionale e Borussia Dortmund, os azarões quase desbancaram o Barcelona nesta quarta-feira, no Estádio Sinobo. Os anfitriões apresentaram um futebol ofensivo e incansável, mas viram os blaugranas aproveitar os momentos certos para balançar as redes. Além disso, Ter Stegen colecionou ótimas defesas e salvou seu time. Ao final, o Barça celebrou a vitória por 2 a 1, mas a torcida reconheceu o espírito do Slavia com aplausos.

Logo de cara, o Barcelona se beneficiou com o gol anotado cedo em Praga, também por seus méritos na pressão. Lionel Messi foi essencial na jogada, não apenas por concluí-la, mas também por iniciá-la. Graças a uma bola roubada pelo camisa 10, os blaugranas geraram o ataque. O argentino tabelou com Arthur e recebeu um ótimo passe do brasileiro, para bater de primeira dentro da área. Entretanto, o Barça não manteria o ritmo. Mais uma vez, a equipe de Ernesto Valverde fazia uma partida burocrática.

Aos poucos, o Slavia Praga começou a sentir o jogo. E os tchecos cresceram desde o primeiro tempo. Marc-André ter Stegen seria fundamental para evitar o empate dos anfitriões antes do intervalo. A primeira intervenção do alemão aconteceu aos 20 minutos, em chute de Jaroslav Zeleny no contrapé. O arqueiro se desdobrou para desviar. Os alvirrubros iam muito bem em suas transições, com bola no chão e trocas de passes rápidas para quebrar a pressão. Só paravam mesmo em Stegen, que segurou um chute rasteiro de Lukas Masopust e depois se esticou todo para afastar com a ponta dos dedos o arremate colocado de Peter Olayinka.

A única oportunidade clara do Barcelona para ampliar ainda no primeiro tempo veio aos 39 minutos. Frenkie de Jong recebeu na direita, mas o chute cruzado foi em cima de Ondrej Kolar e facilitou a defesa do goleiro com o pé. O Slavia, de qualquer maneira, não desanimou. Masopust comandava as melhores jogadas ofensivas dos alvirrubros. E os minutos incendiários do time no início da etapa complementar permitiram o empate, aos cinco. Masopust fez uma linda jogada, ao dominar o lançamento longo e escapar da marcação. Tocou para Jan Boril, que mandou de bico, nas redes.

Embalado, o Slavia Praga permaneceu em cima. No entanto, outra vez o Barcelona deu sorte para encontrar o segundo gol rapidamente. A jogada nasceu a partir de uma cobrança de falta executada por Messi, aos 12. Luis Suárez recebeu no segundo pau e, quase sem ângulo, conseguiu bater na bola. A defesa tcheca se enroscou e o tiro desviou em Olayinka antes de entrar, sem que Kolar salvasse. A arbitragem considerou como gol contra o atacante.

O tento foi importante ao Barcelona, especialmente porque conteve o ímpeto do Slavia Praga por um momento. Os blaugranas criaram boas chances para anotar o terceiro, mas perdoaram. Mal na partida, Suárez desperdiçaria um passe açucarado de Messi, ao mandar para fora diante do goleiro. O próprio camisa 10 também furaria uma bola limpa, ao pegar torto o cruzamento rasteiro de Jordi Alba. E as alterações nos 15 minutos finais fizeram os tchecos ressuscitarem.

A reta final da partida foi bastante incômoda ao Barça, que não encaixava os contra-ataques e via sua defesa ser colocada à prova pelo desespero do Slavia. Todavia, os alvirrubros não foram precisos o suficiente em seu abafa. Até mesmo o goleiro Kolar subiu ao ataque, sem adiantar. No último lance, Josef Husbauer recebeu na entrada da área e poderia ter feito melhor, mas bateu para fora. O técnico Jindrich Trpisovsky até se jogou no chão para lamentar.

A nota triste da partida fica para o comportamento de parte da torcida do Slavia. Segundo relatos do repórter Marcelo Bechler, o setor onde estavam os ultras vaiava Nelson Semedo e imitava macacos quando o lateral pegava a bola. O jornalista do Esporte Interativo também lidou com a hostilidade do setor atrás do gol e precisou sair de lá, indo para uma parte mais tranquila na etapa final. O protocolo da Uefa não teria sido aplicado na noite, sem que houvesse aviso nos alto-falantes aos agressores.

Se nas arquibancadas fica a ojeriza aos racistas, em campo ao menos o Slavia faz um bom papel na Champions. Não é exagero dizer que, em outro grupo, os tchecos poderiam se candidatar à classificação. Entretanto, mesmo com três boas atuações, a equipe soma apenas um ponto. A liderança no Grupo F é do próprio Barcelona, que chega aos sete pontos, mesmo com partidas reticentes. Já Internazionale e Borussia Dortmund brigam pela segunda vaga, ambos com quatro pontos. Ainda há tempo para os tchecos tentarem se intrometer.

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