O Athletico teve tudo para sair de Cochabamba com um resultado que garantiria a equipe na próxima fase da Libertadores. Mesmo ficando atrás do placar por duas vezes, o Furacão foi no embalo de Renan Lodi e buscou o empate. Mas a noite não era rubro-negra, e em um pênalti tardio, o terceiro na partida, o Jorge Wilstermann conquistou a vitória por 3 a 2 e mantém série invicta em casa pela Libertadores.

O Furacão iniciou a partida jogando dentro de suas características, buscando manter a posse de bola e envolver a equipe do Jorge Wilstermann, mas sem a mesma velocidade dos jogos da Arena. No gramado pesado do estádio Félix Capriles e com a altitude de 2560 metros, acelerar o jogo não era uma opção constante. Contudo, o Athletico conseguiu criar uma breve pressão e atuava de maneira confortável. Mas aos 23 minutos, em um lance de escanteio, a bola sofreu um desvio no meio do caminho e caiu nos pés de Ricardo Pedriel. O chute forte acertou a trave esquerda de Santos, que não contava com a trajetória traiçoeira da bola que rebateu em sua própria mão e entrou na meta. O gol sofrido, porém, não intimidou o Athletico, que conseguiu empatar ainda antes do fim do primeiro tempo. Renan Lodi avançou pelo lado esquerdo e arriscou o chute. A bola foi desviada por Ballivián e matou o goleiro Arnaldo Gimenez.

A igualdade antes de ir para o vestiário era essencial para um segundo tempo mais tranquilo. Mas o Jorge Wilstermann voltou para o segundo tempo com muita disposição, já buscando o ataque nos primeiros instantes. Na terceira boa chegada em quatro minutos, o time boliviano conseguiu um pênalti, em toque de mão de Jonathan, após cabeceio de Serginho, em lance muito rápido. Jorge Ortiz bateu forte e colocou o Wilstermann de novo na frente. Mas a vantagem boliviana durou apenas cinco minutos. Em novo avanço de Renan Lodi, o lateral invadiu a área, tentou fazer o corte e foi derrubado. Marco Ruben cobrou e voltou a empatar, chegando ao quinto gol na competição.

Na sequência, o Furacão teve uma grande oportunidade de finalmente ficar na dianteira do placar. Nikão percebeu a infiltração de Lodi pela esquerda e levantou a bola na medida, mas o lateral, livre para finalizar de cabeça, optou por tentar a assistência para Marco Ruben, que não alcançou bola no tempo certo e finalizou para fora. O lado esquerdo do Athletico seguiu sendo o principal corredor de ataque, mas o rubro-negro não conseguiu mais ser efetivo. Conservador e satisfeito com o que a equipe apresentava, Tiago Nunes fez substituições que não alteraram a estrutura tática, preferindo apenas colocar sangue novo. O Wilstermann, mesmo atacando esporadicamente, trazia algum perigo, especialmente quando a articulação era feita por Serginho.

O jogo se encaminhava para o empate, suficiente para a classificação atleticana à próxima fase. Mas na casa dos 40 minutos, em um lance muito parecido com o do primeiro pênalti da partida, a bola bateu na mão de Paulo André, que tentou fechar um chute cruzado vindo do lado esquerdo. Um lance não intencional, mas que inevitavelmente se tornou em penalidade máxima. Melgar chutou no canto direito, e mesmo Santos pulando com precisão no lado certo, a bola entrou. A vitória foi a oitava de uma sequência de onze jogos sem perder em casa pela Libertadores – a última aconteceu em 2011 contra o Internacional

Com a igualdade parcial, o Athletico conquistava a classificação com uma rodada de antecedência e iria a Buenos Aires passar por um “estágio” em La Bombonera para os jogos mais duros que o Furacão poderia encontrar na fase eliminatória. Mas a derrota no final de jogo deixou as comemorações em stand-by, pois será preciso torcer para que o Tolima não vença o Boca Juniors. Caso contrário, a última rodada será um teste definitivo de maturidade do time comandado por Tiago Nunes. 

Atualização às 23:49: Tolima e Boca Juniors empataram em 2 a 2 no horário seguinte ao do jogo do Athletico. Com o resultado, o rubro-negro conquistou a classificação antecipada às oitavas de final.